Por Paula Vielmo
Aconteceu na última quinta-feira, 08 de setembro, uma "grande" caminhada de indignação contra a violência em Barreiras. Tal evento, organizado pela "Comissão da Paz" fechou a BR 242 por cerca de duas horas e tornou o trânsito mais caótico do que já está. E para surpresa - ou não - a polícia não chegou com a truculência rotineiras frente aos movimentos sociais e foi parceira da ação.
Durante alguns dias, muitas pessoas me perguntaram se eu iria e no dia, muitas outras se eu havia ido. A minha resposta era não, seguida da justificativa que escrevo, também como socialização da minha reflexão frente a esse "movimento".
É fato incontestável que Barreiras tem tido os índices de violência em franco aumento. Os assaltos, roubos, furtos, arrombamentos e assassinatos aumentam, na medida em que o dito "desenvolvimento" também avança. As pessoas que propagam aos quatro cantos do Oeste que somos uma região "em desenvolvimento", são as mesmas que organizaram essa caminhada contra a violência. Para mim existe uma disparidade que necessita ser entendida.
Não vivemos desenvolvimento, mas crescimento, desordenado e desigual, fruto da exploração do grande agronegócio e das instalações duvidosas de muita indústrias nacionais e internacionais. Para existir desenvolvimento deveria haver melhora na qualidade de vida da população e o que está acontecendo é o inverso, vide os números altos de violência.
Outro elemento importante para análise, é que as reivindicações giram em torno de ações paliativas e que buscam tratar a violência nas suas consequências e não causas. Ao meu ver, um erro grosseiro, pois para acabar com algo devemos ir à sua raíz e não ficar na superficialidade, como aconteceu.
A raíz da violência não está em construção de presídios. Cadeia e caixão não são a solução. O que precisamos para acabar com a violência é dar condições dignas, através de efetivas Politicas Públicas, para que as pessoas não se submetam a condição desumana de atacar outro ser humano. Não acredito que existam pessoas que optem por livre e espontânea vontade em assassinar outras pessoas, a se drogas e roubar. Pode até existir, mas não acredito que seja o que motiva a realidade violenta que vivemos.
A violência que foi relatada na caminhada esquece de que o "bandido" é, na maioria das vezes, uma vítima de violência social, pois não possui acesso à educação, saúde, moradia, transporte, trabalho, emprego, cultura, lazer, direitos. Essa pessoa que violenta, é violentada desde antes do seu nascimento com a miséria que assola esse país, esse estado e esse municipio.
É interessante observar o papel da mídia burguesa nesse processo, que com sua ideologia dominante, cercou a caminhada como algo fantástico. Essa mesma mídia, é quem criminaliza e ridiculariza outros movimentos sociais que tem a mesma ação de congestionar o trânsito. No entanto, com sua capacidade de manipulação, coloca uma como positiva e outra como negativa.
A violência cresce juntamente com o crescimento desligado do desenvolvimento da população e não será o fechamento de uma BR, com apoio da imprensa, polícia e comerciantes, como ação figurativa, que trará melhorias.
Com isso, não digo que devemos esperar pela boa vontade dos governantes, sou a favor da luta e das ocupações das ruas para tal, mas defendo que devemos fazer a pressão para atingir a raíz do problema e não discutir na superficialidade apenas para "dar ibope" ou conquistar, através do sofrimento alheio, benefícios para a classe dominante.