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quarta-feira, 27 de junho de 2012

AULA DE DESEDUCAÇÃO

Por Jaciara Santos – Jornalista
Fonte: Portal de notícias À Queima Roupa



A quem o governo do estado pretende enganar com o anúncio de que vai patrocinar aulas de reforço para estudantes de 3º ano do ensino médio voltadas para o Enem e vestibular? Porque, por mais nobres que sejam os objetivos, não há como se desfazer a impressão de que tudo não passa de uma manobra para enfraquecer a greve dos professores, já se avizinhando do 70º dia. Pode até não ser, mas a estratégia lembra um pouco aquelas táticas extraídas de um manual de guerrilhas e que têm como única finalidade desgastar e desmoralizar as forças inimigas.

Na mídia convencional, a notícia vem dando margem a inúmeras (e as mais convenientes possíveis) interpretações. Anuncia-se que “os estudantes do 3º ano do ensino médio terão aula mesmo com a greve dos professores da rede estadual”. Tem mais: boazinha que nem ela, a Secretaria de Educação do Estado da Bahia está preparando “um pacote de medidas” para evitar maiores prejuízos aos alunos.

Bom, não? E a ideia é que todos nós (eu disse todos nós?) possamos nos convencer do quanto o governo do estado é responsável, consciencioso e comprometido com a Educação. Deixar que os meninos fiquem fora do Enem e do vestibular 2013? De jeito nenhum: aulas complementares e de reforço neles!

Mas tem um porém. Nem todo estudante poderá cursar a faculdade ano que vem sem concluir o ensino médio agora em 2012. Ah, mas ele pode entrar pela porta do Enem, não é? Nem sempre. Algumas instituições de ensino superior ainda condicionam o ingresso do aluno à aprovação no vestibular e exigem o certificado de conclusão do antigo segundo grau. E aí?

Aí, apela-se para o tudo ou nada. Com bala$ na agulha, o governo aposta na força da comunicação para vencer a guerra. Aparentemente cooptados, representantes de movimentos sociais lançam apelos emocionais: negros estão sendo prejudicados pela greve e terão seu futuro irreversivelmente comprometido. Quanta hipocrisia! Como se apenas e tão somente houvesse estudantes negros nas escolas em greve.

Por uma questão de coerência, seria prudente lembrar que há radicalismos de ambos os lados. O endurecimento começou quando o governo se recusou a abrir as contas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), única forma de mostrar à sociedade se tem ou não condições de atender ao pleito salarial dos professores. O que há de tão tenebroso nessa contabilidade que o Estado precisa manter escondido? Melhor – ou menos indecente – imaginar que se trata apenas de uma tomada de posição, uma birra…

Por seu turno, os professores também demonstram inflexibilidade. E, a bem da verdade, a categoria perdeu o timming do ponto de retorno. Voltar agora, sem uma única conquista, seria jogar uma pá de cal sobre as bandeiras já conquistadas em 60 anos de história.

Enquanto nada se resolve, o governo lança seus torpedos. Do corte de salários ao anúncio de reforço de aulas para terceiranistas vale tudo. E o governo federal, através do Ministério da Educação faz cara de paisagem. Ministro Mercadante

E o governo federal, através do Ministério da Educação, faz cara de paisagem. O mesmo ministro que, no sul do país, diz defender o piso do professor não move uma palha para mediar a situação em Salvador e que tem como motivação primária a questão salarial. Será que se a Bahia fosse governada por um partido de oposição, o poder central não já teria se manifestado?

Estranho também o silêncio das forças vivas que compõem a sociedade civil. O que pensa a Ordem dos Advogados do Brasil sobre o assunto? E as demais entidades, sempre tão ágeis em se manifestar em situações de menor relevância?

terça-feira, 22 de maio de 2012

Greve das Universidades Federais: eu apoio!

Por Paula Vielmo

Desde o dia 17 de maio de 2012 que as Universidades Federais cujas representações sindicais estão atreladas à ANDES-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) deflagraram GREVE. Já são 43 seções sindicais de 39 instituições federais de ensino com as atividades suspensas por tempo indeterminado. Das três Universidades Federais da Bahia, aderiram ao movimento a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e a Universidade do Vale do São Francisco. A UFBA não participa do movimento grevista.

De acordo com informações retiradas do site da ANDES-SN, as reivindicações são históricas e giram em torno das condições de trabalho e salarial, precarizadas nos últimos anos e com as políticas de expansão do (des)governo federal.

"Tendo como referência a pauta da Campanha 2012 dos professores federais, aprovada no 31º Congresso do Sindicato Nacional e já protocolada junto aos órgãos do governo desde fevereiro, os docentes reivindicam a reestruturação da carreira - prevista no Acordo firmado em 2011 e descumprido pelo governo federal.

A categoria pleiteia carreira única, com 13 níveis remuneratórios e variação de 5% entre estes níveis, a partir do piso para regime de 20 horas correspondente ao salário mínimo do Dieese (atualmente calculado em R$ 2.329,35), incorporação das gratificações e percentuais de acréscimo relativos à titulação e ao regime de trabalho.

Os professores também querem a valorização e melhoria das condições de trabalho dos docentes nas Universidades e Institutos Federais e atendimento das reivindicações específicas de cada instituição, a partir das pautas de elaboradas localmente.

Vale lembrar que estas são reivindicações históricas da categoria docente e que a reestruturação da carreira vem sendo discutida desde o segundo semestre de 2010, sem registrar avanços efetivos.

O acordo emergencial firmado entre o Sindicato Nacional e o governo no ano passado, estipulava o prazo de 31 de março para a conclusão dos trabalhos do grupo constituído entre as partes e demais entidades do setor da educação para a reestruturação da carreira.

Por diversas vezes, o ANDES-SN cobrou do governo uma mudança na postura e tratamento dado aos docentes, exigindo agilidade no calendário de negociação, o que não ocorreu. A precariedade nas Instituições Federais, em diversas partes do país, principalmente nos campi criados com a expansão via Reuni, também vem sendo há tempos denunciada pelo Sindicato Nacional." (grifos meus)


Em um cenário nacional de sucateamento aprofundado do Ensino Superior Público, cabe de maneira direta ao professorado e estudantes lutarem pela causa da Educação. Sabemos que deveria ser uma "bandeira" universal e unitária, mas não o é. Então, não deixemos que o direito se transforme em privilégio e que os tubarões do ensino privado recebam dos cofres públicos o que deve ser investido nas Instituições Públicas, garantindo uma Educação Pública, Gratuita e de Qualidade!

TODO APOIO A GREVE D@S DOCENTES DO ENSINO SUPERIOR! FORÇA!!!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Educação em greve, de novo!

Por Paula Vielmo¹

No dia 01 de agosto de 2011, ou seja, há 30 dias atrás, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia entrou em greve. Todos os 12 campi estão paralisados e apenas o Campus de Salvador funciona parcialmente. No entanto, além da Bahia, existem outros 20 Estados e 211 campi paralisados.

A greve ocorre em uma conjuntura de ataques constantes e frontais a educação brasileira, com o corte de mais de 3,5 bilhões de reais na educação e um Governo de origem dita trabalhadora, que se recusa sistematicamente a negociar com o sindicato da categoria (SINASEFE).

ESTAMOS EM GREVE!

Os servidores dos Institutos Federais - professores/as e técnicos - estão em greve, cuja pauta de reivindicação é vasta nos seus 11 pontos, dos quais destaco diversos Projetos de Leis que tramitam na Câmara Federal e visam retirar direitos dos/as servidores/as federais, a exemplo do congelamento de salários por 10 anos (PL 549/2009) e fim da instabilidade com demissão (PLP 248/98), além de 10% do PIB para a educação, reajuste salárial emergencial de 14,67% e reestruturação das carreiras.

Obstante isso, o título desse artigo é uma referência à maneira como muitas pessoas recebem o fato de ESTARMOS EM GREVE. É "mais uma greve", dizem muitas pessoas, na sua vã ignorância em relação a conjuntura brasileira. Não é mais uma greve, é uma forma legítima de resistir ao sucateamento da educação pública federal e do/a servidor/a federal, uma vez que a ideia de que servidor ganha bem não se aplica a carreira da educação (como nas esferas municipais e estaduais).

Inicialmente, a greve no serviço público gera muita revolta por parte de quem recebe esse serviço e por quem não o recebe e valoriza as privatizações, haja vista as afirmações não verdadeiras de que "servidor/a público" recebe muito bem.

Num país de miseráveis, onde o salário mínimo é de R$545,00 quando deveria ser de cerca de R$2.000,00 (DIEESE), receber acima do mínimo é um privilégio que não deve ser aceito, uma vez que não queremos dividir a miséria, mas sim a riqueza. Assim, trago a reflexão do Profº Gerson Argolo de que é um mito popular o fato de que servidor público ganha muito bem. E servidor/a da educação, como toda educação do país, não recebe muito bem, é o restante de toda a população que recebe muito baixo.

"VAMOS AMIGO LUTE, SENÃO VOCÊ ACABA PERDENDO O QUE JÁ CONQUISTOU"

Apesar de toda a legitimidade da luta por pagamento digno, a pauta é muito maior, mas qualquer um dos pontos tem sido tratado pelo Governo Federal da mesma maneira: com indiferença!

E a indiferença dos Governos, sentida por todo/a trabalhador/a da educação que entra em greve é repetida por muitas pessoas, que discursam sobre a importância fundamental da educação para a transformação e avanço do país, mas não conseguem sustentar com suas práticas, pois são contrárias a toda e qualquer forma de manifestação - ainda mais se for GREVE!

Tenho convicção, desde os tempos de faculdade que é por causa das greves que a educação ainda é pública e gratuita. Se não fossem elas - as greves - já seria educação totalmente paga. Se não fossem as greves, acreditem, teríamos somente terceirizados/as, menos recursos e muitas coisas menos em direção à educação de qualidade desejada.

Avalio que vivemos um tempo de embates e confrontos gigantescos para MANTER o que se conquistou. Não vivemos um momentos de avanços, pois hoje, como o trecho da música de Edson Gomes "vamos amigo lute, senão você acaba perdendo o que conquistou", tamanhos os ataques que o/a servidor/a público tem sofrido ao longo das últimas décadas.

A GREVE ATRASA A VIDA ESCOLAR DO/A ESTUDANTE

Todo início de greve na educação vem seguido de uma afirmação de que os maiores prejudicados são os estudantes, que atrasam seus estudos, dentre outras complicações na vida escolar. Isso é verdade, mas a culpa é de quem? Falta clareza por parte de quem faz tais acusações de que o verdadeiro responsável por essa situação é o Governo.

Para quem desconhece, greve não é feita como primeira alternativa, mas sim, como última alternativa! A greve surge de um processo em que os Governos não querem negociar ou não atendem as negociações. No caso da greve dos Institutos Federais, deflagrou-se porque o Governo não negocia e depois de um mês ainda se recusa a sentar para discutir ou o faz através de um Ministério sem autonomia e muito desrespeito, conforme afirmação de Fernando Haddad, Ministro da Educação de que "não teve tempo de estudar a pauta de reivindicações".

Concluindo, trago a afirmação atual do Professor Gumercindo Milhomem (APEOESP) citado por Paulo Freire em "Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar":

[...]As famílias acusavam os professores de prejudicar seus filhos, descumprindo o seu dever de ensinar, a que Gumercindo respondeu que havia um equívoco na acusação. Professoras e professores em greve, dizia ele, estavam ensinando, estavam dando a seus alunos, pelo seu testemunho de luta, lições de democracia.

O que atrasa a vida escolar, a vida acadêmica e a vida profissional é o descaso dos Governos ao ignorar as greves como se nada de mais fossem, quando se constituem em instrumento de luta.

Para finalizar, retomo as palavras de uma senhora na rua, proferidas contra o Profº Jefferson Costa durante passeata no dia 08 de agosto: "vai trabalhar, professor", e digo, para quem ignorantemente afirma que "não se trabalha" em greve, através das lúcidas palavras de Celia F.S.Linhares (1992):

[...]Nos movimentos de rua que concentram trabalhadores em reivindicação, é comum ouvir-se afirmações como: "vão trabalhar, vagabundos!". Isso significa que o esforço político não é considerado um trabalho.

Assim, mobilização, discussão e greve, constitui trabalho, mesmo não sendo produção material. Por fim, para quem vocifera "greve de novo!", ela será necessária enquanto durar o tratamento injusto com o/a trabalhador/a. E até o momento, a greve é necessária.


¹Pedagoga do IFBA/Campus Barreiras

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Agenda de mobilização da greve federal em Barreiras

As atividades deliberadas pela última assembleia geral do IFBA/ Campus Barreiras são as seguintes:


31/08 - "A Educação Federal vai às ruas": panfletagem na Praça Castro Alves às 17h00

01/09 - Aula Pública sobre SINDICALISMO NO BRASIL a ser ministrada pela Profª Erika Soares (Socióloga - IFBA) às 19h no Auditório do IFBA

02/09 - Assembleia Geral às 9h no Auditório do IFBA

domingo, 28 de agosto de 2011

Servidores/as dos Institutos Federais em Greve



Por Paula Vielmo

Estamos no 28º dia de greve no serviço público federal, com mais de 200 campi de Institutos Federais paralisados e eu sequer passei para escrever sobre as movimentações, haja vista que ingressei no IFBA/ Campus Barreiras no mesmo dia que iniciou a greve.

Desculpem, pessoas que entram para ler este blog. É extremamente chato entrar e não ver atualizações. Sei disso, mas a correria e o tal do facebook tem limitado minha vida de blogueira.

No entanto, estou escrevendo um texto sobre a conjuntura da greve, mas enquanto isso, deixo alguns links para irem se familiarizando com o assunto:



BOLETINS DA GREVE




Boa leitura!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Quando a educação transforma-se em mercadoria e perde o seu valor: carta aberta ao Sr. Jaques Wagner governador da Bahia

Por *Prof. Dr. Reginaldo de Souza Silva


Prezado Senhor Governador Jaques Wagner,

No dia do lançamento do Pacto Pela Educação na Bahia, véspera do Dia do Trabalhador e Dia das Mães, recebemos de V. sa., intempestivamente, o corte de nossos salários, mesmo tendo cumprido todas as exigências legais. Com menos de 22 dias em greve em luta por melhores condições de trabalho, permanência estudantil e garantia da autonomia universitária, recebemos um “presente de grego” pelo também Dia Mundial da Educação. A democracia e o diálogo, outrora bandeira de luta do Partido dos Trabalhadores, foram substituídos pela ameaça explícita à aqueles que resolveram protestar publicamente contra os desmandos de Vossa administração.
Gostaríamos de lembrar a V.sa, que há muito tempo não comparece a uma escola ou a uma universidade pública, que nós professores temos como missão educar. Isso significa permitir às novas gerações o acesso a diversos aspectos da vida humana às quais elas não “veriam” se não estivessem nessas instituições de ensino. Portanto, educar é ensinar a “ver”, é desenvolver habilidades, é, principalmente, despertar sensibilidades, pois, segundo Rubens Alves, sem elas “[...] todas as habilidades são tolas e sem sentido, pois os conhecimentos nos dão os meios para viver e a sabedoria nos dá razões para viver.” E esse tem sido o nosso papel.


Entrando em greve não paramos de cumprir com a nossa missão, pois estamos, assim, despertando em nossos alunos, e em toda a população baiana e brasileira, a sensibilidade para “ver” e não mais se conformar com o caos político implantado na Bahia.


Para tanto, a palavra tem sido o nosso mais significativo instrumento. Diuturnamente nós, professoras e professores deste imenso Estado da Bahia, estaremos, pela palavra, lembrando a todos que o Estado com o maior número de pessoas em extrema pobreza é a Bahia com 2,4 milhões; que sua taxa de homicídios é de 36 por 100 mil habitantes (enquanto a ONU estabelece como suportável para grandes cidades 12 por 100 mil); que mais de 12% do total de analfabetos do Brasil (14,1 milhões) está na Bahia: que 1,8 milhão de baianos com 15 anos ou mais (16,7% desta população) não sabem ler e escrever. Estaremos também, caro Governador, alardeando as ações tomadas por V.sa, através de suas diversas secretarias, que têm contribuído para continuar o sucateamento da educação.


Não bastassem esses problemas, lembraremos a todos os índices vergonhosos do IDEB, o número de evasão e de reprovação, os números ainda baixos de matriculados na educação básica (médio) e superior e a falta de ações e condições para permanência e sucesso dos estudantes; os baixos salários e o desrespeito aos servidores públicos, inclusive os da educação; o abandono e as ingerências nas áreas de Segurança e de Saúde e o desrespeito ao principio constitucional federal e estadual de Autonomia das Universidades Estaduais.


Senhor Jaques Wagner, informar de forma mentirosa um aumento de 87,6% no orçamento das universidades estaduais (Uneb, Uefs, Uesc e Uesb), de R$ 386,8 milhões em 2006, para R$ 725,6 milhões em 2011, quando deveria ser utilizado o ano de 2007 para comparação, omitindo a precariedade relacionada ao número de alunos, cursos, docentes, estrutura física, interiorização etc. das universidades estaduais da Bahia, não nos calará e não enganará a uma população que pode enxergar.


Nós, professores, não nos silenciaremos porque nos tirou os salários. E, em nossas salas de aulas, pela palavra, continuaremos a nossa missão de sensibilizar, pois, professores, alunos e funcionários, não podem e não devem ser tratados como mercadoria, a qual se compra a mais barata ou de menor qualidade; não somos moedas de troca, muito menos franquias e não podemos ser adquiridos em “lotes”.


Senhor governador, “Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais…” (Rubem Alves). Mas os governos passam… e a educação, que não é mercadoria, ultrapassa o tempo de mandato dos gestores públicos.

*Reginaldo de Souza Silva – Doutor em Educação Brasileira, professor do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da UESB. Email: reginaldoprof@yahoo.com.br

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Queima de Judas simboliza repúdio à traição do Governo Wagner com a Educação

Antes do início da assembleia, houve um ato simbólico da queima de Judas em referência à traição do Governador com as demandas da Educação. Leia abaixo o testamento de Judas elaborado por dois diretores da ADUNEB.




A essa Bahia, tão triste e dessemelhante, deixarei a marca da minha governança, em tudo igualzinha à da “maldita herança”.

A política dos privilégios não poderia abandonar, segui a trilha certinha para nas escolhas não errar: não importa competência nem mérito para dos cargos se apossar, basta a estrela vermelha no peito ostentar.

O serviço público também deixarei ao “Deus Dárá”, com a Educação, Saúde, Habitação e Segurança, os baianos terão que se virar, pois o meu gordo cofrinho não mais proverá.

Para você que está ouvindo, se quiser da Bahia desertar se prepare e coce os bolsos, pois muito pedágio há que pagar. Querendo apenas passear para as mazelas encontrar, dê seu dinheiro à via Bahia para o capital concentrar.

As construções na Bahia têm um destino certo, segui os procedimentos de antes: nas licitações ganham apenas a OAS e ODEBRECH.

Aos professores deixo o meu desprezo e meu legado de maldades, pois quem o povo quer formar só pode viver de disparates. Deixo também uma pequena cuia para vocês pedirem esmola, e essas famintas universidades para seus tetos e paredes sobre vocês caírem, e do meu palácio com minha estrela eu me deleito sorrindo.

Aos movimentos sindicalistas deixo a lembrança dos tempos que militei, pois se um dia, aquilo fiz, foi para hoje mandar como rei.

De todos agora me despeço e sei que não serei esquecido, pois deixo todos vocês mais duros que defuntos e como relentos e oprimidos.


(Autores: Professora Maria do Socorro e Professor Hilder Magalhães)


Fonte: ADUNEB



terça-feira, 26 de abril de 2011

UNEB em GREVE!

Reunidos em Assembleia Geral, na manhã de hoje, os professores da UNEB deflagraram GREVE por tempo indeterminado. A partir de amanhã (27 de abril), não haverá aula na UNEB, incluindo os Programas Especiais. Com a participação de 187 professores, apenas 30 votos foram contrários e 19 abstenções. A greve foi motivada, dentre outras reivindicações, pela retirada da cláusula da “mordaça” do acordo de Incorporação da CET (Condições Especiais de Trabalho), que congela os salários dos professores por 4 anos, e pela revogação do Decreto 12.583/2011.

A decisão foi tomada após uma ampla discussão sobre a situação atual de estrangulamento orçamentário das UEBA, retirada de direito dos docentes e arrocho salarial. Na ocasião, os professores avaliaram como uma postura autoritária a interrupção, pelo Governo, das negociações da campanha salarial 2010, quando impôs uma cláusula que tinha o objetivo de engessar o movimento docente. O decreto de contingenciamento também foi avaliado como mais uma política de ingerência do Governo nos assuntos da Universidade.

A radicalização através da greve se faz necessária, uma vez que, todos os recursos foram utilizados na tentativa de sensibilizar o Governo a reabrir as negociações da campanha salarial 2010 e a revogar o Decreto 12.583/2011, bem como não interferir nos processos de promoção, progressão e mudança de regime de trabalho.

Na assembleia, os professores avaliaram que a proposta de mudança na redação da cláusula, apresentada por email no dia 20 de abril pelo Coordenador da CODES (veja aqui), mantém o propósito da redação anterior de congelamento dos salários até o fim da incorporação da CET (veja aqui). No novo texto, o Governo tenta enrolar, mais uma vez, o movimento ao afirmar que o reajuste linear anual não será prejudicado com a incorporação da CET. No entanto, o que o governo não diz é que o reajuste linear é apenas reposição salarial e não significa aumento real, ou seja, os salários continuarão, com a manutenção da cláusula, congelados até 2015.

Greve é com mobilização!
Como encaminhamento, a assembléia instituiu o comando de greve. A primeira ação do movimento grevista na UNEB é a construção e participação, no dia 28 de abril, às 14h, da passeata que ocorrerá do Campo Grande à Praça Municipal em conjunto com os movimentos grevistas das demais Universidades Estaduais. Amanhã, às 10h, haverá reunião do comando de greve para ampliar o calendário de mobilização e tomar as primeiras providências da greve.


Fonte: ADUNEB

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Assembleia Geral dos Docentes da UNEB aprova Indicativo de Greve!



Na manhã de hoje, 13 de abril, os professores da UNEB estiveram reunidos em Assembleia Geral e aprovaram Indicativo de Greve. A decisão foi tomada após uma rica discussão sobre a atual conjuntura das Universidades e do movimento docente baiano. 125 professores assinaram a lista de presença da assembleia. Na ocasião, a categoria deliberou o Indicativo de Greve como uma ação de intensificação das mobilizações na UNEB pela revogação do Decreto 12.583/2011 e a reabertura das negociações da campanha salarial 2010. Foram 75 votos favoráveis, 09 contrários e 08 abstenções.


No dia 26 de abril, terça-feira, haverá uma nova assembleia, às 10h, com local ainda a definir, para avaliar o indicativo de greve e deliberar os rumos do movimento.


A assembleia de hoje definiu, ainda, que no dia 26 de abril haverá paralisação de 24 horas e os portões da UNEB serão fechados, com permissão de entrada apenas para aqueles que forem participar da assembleia. Ainda para o dia 26/04, a assembleia deliberou um ato simbólico da queima de Judas em referencia à traição do Governador com as demandas da Educação. Até o dia 26/04, os departamentos deverão organizar reuniões e discussões com professores, estudantes e técnicos para fortalecer o movimento!


Fonte: ADUNEB

segunda-feira, 28 de março de 2011

Entramos no 12º dia de greve



Por Paula Vielmo


Daqui a pouco entramos no 12º dia de greve ou na terceira semana consecutiva sem a menor perspectiva de retorno ou de avanços nas negociações, que sequer foram estabelecidas.


Desde o início, as inverdades e a desqualificação foram imperantes por parte do governo municipal frente à comissão de negociação de negociação da greve docente e toda a categoria.


O fato da prefeita "não ter tempo" para conversar com os/as grevistas significa que ela não dá a mínima importância para a greve, ainda mais diante dos últimos relatos que recebemos, das coerções que são realizadas com as professoras contratadas. Eu não dúvido de nada, porque quem veio da escola do carlismo, é capaz de coisas inimagináveis.


A greve tem se mantido forte, ainda mais depois das caminhadas de grande sucesso que aconteceram na semana passada, por alguns bairros, deixando claro que a população não acredita na prefeita e nutre por ela um grande sentimento de decepção, diante da inércia do atual governo.


Essa semana, começamos com uma Assembléia Geral às 16h00 no espaço Javan, para definir os rumos da greve e tudo indica que continuará, mesmo depois do pedido à justiça por parte da prefeita Jusmari (PR), de ilegalidade da greve.


Esse caminho que está sendo trilhado, de maneira inovadora não tem volta, pois dentro dele está a tomada de consciência e a organização popular, e as únicas coisas que podemos perder são as correntes que nos prendem.


A luta continua!


terça-feira, 22 de março de 2011

Uma semana de greve

Por Paula Vielmo



Desde o dia 14 que as professoras e professores municipais de Barreiras estão em greve.

Ao contrário do comodismo e da passividade reinante, uma categoria profissional resolveu dar um basta no desrespeito da prefeita em relação aos direitos conquistados e espero que sirva de exemplo para toda a sociedade barreirense, a fim de fazer um verdadeiro LEVANTE popular!

As negociações não avançaram e o diálogo está atravessado pelas distorções que os representantes do Governo vem fazendo, bem como a desqualificação do legítimo movimento grevista.

A ausência de muitas/os colegas é sentida e comentada, mas mesmo com isso a Greve está se mantendo firme e forte, uma surpresa para todas/os e provavelmente também para a prefeita Jusmari que, deveria ter sido mais estratégica e: 1) ter escolhido uma equipe melhor de negociação para representar o governo; 2) receber o sindicato e comissão de professores/as e tentar enrolar, como ela geralmente faz.


De todos esse vários dias, uma coisa em especial não saí da minha memória: o dia em que fomos barradas de entrar na prefeitura, e amanhã fará uma semana. Começa ameaçando, depois proibindo, em seguida prende.

Sei que estou tão, mas tão atarefada que nem estou conseguindo atualizar o blog e as pautas estão se sobrepondo.

Tenho pensando muito sobre algumas questões, mas preciso de tempo e calma para escrever. Nesse momento, caros/as leitores, estou caindo de sono e vou dormir, pois amanhã pela manhã tem atividade da greve e a tarde também, sem contar que os outros compromissos não param devido a greve.

Acessem o blog oficial da greve: http://www.educacaoemluta.blogspot.com/

terça-feira, 15 de março de 2011

Segundo dia de greve

Por Paula Vielmo


Greve não é absolutamente nada, nada simples! E quem sequer pensa que alguém gosta de fazer greve é porque, certamente, nunca fez uma.

No segundo dia de greve, durante a manhã desta terça-feira, houve novamente concentração da categoria em frente a prefeitura, aguardando enquanto a comissão e o sindicato seriam recebidos para a enrolação com a equipe do governo que nada decide: procurador (Jaires Porto), Secretária de Administração (Izôlda) e Secretária de Educação (Maria do Carmo).

Do outro lado da rua, em frente à prefeitura o ambiente estava animador: faixas, bandeira nacional, muitas professoras e professores. Esperando...

Assim que pareceu que iria chover, fomos para o pátio da prefeitura, mas a primeira opção seria ir para debaixo de um toldo que ainda está na avenida. "Ora, vamos para a prefeitura que é nossa?", proposta aceita por todas e todos prontamente.

Assim que entramos naquele prédio PÚBLICO (mas privatizado), altamente cheio de guardas municipais, logo um senhor ameaçou uma professora de que não poderíamos entrar na prefeitura! Vejam só como realmente está privatizada, pois o capacho "acha" (não pensa), que pode impedir que fiquemos sentadinhas dentro da prefeitura. Por mim ficaríamos emitindo sons agradáveis com gritos de ordem, mas enfim... amanhã ele disse que a gente não entra!

Lá de dentro, a comissão de comunicação da qual sou membro imediatamente atualizou o BLOG OFICIAL DA GREVE com a informação da ameça e enquanto a comissão de negociação não saía da reunião, atendemos a imprensa, com várias professoras diferentes dando os depoimentos, mas todas bem sintonizadas. Falamos à Radio Vale, Jornal Novoeste (que postou um vídeo ótimo) e para o site Balcão de Eventos.

A imprensa tem feito uma cobertura da greve, afinal é algo bem raro por aqui, mas nem todos os jornais e sites, na sua "imparcialidade", deixam de, ignorantemente, dentro de uma linha de classe - que não é a classe trabalhadora -, se colocar contra a luta das (os) professoras (es), e temos que ler absurdos de que "ganhamos bem". Quero saber quem faz graduação, pós-graduação, investe em livros, internet, congressos, etc e ganha bem pouco mais de R$1.000,00!?

Além disso, é preciso deixar transparente a informação verdadeira: a luta principal é pelo repasse do FUNDEB, ou seja, pela correção salarial anual do piso dos professores em 21,62%.

Dito isso, voltemos ao relato sobre o dia.

Ao final da manhã, enquanto era feito o repasse à assembléia, debaixo do toldo, protegidas/os da chuva, decidiu-se por "folga" a tarde! Folga? Quem fica a manhã toda argumentando realmente precisa de folga, mas ficar sentada a manhã toda esperando, cansa? Eu não concordo, mas enfim...

Eu não fui ficar de pernas pro ar em plena greve, ainda mais super disposta e empolgada como estou. A tarde fui até a sede do sindicato, onde adiantamos diversos materiais de divulgação em relação a greve e principalmente as notas de esclarecimento que serão veínculadas nos bairros e na TV.

Amanhã a partir das 8h30 novamente estaremos na frente da prefeitura, haja vista que não há sequer reconhecimento da legitimidade da pauta, veja lá negociação. Não sei a programação da tarde, e a noite estaremos na Câmara, participando do "Fórum Regional de Vereadores Socialmente Responsáveis".

Força camaradas, a luta continua!

Ouçamos o comandante Che: Hasta la victoria, siempre!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Notificação da greve docente em Barreiras


Caramba! Fiquei 10 dias sem acesso à internet e sem como atualizar o blog, o que significa que temos trabalho acumulado. Como este blog não é site de notícias, o que vale é a importância dos temas a serem tratados, por isso vamos começar!

Retomo as atividades com o lembrete de que amanhã, dia 14, começa a GREVE DAS/OS PROFESSORAS/ES e segue abaixo o comunicado enviado à prefeita, seguindo os tramites da Lei de Greve (Lei Nº 7.783/89):



Amanhã relato como será o primeiro dia de greve e em breve escreverei sobre o Dia Internacional das Mulheres, comemorado no dia 8 de março, mas que merece um texto mesmo após a data ter passado.