quarta-feira, 19 de agosto de 2015

PT de Barreiras: mais do mesmo

Por Paula Vielmo

Na terça-feira, 18/08 pela manhã, ouvi a entrevista do presidente e vice do PT de Barreiras, Siquara e Antônio, respectivamente. Eles estiveram no programa "Ronda da Cidade", com o Jordan Araújo na Rádio Vale, abordando um possível "racha" com o (des)governo de Antônio Henrique (atual PP). Tal decisão teria sido tomada pela Direção Municipal a ser referendada por fórum mais amplo no dia 23/08.

A entrevista foi surpreendente pela tentativa de se desvincilhar da atuação nada boa que os quadros do PT, ocupantes de cargos estão tendo: Paê, vice-prefeito; Adalto Soares, Secretário de Comunicação e Cosme Wilson, Secretário de Educação. Ora, depois de mais de três anos, sem muitas mudanças, argumentar que a razão para o racha seria a falta de atenção dada ao Partido pelo Prefeito Municipal é, no mínimo, ridículo.

A entrevista trouxe aos ouvintes conflitos internos do Partido localmente, o que não é nem um pouco novo. No entanto, avalio que ficou eticamente complicado levar para as ondas do rádio os conflitos que deveriam, pelo bem de qualquer organização, serem debatidos e resolvidos internamente. Não é de bom tom trocar acusações em um espaço que não é o adequado. 

Todo Partido tem um estatuto e um Programa, aos quais os e as filiadas devem seguir. Se isso não acontece, tais regulamentos já determinam o que deve ser feito. No entanto, em Barreiras, o Partido dos Trabalhadores atua de maneira vergonhosa faz anos e anos, através de suas alianças esdrúxulas com três anos de duração. São sucessivos erros táticos, que obviamente repercutem na credibilidade do Partido junto à sociedade, que os entrevistados queriam resgatar.

Mas, eu gostaria de fazer uma análise de bastidor daquela entrevista. Além das relações de poder em voga, onde tendências distintas do PT local estão disputando cargos e contribuições financeiras, conforme podemos inferir do discurso de ambos os representantes na entrevista, há uma tentativa de promoção do Partido para o ano eleitoral vindouro. O PT daqui sempre faz isso, como eu disse, não é novidade. Então, justificar tal possível "racha", o qual eu tenho sérias dúvidas se irá mesmo ocorrer, haja vista os inúmeros interesses do Governo Estadual em jogo, é no mínimo oportunismo político em véspera de ano eleitoral.

Passar mais de três anos sendo cúmplice e AGORA, querer posar de interessados em defender os interesses da população de Barreiras, não cola!

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Tratores por Escola e Posto de Saúde: NÃO PASSARÃO!

Por Paula Vielmo
Pedagoga

Na quarta-feira, 29 de julho, recebi uma mensagem via WhatsApp de uma amiga que é professora no município de Barreiras, com um texto e dois áudios, falando sobre a demolição da Escola Municipal Deputado Juarez de Souza, na Vila Brasil. Era uma professora da escola, muito corajosa diga-se, pedindo socorro. Digo corajosa porque em nossa cidade impera a "Pedagogia do medo". O motivo alegado para a derrubada era a ampliação e construção de uma praça "super moderna".

Obviamente que a situação choca: derrubar escola e Posto de Saúde (também tem um Posto no pacote) para construir praça parece, à todas as pessoas, algo absurdo. Eu, assim como as demais pessoas, também avaliei como um absurdo, ainda mais em se tratando de um bairro periférico, com demanda para escolas; por ser realmente uma escola, com estrutura de tal - e não as casas alugadas ou galpões, transformados em escolas em nosso município - e, por fim, porque as crianças e professoras seriam deslocadas para o "salão paroquial". Ou seja, enviar para o velho esquema de local inadequado.

O texto circulou rapidamente, inclusive falei com essa professora pessoalmente e ela estava surpresa com a rapidez com que a informação correu. E isso fez com que houvesse mobilização tanto da comunidade escolar quanto da imprensa e do poder legislativo através de alguns e algumas vereadoras. No dia seguinte (30), houve uma manifestação na escola, com grande presença da imprensa local que logo disseminou a notícia através dos blogs, jornais e uma matéria na TV Oeste. 

Manifestação na Escola Municipal Deputado Juarez de Souza
No dia da manifestação na escola a tarde e ainda pela manhã, alguns vereadores apareceram para manifestar-se, falando do quão absurdo era aquela situação. Lamentavelmente, tais vereadores, bem pouco ativos, tornaram o ato em um palanque, com direito a discursos e muitos registros fotográficos e de filmagens. Tinha mais câmeras do que gente na escola. Eu vi porque estava lá, para conversar com as professoras e estudantes pessoalmente, prestar a solidariedade e compreender a situação.

No dia 31/07 circulava a "Nota de Esclarecimento Sobre a construção de uma nova obra pública na Vila Brasil", emitida pela Prefeitura de Barreiras.

Sobre a nota de esclarecimento da Prefeitura? Blá blá blá mentiroso. Eu acredito nas professoras. E a nota tem um tom politiqueiro muito ruim, tentando utilizar de um subterfúgio rasteiro de interesses diversos em prejudicar o atual governo. Do jeito que fazem besteiras atrás de besteiras, com uma equipe tão incompetente, o próprio Governo se prejudica. E a cada dia fica mais explícito quais são as prioridades deste Governo de Tonhão e cia, bem como as pessoas desqualificadas e sem qualquer capacidade de diálogo que estão à frente destes processos.

Estudantes e seus cartazes: recado ao Prefeito desde cedo. Larissa, de blusa vermelha
foi minha aluna quando fui recreadora na Escola Alcyvando Liguori da Luz I (2009-2011)
Por ora, a Escola e o Posto de Saúde estão salvos, mas é preciso estar vigilante, pois é prática já conhecida deste Prefeito derrubar as coisas nas madrugadas, tais como as árvores da Praça Castro Alves em mandatos anteriores.

A destruição da escola, para mim, se justificaria se fosse para ampliar a atual e modernizá-la de maneira a manter seu pleno funcionamento. A nota da Prefeitura dá a entender que a obra continuará, todavia, o povo já mostrou disposição para combater qualquer tentativa de destruir a Escola. E tratores pela Escola e o Posto de Saúde, não passarão!

sábado, 13 de junho de 2015

Por um Plano Municipal de Educação com Igualdade de Gênero

Por Paula Vielmo

Recebi nesta sexta-feira, 12 de junho, um vídeo (clique aqui para assistir) em que o vereador Gilson Rodrigues (ex-PMDB, atual PROS, 1º Secretário da Câmara e relator da Comissão de Saúde, Planejamento Familiar e Assistência Social, que aliás, precisa ser atuante! e pasmem, estudante de Psicologia - será que ele quer ser o Malafaia da Barreiras?) convoca a sociedade barreirense, pela primeira vez em mais de três anos de mandato, para que pressione os vereadores em relação a um Projeto de Lei sobre o Plano Municipal de Educação, que vigorará pelos próximos 10 anos. Poderia parecer interessante e relevante, não fosse o conteúdo absurdamente distorcido do vídeo.

Inicialmente, o vereador Gilson demonstra pouco saber sobre a Educação além do que prega o senso comum. Aliás, não há tema em que as pessoas mais gostem de dar “pitaco” do que a educação. Também demonstra saber bem pouco sobre gênero, uma área de estudos extremamente ampla e que não deve ficar restrita ao senso comum do vereador. Convido a realmente refletirmos sobre essas questões, retirando os pré-conceitos.



O vereador, desconhecedor das normativas do Ministério da Educação, proclama sobre a ameaça do que ele chamou de "ideologia de gênero", definido como:

"fazer com que a escola, com que os professores, com que todas as pessoas que estão na área da educação ensinem para as nossas crianças que elas não nasceram nem homem e nem mulher. que elas não são nem menino e nem menina”

Vamos "refletir", como insiste o vereador na abertura do vídeo, sobre gênero, trazendo quem sabe do assunto. As reconhecidas Professoras Doutoras da UFBA nos ajudarão definindo gênero como:

"processos de construção cultural de relações que não decorrem de características sexuais diferenciadas entre homens e mulheres, mas de processos construtores dessas diferenças, produzindo, nesse movimento, desigualdades e hierarquias" (Sardenberg e Macedo). 

Ou seja, a construção do que é ser homem e do que é ser mulher é SIM uma construção social, haja vista que ela se transforma ao longo do tempo e momento histórico. Para a filósofa francesa Simone de Beauvoir, não se nasce mulher, torna-se. Podemos afirmar que também não se nasce homem, torna-se. Aliás, nos tornamos tudo e qualquer coisa ao longo da vida a partir das nossas interações sociais, sobretudo em duas importantes instituições: inicialmente na família e logo em seguida na escola.

Esclarecida a desinformação (ou seria má fé?) do vereador Gilson, vamos refletir que o vereador também desconhece sobre os altos índices de violências contra a mulher no Brasil, incluindo a violência doméstica. Não sabe ele que o estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revelou a tragédia do machismo no Brasil, provocada principalmente por marido, namorado ou familiares. 

O estudo estima que a média é de 472 assassinatos de mulheres por mês. E sabe o vereador que a Bahia, nosso estado, é o segundo que mais mata mulheres no Brasil? Conhece ele os registros da Delegacia de Atendimento a Mulher de Barreiras? Desconhece o vereador que dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam para uma situação mais sombria se for levado em consideração o número de mulheres vítimas de violência em geral. Cerca de 70% das mulheres do mundo sofrem algum tipo de violência no decorrer de sua vida, diz a organização. Em todo o mundo, uma em cada cinco mulheres será vítima de estupro ou tentativa de estupro, calcula a ONU.

Relevante lembrar que as desigualdades e hierarquias de gênero atingem também a sexualidade das pessoas, violentando quem possui uma orientação sexual que não seja heteronormativa (sistema que obriga a ser e/ou parecer heterossexual). Nesse aspecto, o Brasil lidera o ranking mundial de assassinatos homofóbicos, estando a Bahia em 6ª posição nacionalmente. Não podemos ignorar essa realidade! A escola, instituição tão fundamental, não poe ignorar esta realidade. Não trazer o debate sobre o respeito para com o outro, partindo de crenças e valores pessoais, é descumprir a missão de educar numa perspectiva libertadora. 

O Ministério da Educação já possui materiais e diretrizes para combater as discriminações de gênero, que resultam em violências e a escola é uma instituição fundamental para contribuir nesse sentido, haja vista que a nossa educação brasileira e barreirense é fortemente sexista, ou seja, possui como cultura hegemonicamente masculina, branca e heterossexual sendo necessário trazer as discussões sobre a desigualdade e opressões e permitir que outras experiências sejam contempladas. É preciso que as meninas e meninos, desde pequenas/os tenham referencias positivas e não de submissão e a escola tem um papel determinante nessa transformação. É preciso que as pessoas homoafetivas não fiquem com medo de manifestar o seu amor. É preciso que o Brasil deixe de liderar também o ranking de assassinatos de travestis e transexuais. A educação escolar não pode se furtar desse debate!

Ademais, cabe lembrar, sobretudo à nós, trabalhadoras da educação, que o magistério é predominantemente feminino, e uma profissão desvalorizada. Qual a relação com as desigualdades e hierarquias de gênero? O magistério é desvalorizado como profissão porque é exercido por mulheres, ou é exercido por mulheres porque é desvalorizado?

Como cenário para toda essa questão o vereador Gilson alega: “Isso é querer destruir as famílias. Isso é querer deformar a vida das crianças. Isso é querer destruir a célula da sociedade: as famílias".

Pensemos na família como agrupamento não no modelo tradicional (mãe-pai-filho-filha). Tem família com avós, com tias ou tios. Apenas com mãe ou apenas com pai. Tem família em orfanato. Ademais, qual a relação entre compreender que as desigualdades e hierarquias sociais são de gênero e o fim da família? Usa o vereador de má fé para convencer as pessoas para aderir ao seu pedido? Não satisfeito, ele finaliza: "a ideologia de gênero vem para querer destruir a sociedade".

Destruir a sociedade é compactuar com as desigualdades e hierarquias de gênero! Assim, convoco para que o Plano Municipal de Educação seja norteado pela Pedagogia Feminista, entendida como “o conjunto de princípios e práticas que objetivam conscientizar indivíduos, tanto homens quanto mulheres, da ordem patriarcal vigente em nossa sociedade, dando-lhes instrumentos para superá-la e, assim, atuarem de modo que construam a equidade entre os sexos”. (Cecília Sardenberg).

Por fim, chamo para a reflexão: estamos muito mal representadas/os por este tipo de vereador! Além de desinformado, ele se orgulha em conclamar a sociedade barreirense para manter as desigualdades e hierarquias. Ele não é nosso aliado. E se não é nosso aliado, deverá ser combatido, a começar por desconstruir suas falácias.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Político Out Dó

Por Paula Vielmo


Faltando 20 meses para as eleições municipais de 2016, já começou a aparecer pré-candidato como poeira em Barreiras, juntamente com textos e análises das mais bizarras possíveis, sobretudo de quem se diz “imprensa”. Imprensa em tempos de necessária democratização da comunicação, sem qualquer dúvida.

Nesse rebuliço, causa-nos não mais espanto, mas indignação, os critérios para que essa dita imprensa corrupta apresenta uma série de nomes, com o intuito de dar visibilidade e testagem eleitoral, mas sem compromisso com a veracidade da informação.

Dentre os inúmeros casos, irei destacar um, que intitulei criativamente de “Político Out Dó”. Trata-se de um senhor desconhecido enquanto trajetória política, empresários local, que com seu viés neoliberal acha que poder público é como a sua empresa.

Esse caso, não é o primeiro em Barreiras, nem na região ou pelo país afora. É uma “tendência”  trazida para a política representativa, que diante da falência política com esses péssimos representantes, trazem para o centro do Estado o debate sobre a semelhança com uma empresa privada.

A chegada de empresários na política me parece tão prejudicial quanto a de religiosos fundamentalistas: ambos não conhecem tolerância, não conhecem o que significa coletividade ou bem público. São duas ameaças reais e crescentes na política, sobretudo em tempos de eleição.
Pois bem, esse senhor que peguei como exemplo, sem trajetória política, mas muito dinheiro, resolveu sair candidato a prefeito. E dentre todos os casos eu o escolhi pela bizarrice com que tem procedido.

Faltando mais de 20 meses ele começou a fazer propaganda antecipada, contrariando a legislação eleitoral (você votaria em alguém que, antes de ser eleito, já fere a lei?), utilizando de poder financeiro para espalhar pela cidade adesivos e o mais chocante/ridículo: outdoors com seu rosto e mensagens em datas comemorativas, além de velhos releases sobre seu empreendedorismo fascinante.

A primeira vez que vi um desses outdoors, perguntei: quem é esse? E minha irmã me disse quem era. Eu, militante com mais de 15 anos de trajetória política, não sabia quem era o empresário. Obvio, ele não tem atuação politica ativa, ele tem atuação ativa nos negócios e, para mim, política não é negocio!

Pois bem, tão esdruxulo quanto esse “político Out Dó”, é a ampla divulgação que a imprensa barreirense tem dado a ele e, mais recentemente, a reprodução de noticias sobre a saída desse “redentor” do PSDB. A troca de Partidos, aposto que deve-se a um caminho já conhecido na política ruim: buscar uma legenda de aluguel, que ele comprará com o dinheiro que possui, para levar adiante o seu projeto de candidatar-se. Ele parece ter pouca noção de como funciona o processo político-eleitoral, mas está atento à tendência empresarial.  Ow dó!


E diante dessa repercussão toda, eu pergunto: quem é esse fulano? Pra mim ele não representa nada além de um rosto desconhecido, fazendo mais do mesmo e espalhado por outDÓors!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

CARTA DE AGRADECIMENTO - ELEIÇÕES 2014



Quando o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) de Barreiras lançou a candidatura de Paula Vielmo para Deputada Estadual, sabíamos que seria uma iniciativa ousada e importante para a construção do Partido, bem como uma opção para o povo baiano, sobretudo do oeste. A nossa leitura foi acertada, pois as demais candidaturas apresentadas não ofereciam possibilidades reais de mudança.

Durante o processo de construção da campanha o crescimento foi pautado nos princípios de coletividade. Não tivemos multidões. No entanto, cada pessoa que participou das atividades o fez com a convicção de contribuir para a transformação social tão desejada. O diálogo franco e direto revelou o caráter pedagógico que têm as campanhas do PSOL no sentido de discutir importantes questões da sociedade.

Os 1.743 votos apurados pode parecer pouco, mas não é! Afinal, foi uma candidatura construída com poucos recursos financeiros, sustentada pela nossa militância. Nenhum destes eleitores recebeu nada em troca do seu voto, além de estímulo para ACREDITAR em Paula Vielmo como legítima representante do povo e no seu compromisso com as causas sociais. Temos orgulho dos 1.743 votos LIMPOS confiados nesta candidatura!

Agradecemos a todas e todos que contribuíram para a realização da campanha, seja em doações financeiras ou de serviços, participando das atividades ou divulgando a candidatura nas redes sociais ou no boca a boca e que depositaram a sua confiança em forma de voto. É muito gratificante verificar que todo esse resultado é fruto de uma coletividade que carregou o lema NÓS ACREDITAMOS! Um lema que representa o resgate da política participativa e comprometida com as demandas sociais e na nossa maneira de concebê-la e praticá-la. Um lema que representa muitas pessoas, em muitos lugares.

A LUTA CONTINUA! Não lutamos pelas eleições, nem somente nas eleições. Lutamos porque acreditamos que é possível construir uma sociedade justa e igualitária.


Candidatura Paula Vielmo Deputada Estadual 2014
Nós Acreditamos!

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Wagner, assuma a UNEB: a abertura do semestre da UFOB

Por Paula Vielmo
Fotos: Marciel Viana



Na terça-feira, 09 aconteceu a solenidade de abertura oficial do semestre 2014.2 da UFOB, regado a recepção pomposa das autoridades, com direito à palco debaixo de toldos e fanfarra com estudantes paramentados debaixo do sol escaldante. Tudo para os cursos novos da área de saúde e palanque eleitoral daquele pior tipo.

Todas as autoridades foram recepcionadas sob vaias estudantis intensas. A insatisfação era perceptível, tanto que não foi abafada pelas palmas dos/as governistas presentes. Com cartazes empunhados e repletos de reivindicações e frases irônicas, os/as estudantes receberam a oradora inicial: a Reitoria Pró-Tempore da UFOB sob continuas vaias durante toda a sua fala, finalizada com um convite para dialogo na sala da reitoria naquele mesmo dia às 14h.


Falou a única estudante do curso de Medicina que é da região e em seguida quatro estudantes no palco receberam, das autoridades, jalecos e posaram para fotinhas. As famílias dos estudantes colocaram os jalecos em seus filhos/as. Naquele momento, eu me senti como em uma formatura do ensino fundamental. Foi muito patético!

Em seguida leu o prefeito municipal de Barreiras (estavam presentes os prefeitos de Barreiras, LEM, Barra, Santa Maria da Vitória e Bom Jesus da Lapa). Leu um discurso feito por outrem, que continha muitos elogios aos governos petistas e supervalorizava o curso de Medicina.

Os estudantes assumiram a frente do palco, separados/as por uma linha de seguranças do governador e começou a falar Paulo Espeller, representante do MEC. Aquele discurso padrão do PT “em 1968 eu lutava pela democracia, para que vocês possam se manifestar hoje em igualdade comigo e blá blá blá”. Tão igual: ele com o microfone no palco e os estudantes com cartazes e no grito (naquele momento já silenciados pelo perspicaz governista).


Para finalizar entra o terrível governador do estado da Bahia, que se orgulha de ter vindo diversas vezes ao oeste. Pena que nenhuma para tratar da educação estadual, seja básica ou superior, de sua responsabilidade, mas largada na fila interminável do SUS (sentiu o drama?!).

No meio de tudo isso, DOIS estudantes da UNEB, resistindo, como a nossa Universidade do Estado da Bahia. Eram poucos, mas deram o recado: WAGNER, ASSUMA A UNEB! Questionaram, somando-se aos demais, sobre o fato do governador não pisar no Campus da UNEB em nenhuma de suas vindas ao oeste em todos esses anos. Wagner não respondeu. Ninguém respondeu.

O circo armado começava a querer baixar a lona quando Gustavo, estudante de Biologia, representante estudantil no Conselho Universitário da UFOB ocupou a tribuna e gritou no microfone “Estudantes, bem vindos ao INFERNO da educação federal baiana”. Questionou a recepção e o palanque politiqueiro e desfilou criticas fundamentadas aos governos federal, estadual e municipal, mas não sem antes ser interrompido.



A democracia do PT cortou o microfone, religado sob fortes protestos dos presentes. As vozes destoantes dos estudantes precisavam ser caladas, então veio o autoritarismo e desligou o microfone definitivamente. O mesmo homem que, em 2006 (não lembro exatamente o ano) chamou a PM para expulsar professoras/es em assembleia no Polivalente.

Eu vi. Eu estava nos dois momentos históricos: no primeiro como estudante e no segundo como candidata a Deputada Estadual. Em ambos, o mesmo homem do PT feriu o direito à organização e à manifestação. Queria a opinião de Espeller agora!

Uma coisa é certa: a festa não saiu como o planejado e foi lindo de se ver a latência do Movimento Estudantil, grande ou pequeno, mas VIVO! Parabéns aos estudantes. Sigamos sempre em luta!


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Nós Acreditamos!


É generalizado o sentimento de que a política é algo sujo e ruim. Essa sensação foi fruto dos péssimos representantes políticos que temos, seja no legislativo ou executivo. No entanto, NÓS ACREDITAMOS que é necessário e possível superar esse cenário através de organização social e da escolha de representantes que tenham uma nova forma de proceder politicamente.

NÓS ACREDITAMOS em um mandato popular, em que o povo consciente tenha o poder de decisão. NÓS ACREDITAMOS em um mandato popular que denuncie os abusos e abandonos da Educação e Saúde Públicas, Transporte e Meio Ambiente. NÓS ACREDITAMOS em um mandato comprometido com Políticas para as mulheres, livre iniciativa sexual, diversidade racial e cultural e Segurança Pública da Bahia. NÓS ACREDITAMOS em um mandato que fiscalize os interesses do povo e não dos governos e da elite econômica protegida pela velha política.

Precisamos de uma representação política destemida e que leve de fato a voz do povo para a Assembleia Legislativa da Bahia. NÓS ACREDITAMOS que somos essa voz política, pois os representantes que temos hoje na Assembleia Legislativa, mais uma vez nos enganaram com suas promessas e tornaram-se aliados/as dos poderosos e dos governos que, sucessivamente, enganam e exploram a população.

A nossa candidatura se propõe a construir um mandato popular que, de fato, represente os interesses da população ao invés dos interesses dos grandes empresários, grandes fazendeiros e empreiteiras. Esses grupos financiam as campanhas dos candidatos da velha política e depois cobram a conta, paga com recursos públicos. Por isso, as campanhas do PSOL não aceitam financiamento desse tipo de doador. Nossos financiadores são pessoas que, como você, tem como único objetivo a melhoria de vida para o nosso povo.


Para essa proposta ousada, precisamos de você! É preciso que VOCÊ ACREDITE que seja possível romper com a lógica da imensa desigualdade e injustiça social que vivemos. NÓS ACREDITAMOS que é possível, sim, e afirmamos, com muita coragem e coerência, nosso compromisso político com as causas sociais da classe trabalhadora e de todos aqueles que têm uma mente jovem e aberta a novas mudanças.


SOU CANDIDATA A DEPUTADA ESTADUAL!

Postada no facebook em 06/07/2014. Por Paula Vielmo

Recentemente o Partido Socialismo e Liberdade, do qual faço parte, considerou importante que tivéssemos no Oeste uma alternativa para as eleições estaduais, através de candidaturas. Essa decisão indicou posteriormente meu nome para representar essa difícil e importante tarefa, pela militância política ao longo desses quinze anos em luta.

Todas as pessoas que me conhecem militando de maneira comprometida com as causas sociais e com os movimentos sociais sabe que coragem para enfrentar os desafios não falta. Assim, alguns processos em curso, individuais e coletivos foram interrompidos para cumprir este novo desafio, a partir da compreensão de que É NECESSÁRIA uma alternativa política para o Oeste e essa alternativa está no PSOL.

Se não formos nós, o que precisa ser dito não será dito e o que precisa ser feito não será feito. Isso é prepotência? Não, é apenas a realidade de Partido e militância sem qualquer amarra com financiadores de campanha, com latifundiários, com máfias de transporte, com cabides de emprego. Resumidamente, somos um Novo Partido contra a Velha Política.

Esse modelo político vigente em todo o nosso país, em nosso estado e em nosso velho Oeste não pode ser tratado com naturalidade. É preciso perceber que é uma construção de uma forma de fazer política que nos exige, na condição de pessoas que não aceitam a exploração e a desigualdade com banalidade, indignação, mas para além disso, ações que instiguem a transformação social.

Nesse sentido, comunico às amigas, amigos, companheiras e companheiros, que sou candidata a DEPUTADA ESTADUAL pelo PSOL, sob o número 50.777. Nossa campanha começa hoje, dia 06 de julho! Uma campanha em construção coletiva, com poucos recursos, que dependerá da militância e engajamento de cada pessoa que acredita que NADA É IMPOSSÍVEL DE MUDAR!

Conto com vocês! 
#‎PaulaVielmo50777

Nossa fanpage: facebook.com/NosAcreditamosOficial

Blog hiper desatualizado

Por Paula Vielmo

Os percalços da vida, somados ao facebook e instagram como meios de rápida divulgação das coisas, fizeram-me abandonar este importante veículo de reflexões e denúncias chamado "Ideias são à prova de bala". 

Tentarei retomar, pois entendo que este blog representa um canal alternativo à imprensa hegemônica que temos em Barreiras. E por ser independente, aborda o que quero, sob a minha perspectiva crítica e classista. Temas para escrita não me faltam, mas condições para sentar e escrever de maneira elaborada. Sinto saudades, não sei vocês...

Optei por não voltar atrás. Queria ter escrito sobre a audiência do transporte coletivo, uma luta com mais de 7 anos, mas acabei perdendo o bonde da história. Agora, só o que ficará na seletividade da memória e o que foi registrado pelo PSOL. Estamos de olho nessa questão de interesse coletivo sobre o transporte e a máfia do busão.

Queria ter escrito sobre tantas outras situações, desde sessões da Câmara até a segunda greve que participei como Servidora Federal, mas optei por não fazê-lo. Vamos em frente!

Então, para retomar, optei por postar aqui a nota aberta que divulguei no facebook no dia 06 de julho de 2014, data em que iniciou o período de campanha eleitoral. Sou candidata a Deputada Estadual e não divulguei isso no MEU BLOG. Também considero um absurdo, mas enfim...rs

Vamos em frente, na expectativa de, agora, não haver pausas longas. Abraço!

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O prefeito de Barreiras e a normalidade da violência: "eu tô acostumado com isso"

Por Paula Vielmo


Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é hábito
como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.
Bertolt Brecht



No dia 14 de fevereiro, um tema foi central nas rodas de conversas e redes sociais em Barreiras: a atitude do prefeito municipal de agredir manifestantes. O fato ganhou repercussão porque foi filmado e transmitido pela TV Oeste (local) e mais tarde pelo BA TV (estadual), com um forte comentário da apresentadora em Salvador. Em Barreiras não houve comentários da âncora.

Passei  o dia 14 trabalhando e somente no dia 15 pude me apropriar do fato, assistindo o vídeo do programa e procurando comentários e textos na imprensa local de Barreiras. Consegui achar o vídeo, mas apenas um texto local, superficial e sem identificação de autoria em um site de jornal. Os demais se limitaram a postar a gravação da reportagem da televisão. Além disso, achei na imprensa local uma ampla divulgação da rápida nota de esclarecimento que foi elaborado pela Assessoria da Prefeitura. Neste texto, procurarei de maneira sintética, abordar a reportagem, a nota de esclarecimento, a repercussão do fato e a normalidade da violência municipal, tudo misturado e desordenado.

A repressão aos movimentos sociais, populares e manifestos de rua são bem mais corriqueiros do que a televisão mostra. Essa prática, sobretudo por parte do Estado como poder, atua para manter a ordem, o que significa retirar do caminho as pessoas que representam algum obstáculo. A repressão coíbe muitas pessoas de se manifestarem, mesmo diante da conquista da liberdade de expressão, algo compreensível diante de uma nação que a pouco tempo viveu um período ditatorial. Em contrapartida, outras vão para o enfrentamento, como aconteceu com a população da comunidade do Conjunto Habitacional Arboreto I e II na manhã de 14 de fevereiro de 2014 em Barreiras, velho oeste da Bahia.

Em breves 1 minuto e 08 segundos desvelou para o estado baiano o que é o Prefeito, causando indignação generalizada, encarada por estas bandas em menor intensidade, verificada através da transformação do ocorrido em piada. Rapidamente, surgiram "memes" com fotos e frases. A situação passou de deprimente para engraçada, provocando uma perigosa manutenção da passividade hegemônica da população barreirense que, como muitas outras pessoas, olhou para os/as manifestantes como "baderneiros/as" e concordou que deveria mesmo "liberar" o acesso. Adotou-se uma perspectiva egoísta em relação ao que aquela comunidade está vivenciando em virtude da mudança do tráfego, demonstrando que grande parcela da população barreirense internalizou a violência, banalizando o desrespeito aos direitos humanos.

A reportagem na televisão, meio que transmite com grande alcance e repercussão, trouxe à tona através das imagens e da fala do prefeito o que vivenciamos em Barreiras e nesta administração, mas também no governo anterior, que enviava seus capangas para reprimir manifestantes (leia aqui, aqui e aqui). Todavia, me chamou a atenção, além de toda a violência, a fala dele "passa, passa por cima desses filhas da puta", que demonstra a capacidade realmente destrutiva do Prefeito, mas também uma violência de gênero, verificada mais ainda através da composição do manifesto: formado majoritariamente por mulheres e crianças. Sacou?

A atitude do prefeito foi anunciada em portais virtuais de grande acesso, como o G1, mas é, para mim, o reflexo direto da sua administração municipal e de todas as pessoas que o acompanham, seja através do voto, da defesa ou das alianças para garantir (re)eleição. A manutenção de um homem violento, desequilibrado em relação ao diálogo e habituado com a truculência, possuí cumplicidade e ampla rede para sustentar-se. 

Para nós, moradoras/es de Barreiras, a reação dele não é novidade. Todavia, não pode ocupar um lugar de "trivial" no cotidiano. A afirmação de que "eu tô acostumado com isso" desvela uma prática conhecida, mas abafada, sobretudo pelo medo. Não é "normal" e nem deve ser, agir com truculência em relação aos manifestos. Ele age assim porque possuí poder para isso, seja como prefeito, seja como homem rico e conhecedor da lentidão da justiça brasileira. Em todos os casos, ele possuí vantagem sistêmica sobre a população do Conjunto Habitacional Arboreto I e II e do presidente da Associação que foi agredido fisicamente.

Ao se manifestarem em relação a pouca segurança por causa do tráfego de veículos pesados nas proximidades do local em que residem, aquela população pobre, foi mais uma vez vítima, agora com relação à repressão física através do punho - literalmente - do prefeito municipal Antonio Henrique. As imagens filmadas daquele homem truculento mandando a máquina romper o bloqueio a todo custo de violência, desvelou uma prática conhecida da população em virtude do perfil e histórico do prefeito, o que provavelmente intimidou a imprensa local a falar sobre o assunto de maneira menos tímida.

Esta imprensa local, que apenas reproduziu em seus sites o vídeo, publicou rapidamente a "Nota de esclarecimento da Prefeitura sobre incidente envolvendo o Prefeito Antônio Henrique em manifestação em Barreiras", emitida pela ASECOM, dirigida pelo PT. Nesta nota, recheada de manipulações textuais para dar a impressão que foi um equívoco e que o prefeito apenas desejava garantir o trânsito, não substituí o poder e impacto das imagens, que comunicam uma outra mensagem.


Na nota, o objetivo é desqualificar a manifestação, acusando de não conseguirem negociar em virtude da "intencionalidade política das lideranças da manifestação". Ora, existe alguma manifestação humana que não seja política? O ser humano é essencialmente político e obviamente um manifesto que reivindica possui pauta política. Insinuar que um prefeito que não dialoga tentou o diálogo é tão calunioso quanto insinuar que havia manipulação do manifesto.

Dentre as inúmeras tentativas de defesa do prefeito, justificam que ele fora ofendido verbalmente. Ora, que prefeito sem controle emocional é esse? Violência tem justificativa? E por fim, um parágrafo de meras duas linhas e meia em que "O Governo Municipal lamenta a exploração política do episódio, uma vez que o Prefeito estava imbuído somente do propósito de desobstruir a via, para evitar maiores problemas", tentando, mais uma vez, deslocar o fato de termos um prefeito violento, levando para o campo da oposição.

Obviamente, a oposição vai explorar politicamente o caso, e isso deve ser realmente feito para jamais naturalizar este tipo de ação, pois se depender de certos Partidos aliados que cresceram à base de manifestação e agora se posicionam contra, cada dia mais os movimentos socais serão criminalizados. Porém, não basta distribuir imagens com frases engraçadas que logo cairão no esquecimento. É necessário analisar profundamente, bem mais do que consigo neste breve texto, as condições para essa situação e acima de tudo, não aceitar o que é hábito como natural e acreditar que podemos e devemos mudar as relações de poder em Barreiras, abandonando essa velha política, porque nada é impossível de mudar!