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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Quando a alma chora

Por Paula Vielmo
Pós Conferência Municipal de Transparência e Controle Social


Nesse momento
uma fraqueza me toma
mesmo que lute contra ela.

Tento, tento e
minha vontade é chorar.
Mas as lágrimas não caem.

O coração está partido e as
palavras de Heloísa Helena me veem a mente:
"é melhor ter o coração partido
do que a alma vendida"

Diante de toda a situação de marionete
em que as pessoas estão submetidas
me apego com afinco aos poucos/as
que resistiam.

Muito poucos/as,
mas que resistiam.
E resistimos até o fim.
Acabou?

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

O nascedor - Por Eduardo Galeano



Por que será que o Che
tem esse perigoso costume
de seguir sempre
renascendo?
Quanto mais o insultam,
o manipulam
o tricionam, mais renasce.
Ele é o mais renascedor de todos!
Não será porque o Che
dizia o que pensava,
e fazia o que dizia?
Não será por isso, que segue
sendo tão extraordinário,
num mundo em que
as palavras e os fatos
raramente se encontram,
raramente se saúdam,
porque não se reconhecem?

domingo, 26 de dezembro de 2010

Isso que é uma cantada!


No livro "Dentro da noite veloz", nas palavras do próprio poeta Ferreira Gullar, seu livro mais político, ele, através da poesia engajada utiliza a arte a favor da luta de classes.

Esse livro foi presente para a querida e estimada amiga Rose, mas aproveitei para conhecer um pouco da obra. E, dentre as inúmeras poesias que me chamaram a atenção, quero socializar com vocês essa:


CANTADA

Você é mais bonita que uma bola prateada
de papel de cigarro
Você é mais bonita que uma poça dágua
límpida
num lugar escondido
Você é mais bonita que uma zebra
que um filhote de onça
que um Boeing 707 em pleno ar
Você é mais bonita que um jardim florido
em frente ao mar em Ipanema
Você é mais bonita que uma refinaria da Petrobrás
de noite
mais bonita que Ursula Andress
que o Palácio da Alvorada
mais bonita que a alvorada
que o mar azul-safira
da República Dominicana

Olha,
você é tão bonita quanto o Rio de Janeiro
em maio
e quase tão bonita
quanto a Revolução Cubana


Viva a Revolução, não existe nada mais belo!!!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Os Ninguéns (Eduardo Galeano)


As pulgas sonham com comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico a sorte chova de repente, que chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chove ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
Que não são, embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam supertições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não têm cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.

Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.