segunda-feira, 5 de abril de 2010

Barreiras, qual seu rumo?

Pessoal, Barreiras está um caos e tem gente que ainda elogia!

Hoje, recebi denúncia de que não havia obstetra na maternidade no final de semana, que faltam médicos nos postos de saúde. A revolta está muito grande, porém, parece que as pessoas se encontram amarradas ou não vislumbram solução para esses desrespeitos!

Na educação, as coisas apenas pioram. Entramos no mês de abril e até hoje não chegou uma folha de papel ou material de limpeza na escola que trabalho. Estamos sem inspetor (a) e porteiro. Semana passada foi um estresse enorme por causa da insegurança na entrada e saída da escola. Também faltam livros didáticos e estamos no final da primeira unidade.

Não bastasse tudo isso, o pessoal que trabalha como terceirizado está com os salários atrasados, e as/os professoras/os que trabalham a anos para o município dizem que nunca houve pagamento mais desordenado do que neste (des) governo.

Tudo isso acontecendo e os/as vereadores/as fazem o que para fiscalizar essa situação? E nós, povo, estamos fazendo o quê?

É preciso denunciar urgentemente, mesmo que não tenhamos expectativas de melhoria, ficar calado/a não dá!


Por Paula Vielmo


domingo, 4 de abril de 2010

USO E ABUSO DOS PROFESSORES

Por Gabriel Perissé*

Li na Folha de S. Paulo, no dia 23 de janeiro de 2010, matéria assim intitulada: "SP admite ter de usar professor reprovado".

O verbo "usar" entra pelos olhos, assalta as mentes, espanca o coração, cai torto no estômago e nos faz mal.

O verbo "usar", bem conhecemos. Eu, você, todos nós usamos o verbo "usar". Usamos e abusamos. Faço uso desse verbo porque muitas coisas eu aprendi a usar.
Uso roupa, uso computador, uso escada para subir, uso papel para escrever, uso dinheiro para comprar, uso carro para me transportar, uso de tudo que é lícito para viver humanamente.

Usar não é errado quando uso e manipulo o que é usável e manipulável: objetos a meu dispor, simples ou complexos, caros ou baratos, de qualidade ou vagabundos.

Mas usar pessoas, isso não; isso é demais da conta. Usar pessoas, jamais! Usar alguém para escalar. Usar alguém para ganhar. Usar alguém para gozar. Usar alguém para vencer. Usar alguém é coisa que ninguém deveria fazer. Usar alguém não é do bem. Usar alguém faz mal, e faz mal aos dois: a quem é usado, e também àquele que usa!

Dirão, talvez, que entendi mal. Que o título da matéria não tem maldade. Que "usar" é assim mesmo, usamos sem pensar. Que temos aí um modo de escrever inofensivo. Que estou exagerando a força da palavra. Que estou usando mal a minha capacidade de ler o jornal. Que estou vendo coisas.

Contudo, lá está, a matéria diz: os professores reprovados serão usados. Usados, concluo, porque foram reprovados. E foram reprovados porque sempre foram usados. Porque têm sido objeto de uso e abuso.

O professor fez a prova e foi reprovado. O que será que essa prova provará? Será essa prova eliminatória ou "humilhatória"? O governo de São Paulo garante que o professor, mesmo reprovado, será usado. E ele, o professor, que já se habituou a ser usado faz tanto tempo, voltará a ser temporário. Por quanto tempo?

Usado e mal pago, de manhã, à tarde e à noite, o professor se sente manipulado como uma coisa. Sem aplauso, excluso, mero parafuso, o professor aceita ser usado.

E aqueles que, useiros e vezeiros em usar os professores, humilham o docente, provam, na verdade, que não sabem servir a sociedade. E se não vivem para servir, para que servem?


* Gabriel Perissé é Doutor em Educação pela USP e escritor.
Website: http://www.perisse.com.br/


sábado, 3 de abril de 2010

A inversão da função do executivo e legislativo em Barreiras


Por Paula Vielmo


Passados alguns meses do início do ano de trabalho no legislativo barreirense, chama-nos a atenção, a partir de uma indicação de uma amiga, o fato do Poder Executivo, através da Prefeita Jusmari Teresinha, ter encaminhado à Câmara Municipal sete Projetos de Lei, e até agora nenhum projeto ter sido apresentado pelos/as vereadores/as (pelo menos nada foi divulgado, e antes de escrever enviei e-mail à Assessoria de Comunicação da Câmara solicitando tal informação para não ser leviana, porém não houve resposta).

No site da câmara, na postagem intitulada "Câmara reabre trabalhos legislativos" existe a fala da presidente da Câmara dizendo que "várias proposições de vereadores já estão protocoladas na secretaria da Casa", porém causa-nos estranheza que até o momento, nenhuma destas proposições foi disponibilizada no site, constantemente atualizado, nem entraram em pauta. Por que será que tais projetos, se realmente existem, não são divulgados?

Diante das indagações até o momento sem respostas, surge mais uma:
qual dos poderes é o responsável por legislar? Sabemos da possibilidade do poder executivo encaminhar Projetos, porém, apenas este fazê-lo causa estranheza e acomodação em uma das principais funções do/a vereador/a.

Na segunda sessão deste ano, o Poder Executivo apresentou à Câmara exatos sete Projetos de Lei (leia aqui) sobre os mais distintos temas. Enquanto o Poder Executivo envia os projetos para serem aprovados, os vereadores continuam sem saber sua função, apenas votando (provavelmente por unanimidade) e fazendo indicações de obras e reformas, que devem ser feitas pelo Executivo. Há ou não há uma inversão de papéis nessa história sem final feliz para o povo de Barreiras?

Para esclarecer, segue o artigo 2º do Regimento Interno da Câmara Municipal de Barreiras (Res.018/05), que trata "Da Competência" deste Poder:

Art.2º A Câmara tem funções legislativas, atribuições para fiscalizar os atos do Poder Executivo, propor medidas de interesse da coletividade, além da competência para disciplinar e dispor sobre a organização de seus serviços internos.

I - A função de fiscalização e de controle é de caráter político-administrativo e se exerce sobre os atos do prefeito, de seus auxiliares diretos, dos Vereadores e da Mesa Diretora da Câmara;

II - A função administrativa é restrita à sua organização interna, à regulamentação de seu funcionamento e à estrutura e direção de seus serviços auxiliares;

III - A Câmara exercerá suas funções, com independência e harmonia, em relação ao Executivo, deliberando sobre as matérias de sua competência, na forma da Lei Orgânica do Município.

E a prefeita com sua vice, passados 16 meses de governo, pouco mostram de execuções, que são de sua responsabilidade e acumulam ações incompetentes e lentas, diante de discursos que não convencem mais nem os mais devotos eleitores.

Chega um momento que as pessoas desacreditam, pois nada visualizam de concreto, a não ser os meses que passam, e diremos, inspirada em um jargão criado na campanha da atual prefeita: 16 meses, já deu!



OS TERMOS DA ALIANÇA

PAULO FÁBIO DANTAS NETO

Jornal A Tarde (31.03.2010)

A polêmica em torno da formação da chapa liderada pelo governador Jaques Wagner às eleições de outubro requer distinguir os sentidos políticos de três termos que têm sido usados como se fossem sinônimos: coligação, conciliação e cooptação.

Coligação – como as que se fez, em 1986, para eleger Waldir Pires e, em 2006, o próprio Wagner – é, com frequência, recurso de articulação política pelo qual forças que, isoladamente, são mais fracas podem enfrentar, com êxito, adversários mais fortes. Não se aplica à reeleição do governador, que hoje lidera o campo de forças mais poderoso.

A conciliação (pregada, no século passado, por políticos da Bahia pré-moderna) significa revogar, ou adiar, confronto entre as forças políticas mais relevantes, em prol de algum objetivo que lhes seja comum. Teve êxito com Octávio Mangabeira, na democracia do final dos anos 40 e com ACM, em 1978, sob as regras do regime militar. Também não se aplica ao caso atual, pois as alianças do governo petista não são para evitar confronto, mas para tentar vencê-lo no primeiro turno.

Já a cooptação é um método clássico de elites governantes.

É o uso de recursos e argumentos de poder para se antecipar a adversários, capturando parte dos seus quadros e decapitando as chances de haver uma oposição vigorosa.

Foi este, dentre outros, um método praticado com eficácia pelo ex-senador ACM para assegurar a longevidade do seu poder na Bahia. Curiosamente, dos três termos aqui comentados, este é o que mais se aproxima do que de fato está ocorrendo entre nós, nestes tempos pós-carlistas.

É óbvio que não há identidade de objetivos, ou de estilo, entre o falecido senador e o atual governador. Há objetivos diversos, já que diversas são as forças sociais que expressam.

E os estilos, como se sabe, são opostos. Mas a metodologia atual das alianças muito se parece com a de ontem.

Dir-seaacute; que são rituais da política real, logo, inevitáveis.

Mas quando se fala em mudança política não é para mudar, também, esses rituais? Eles são uma realidade objetiva, é certo, mas o que seria dessa realidade atual se não fosse a ação, no passado, dos atores políticos que a plantaram? E o que será a realidade objetiva de amanhã, senão aquilo que for plantado pelos atores de hoje? A afirmação, como liderança, dos atores do novo campo político governante requer explicitação de um contraste com o que lhe antecedeu, visível principalmente no discurso geral do governo e no seu arco de alianças. Sem isso, ocorre uma continuidade.

Se a cooptação for o principal meio adotado para fazer alianças, a mudança vislumbrada em 2006 será reduzida a uma transição entre o então "carlismo pós-carlista" (de Paulo Souto) e uma outra situação semelhante. Assim, o atual grupo dirigente poderá até destruir o grupo carlista, mas infiltrará a política carlista em seu próprio campo.


PAULO FÁBIO DANTAS NETO é cientista político

quarta-feira, 31 de março de 2010

Desabafo virtual sobre a vida real


Faz algum tempo que não atualizo o blog, mas não o estou fazendo por indisponibilidade de tempo para escrever calmamente como gosto, e pela falta de motivação, pois o cansaço físico esteve muito presente nas últimas semanas.

A pauta cresceu assustadoramente, bem mais rápido do que tenho conseguido escrever. São sugestões externas e de acontecimentos recentes que presenciei no cotidiano da educação ou ainda que fico sabendo aqui e acolá. No entanto, esse retorno passa por um desabafo inicial que será aqui externado e logo sufocado pelas pautas que virão, rapidamente, em seguida. É sem próposito de alcance, pois não sei muito bem quem acessa, por que acessa, como chegou até aqui. Poucas são as pessoas que comentam, que concordam ou discordam, enfim, que debatem. Tem sido mais um espaço - infelizmente - de informes do que de diálogo entre quem escreve e quem lê.
____________

Algo vem a muito, mas muito tempo me incomodando: a limitação em relação às práticas políticas, especialmente as limitações em relação à representatividade. Vira-e-mexe, surge uma alma a me perguntar se serei candidata a isso, candidata a aquilo, candidata agora, candidata não sei quando. E a pergunta inicial é sempre a mesma: novidades? Seguida da terrível: vai continuar sendo candidata? Ah, se soubessem como aquilo me agonia, porque eu não sei, e nem me importo com isso antes do tempo das convenções, porque limita a atuação política e acomete sobre um erro comum, mas que não deve ser naturalizado: o foco em votos! E é tão difícil para essas pessoas compreenderem que a causa em si é o que importa, não os benefícios particulares que terei. E, de fato, acreditem ou não, é o que menos me importa.

Depois da pergunta fatal, fico abatida por alguns segundos, então preciso respirar para retomar as forças e argumentar, dialogando, que a política é muito mais do que eleições e de que absolutamente não é preciso ser representante para ser político. Entendo que represento algum tipo de liderança, porque não me acomodo e isso é um diferencial, mas limitar-me a eleições está me matando, até porque entendo, acima de tudo, o ser humano como um ser político (porém nem sempre politizado).

Essa repetição tem me atormentado, porque ter sido candidata me tirou um pouco da liberdade; e ser uma pessoa politicamente consciente parece obrigar a ser candidata, o que é um equívoco!

Por favor, que parem os olhares desconfiados sobre as ação, até mesmo de pessoas relativamente próximas. Que parem as afirmações irresponsáveis sobre candiadturas ou pré-candidaturas. Que parem de cercear a minha liberdade política, apenas porque sou partidária. Isso não me torna alienada, obsecada, sem noção.

Ah, como eu queria aquela liberdade política de volta, dos tempos de militância estudantil...
Mas como não posso tê-la por tão cedo, continuo a respirar fundo e responder enfaticamente a qualquer pessoa que me questione. Posso até esmoecer, às vezes, mas desistir jamais!


Paula Vielmo

quinta-feira, 18 de março de 2010

Mais uma vítima do transporte coletivo ilegal...


Pedro José Leite,

Para os compas que não conhecem esse nome, eu explico: esse é o nome da mais recente vítima da empresa de transporte coletivo VCB, empresa esta que pertence ao senhor José Maria, o mesmo que sempre desrespeitou a lei estudantil de meia-passagem!

No dia 07/03/10, domingo, por volta das 17:00, na pista de baixo, ao lado da Br 020, próximo à panificadora Lusitana, o motorista Pedro José Leite sofreu um sério acidente ocasionado por conta da irresponsabilidade de um outro motorista, funcionário da empresa VCB, tais acidentes provocados pela VCB não são raros, pois a maioria dos funcionários seguem a filosofia do patrão, José Maria, e como a empresa deste sempre permanece impune, acostumada a burlar as leis, como é o fato de funcionar sem licitação, esses acidentes viraram rotina.

Pedro José Leite vinha dirigindo a 40k/h quando o onibus da ATCB veio na contramão e colidiu com o carro dele - o funcionário de Zé Maria provavelmente estava com pressa para ganhar dinheiro.

O acidente não lhe tirou a vida por pouco, pois o carro ficou completamente destroçado, não servindo mais para nada a não ser ferrovelho. O motorista, Pedro, que estava dirigindo com prudência foi seriamente ferido e encontra-se hospitalizado no HO, enquanto o motorista irresponsável está à solta amparado na filosofia de Zé Maria.

Saudações cidadãs e indignadas!

Alexandre Leite

segunda-feira, 15 de março de 2010

Recomeça um levante em Barreiras!

A semana de 8 a 13 de março foi bastante movimentada, como a tempos não se via ou como a tempos eu não vivia.


SEGUNDA-FEIRA, 8 DE MARÇO


A semana começou com a Caminhada do Dia Internacional da Mulher (08 de março), no qual o PSOL participou e politizou o espaço até então apenas comemorativo. Foi uma adrenalina enorme providenciar o material (cartazes e panfletos) em tempo e garantir a presença de parte da militância às 16h, em pleno horário de expediente.

A caminhada usou de maneira lamentável as crianças do PETI e a juventude do PRÓ-JOVEM para dar volume à mesma, que não tinha caráter de contestação, reflexão ou denúncia sobre a superação do machismo e a luta das mulheres por igualdade, autonomia e direitos, apesar de algumas intervenções nesse sentido, além de tentar internalizar cada vez mais a cor rosa como representativa das mulheres, contradizendo a data, que representa a luta das mulheres, mas uma luta feminista, cuja cor é o lilás.


QUARTA-FEIRA, 10 DE MARÇO
Saindo do trabalho e indo almoçar, me deparei com um manifesto de rua em frente a Prefeitura Municipal, organizado e protagonizado por estudantes e professores/as do campus avançado da UFBA em Barreiras. A reivindicação: acesso ao campus da Prainha, que estava impossibilitado devido às chuvas que tornaram a estrada em lama pura e a ponte que "balança mas não caí", não se sabe até quando.

Na manifestação - pelo que soube - não planejada antecipadamente, mas dirigida pela extrapolação da revolta com o descaso da administração municipal, provocou um grande impacto naquele dia. O trânsito estava bloqueado e a polícia chegou para desbloquear. Os/as manifestantes não saíram e o confronto foi direto. Os policiais presentes agrediram estudantes e prenderam um professor. Isso tudo enquanto uma comissão conversava no gabinete da prefeita, sem a presença dela e com a equipe sem autonomia que ela dirige.

Corre-corre e resistência. Grande resistência protagonizada sobretudo pela juventude ousada lá presente. O professor no carro, num calor insuportável, desmaiou. E mais uma vez vi a soberania descabida que um mandato popular tem sobre o povo.

E eu também estava lá, no sol quente como tantos/as, torrando no meu horário de almoço, reforçando os gritos de ordem e empolgada pela ação ufbaniana.

A manifestação legítima teve impacto porque foi no centro e parou o trânsito. E foi necessário parar, porque se as pessoas não são prejudicadas um pouco no seu individualismo, não percebem. Estamos numa sociedade que "se não é comigo, não é da minha conta". A causa levantada pela UFBA de acesso é de todo povo de Barreiras, antiga inclusive, mas que só agora torná-se visivel: pela implantação do campus e pela mobilização da comunidade acadêmica ufbaniana.

No entanto, a ação da polícia, foi extremamente truculenta! A polícia estava desnorteada, justamente porque não tem formação para dialogar com os movimentos sociais ou reivindicatórios. A formação da polícia é justamente para fazer o que fez: reprimir! Não é a toa que é chamada de "Aparelho de Repressão do Estado". O que me deixa triste é o fato de que a polícia, é mais do que aparelho de repressão, ela é classe trabalhadora e também é oprimida e foi duro ver oprimidos agredindo oprimidos. Não estou defendendo a ação truculenta da polícia, mas refletindo sobre a função dela e entendendo que é composta por seres humanos que estão do mesmo lado que nós. Foi revoltante ver o professor até então desconhecido e recém-chegada a Barreiras ser jogado, com o doutorado e tudo dentro do camburão. E naquele instante não importava ser Doutor, o que estava em questão era que ele fazia parte de quem causava a desordem e ameaçava a "autoridade" da polícia enquanto instituição repressora.

Fiquei muito emocionada com aquela manifestação, com o impacto que causou. Acredito que ela venha se somar a todas as que já existiram antes (e sim, povo passivo de Barreiras, já existiram outras) e de maneira lenta, sacudir a estrutura e cultura do nosso povo, permitindo que tais manifestos se tornem algo mais frequente que as conversas de gabinete e que a cultura do medo que impera por estas bandas seja aos poucos destruída e substituída pela cultura da organização popular.


QUINTA-FEIRA, 11 DE MARÇO
Depois de muitos, muitos anos e algumas tentativas frustradas por parte da direção e do governo, finalmente há movimentação de estudantes do Colégio Estadual Antônio Geraldo (CEAG) para a organização de um Grêmio Estudantil e parece que agora vai sair.

Na quinta, estive com mais alguns compas orientando a galera sobre essa entidade estudantil e como fazer para criar o Grêmio. Foi uma papo muito proveitoso e gostei muitíssimo da galera, maioria, meninas.

E completando o dia de sorte: diálogos para a formação do Diretório Acadêmico de uma instituição privada, que não contava com a insatisfação e organização de seus acadêmicos/as. Algumas coisas mudaram em Barreiras e muito mais está por vir.


SÁBADO, 13 DE MARÇO
Terminando a semana movimentada, teve a fundação do Sindicato dos Bancários do Oeste da Bahia, que finalmente desligou-se do sindicato de Salvador e agora está mais autônomo para se organizar. Ainda não sei detalhes do evento porque não pude ir, mas a tarefa era difícil, haja vista a oposição do sindicato centralizador.
OBSERVAÇÃO PÓS-ESCRITA: não houve a fundação do sindicato, em breve mais notícias.

Sinto mais uma vez o cheiro de mudanças no ar, de organização popular...e adoro isso!

Paula Vielmo

sábado, 13 de março de 2010

O machismo fala mais alto?


Nota de solidariedade à procuradora Norma Cavalcante
Publicado em 11/03/2010


A equipe do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher - NEIM/UFBA vem a público solidarizar- se com a Dra. Norma Angélica Cavalcante, vítima, em pleno século 21 das práticas machistas e patriarcais que, infelizmente, ainda prevalecem no Estado Brasileiro.


Contrariando todas as regras democráticas vigentes, o Sr. Jaques Wagner, excelentíssimo governador da Bahia, quebra a tradição de indicação do mais votado em uma lista tríplice ao preterir a Dra. Norma Angélica Cavalcante para o cargo de Procuradora Geral de Justiça do Estado, sem motivos outros que não uma visão patriarcal e excludente. Aliás, vale ressaltar que o excelentíssimo Governador vem, desde sua posse, demonstrando total insensibilidade para com as demandas do movimento de mulheres. Isto ficou explícito quando da não criação da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres, apesar de constar essa iniciativa do seu plano de governo quando candidato; do abandono em que vivem as Delegacias de Atendimento Especial para as Mulheres e a Casa Abrigo; dos escassos recursos destinados pelo estado às políticas públicas para as mulheres, nas quais as poucas existentes são implementadas sempre graças aos recursos federais.

Solidarizamo- nos também, através da Dra. Norma Angélica, com todas aquelas mulheres que, apesar de sua competência, capacidade intelectual e dedicação, não têm reconhecidos os seus méritos apenas pelo fato de terem nascido mulheres em uma sociedade atrasada, violenta e excludente.

Márcia Macedo
Coordenadora do NEIM/UFBA
Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher


*********************************************************

A Dra. Norma Angélica Cavalcante é integrante do MP desde 1992, foi coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Justiça Criminal e atualmente coordena o Núcleo de Combate às Consequencias Economicas da Atividade Delitosa. Ja foi presidente da Associação do Ministério Público do Estado e é vice-presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Publico (Conamp)

terça-feira, 2 de março de 2010

Educação Municipal: é tempo de aprender...a planejar! (parte 2)

SELEÇÃO PARA A EDUCAÇÃO MUNICIPAL

Rapidamente lançaram um "edital simplificado" para "suprir as necessidades do quadro de Pessoal da Secretaria Municipal de Educação, bem como, para compor o quadro de reserva, em conformidade com o Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta, Nº 64/2009, assinado em 29 de Abril de 2009", termo que, ao que indica, foi exigência do Ministério Público.

Notem a data: 29 de abril de 2009, porém, mais uma vez a desorganização tomou conta e apenas no dia 25 de janeiro de 2010 saiu o edital que garantia quatro dias de inscrição e no mesmo dia saiu a Portaria Gab Nº 019/2010 que nomeou "os membros da Comissão de Organização do Processo Seletivo da Secretaria Municipal de Educação 001/2010", não sob coordenação da Secretária de Educação, o que consideraria mais legítimo, mas de Izôlda (não sei qual cargo ocupa no governo "Cidade Mãe").

Essa seleção contou com "análise curricular, entrevista do candidato e checagem de documentação". A banca que examinou os currículos não sei informar se foi a comissão organizadora, porém as entrevistas, pelos inúmeros relatos que recebi, foi um fiasco. As perguntas eram complexas, envolviam análise conjuntural da educação e proposição de soluções. Não tinha critérios para avaliação e passava apenas pelo crivo de quem estava entrevistando, que segundo me disseram, anotava algumas "palavras-chaves" dos discursos. Obviamente identificando quem poderia ser, ali, um elemento subversivo.
Para terminar, o resultado que deveria ter saído no dia 10 de fevereiro saiu no final de semana antes do início das aulas, na maior correria.

Resumidamente, para mim essa seleção foi uma maquiagem para disfarçar as imperfeições de tudo que já estava definido. A maioria das pessoas selecionadas foram as que estavam trabalhando ano passado (2009) por indicação de vereadores/as; soube que pessoas aprovadas sequer foram fazer as entrevistas e conheço gente aprovada que não tem formação/qualificação para atuar.

E vamos rumo a uma educação pública e de qualidade...!

Paula Vielmo

segunda-feira, 1 de março de 2010

Educação Municipal: é tempo de aprender...a planejar! (parte 1)


Instigada pelo comentário e a saudação revolucionária de um/a anônimo/a, escrevo. Escrevo também por causa da excelente sugestão, dando continuidade às reflexões e denúncias referentes a nossa educação municipal.


A DESORGANIZAÇÃO DO INÍCIO DO ANO LETIVO EM BARREIRAS

A desorganização do início do ano letivo é algo, infelizmente, esperado no segmento educacional. E percebi isso em pouco mais de um ano que estou "dentro" da rede municipal. Uma premissa básica da Pedagogia - o planejamento - é desconhecida pela administração e só está presente nos discursos que são rapidamente desfeitos diante da realidade.

As aulas começaram com escolas a serem reformadas - isso porque o início das aulas atrasou e uma das justificativas foi as reformas das escolas. E essas reformas não devem ser para breve, pois na edição 1003 do Diário Oficial do Município, de 24/02, consta a divulgação do pregão presencial 005/2010 para "aquisição parcelada de material de construção a serem utilizados na manutenção e construção das scolas da rede municipal deste município" lançado no dia 22 de fevereiro, quando começaram as aulas no município.

Além dessa balela de reforma, ainda temos a desorganização para a contratação de professoras/es e outros profissionais, a falta de livros nas escolas, a não entrega dos Diários de Classe (ano passado chegou no meio do ano) e a falta do Calendário Letivo 2010. Sim, absurdamente nós "planejamos" sem um calendário, ou seja, de olhos vendados.

E para completar o quadro de caos, muitos cursos da Plataforma Freire iniciaram juntamente com as aulas do município, ocasionando aulas vagas ou sobrecarga de trabalho para alguns logo no ínicio do ano letivo. As crianças são as maiores prejudicadas com essa educação meramente técnica, irresponsável e sem intencionalidade. Sabemos que o início do ano letivo é muito importante para a interação da turma e o diagnóstico a ser feito pela/o professor/a, objetivando um trabalho que beneficie as crianças e seu pleno desenvolvimento.

A secretária de educação disse que não tiveram tempo para contratar substitutos para os/as docentes que estão fazendo cursos da Plataforma Freire. Para mim, pura falta de organização, haja vista que era algo previsível. E ainda a seleção para esses cursos não seguiram os critérios definidos pelo MEC: não ter graduação em licenciatura ou não ter formação específica na área que atua. Tem muita gente que está fazendo os cursos e não se enquadra em nenhum dos dois critérios.

Paula Vielmo
(leia a parte 2)