sábado, 24 de dezembro de 2011

Passaredo: destruindo sonhos

Por Paula Vielmo


Na tarde de 16 de dezembro, desloquei-me até o Aeroporto de Barreiras para um voo que deveria sair às 18:27. No entanto, para surpresa ao chegar para o check-in é que a aeronave estava atrasada em quase duas horas, com previsão de saída apenas para 19:30. Pela passagem, eu deveria estar no Aeroporto Internacional de Brasília às 19:18! Uma passagem absurdamente cara, de R$1.148,30 pagos com os 5% do Fundo Partidário dedicado ao Setorial de Mulheres seria perdida e um mar de frustração seguiria sobre o sonho!

Eu estava indo para Brasília, de onde pegaria outro voo até meu destino final: Rio de Janeiro, para o II Encontro Nacional de Mulheres do PSOL. O segundo voo era às 20:57. A Passaredo me deixou em solo às 20:55.

Devido ao trabalho, eu perderia apenas a abertura do Encontro, mas chegaria no Rio de Janeiro às 22:25, o que significaria descansar e aproveitar intensamente as discussões das Mesas e Grupos de Discussão do Encontro. Era um sonho sendo realizado, pois eu estava indo, pela primeira vez, para um espaço nacional do PSOL, e ainda mais sendo o II Encontro Nacional de Mulheres, um marco importante para a organização do Setorial Nacional de Mulheres e para nossa política feminista. Um sonho interrompido violentamente por uma empresa aérea irresponsável e insensível.

Ao chegar no Aeroporto de Brasília, muito atrasada, após ter perdido o voo, fui, juntamente com outros passageiros, até o balcão da Passaredo. Não havia ninguém! Depois de muito procurar, eis que aparece uma funcionária da empresa, que informa que se a viagem é "trecho a trecho", não é responsabilidade da empresa. Como assim, não é responsabilidade da empresa? Eu deveria estar aqui às 19:18 e não às 21:00!

Iniciava-se um dos piores momentos em termos de mais uma constatação de como nós não temos valor algum perante o empresariado e a lei burguesa.

Ao procurar algo de defesa do consumidor, fui direcionada até o Juizado Especial Cível. Assim, como eu, outras pessoas também haviam estado por lá. No entanto, o rapaz do atendimento informou que nada poderia ser feito e a empresa podia atrasar ATÉ QUATRO HORAS um voo e realmente não se responsabilizar se fosse "trecho a trecho". Meu chão caiu! Eu estava longe de casa, praticamente sozinha (conheci um passageiro na mesma situação), indignada e com o pior sentimento que se pode sentir: impotência!

Naquele momento, mais uma vez, percebi como as leis não contribuem conosco, que usamos o serviço - em nenhum caso -, mas SEMPRE COM AS EMPRESAS. Naquele momento, o meu sonho de participar do Encontro de Mulheres estava bloqueado pelo atraso de uma empresa que quer ganhar dinheiro a todo custo, mesmo que seja ao valor da frustração humana. Saí da sala desnorteada, apenas com a orientação de entrar com uma representação judicial na minha cidade de origem.

Entre muitas coisas que aconteceram, diante daquele sentimento horrível de impotência, do prejuízo em perder o voo, da madrugada angustiante, da frustração absurda de perder grande parte do evento e do cansaço, só saí do Aeroporto para o meu destino final às 11:00. Fiquei por 14 horas até que outra passagem fosse comprada, mas se dependesse da Passaredo, ou melhor "Passamedo", eu estaria lá a perder de vista!

Passada uma semana, escrevo esse relato como fruto da minha indignação e revolta, porque não poderia passar como se fosse algo natural. Todos os dias, muitas pessoas devem passar pela mesma coisa, mas estou fazendo o que posso, mesmo que a título de registro.

2 comentários:

  1. Caramba, Paulinha... q absurdo!!
    Realmente foi-se o tempo que a viagem aérea era algo garantidor de ida e volta pontualmente!
    Hoje não acontece mais, infelizmente!
    A gente fica mais tempo em aeroporto do que na própria aeronave!! É um caos!!!
    Mas algo tem de ser feito!!
    Ótimo texto! Gostei!
    Bjão, sua mana Juliana.

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  2. Foi a notória politica de “loteamentos” das repartições públicas desse país levou a órgãos importantes como a ANAC (Agência Nacional de Avião Civil) e serem comandados por pessoas cujos currículos os qualificariam para coisa alguma! E qual foi o resultado disso? O resultado disso é o conhecido fenômeno da corda que só arrebenta do lado mais fraco!
    Assim nós, os pobres mortais usuários das empresas aéreas (já que não temos jatinhos como esses parlamentares corruptos) é quem sofremos de forma impotente diante de um serviço que é prestado de maneira pavorosa!
    Quantas pessoas já passaram as suas respectivas noites de réveillon nos saguões dos aeroportos por causa do caos aéreo? Quantas viagens em família já foram sabotadas por causa de empresas que vendem para duas pessoas uma mesma passagem? Quem ainda não se convenceu que os pobres controladores de vôo nas torres dos aeroportos então sobrecarregados e que precisa-se urgentemente realizar uma ampla e profunda reforma em todo o sistema aéreo brasileiro?
    E que não me venham falar agora em Copa do Mundo, pois independentemente dela, julgo que nós (os contribuintes dos impostos que sustentam a ANAC, a Infraero, o Ministério dos Transportes e ainda somos os clientes dessas companhias aéreas) deveríamos ser tratados como gente!
    Pena que na prática, para os políticos responsáveis (pelo menos, em tese) e para empresas aéreas em sua desenfreada busca pelo lucro a qualquer custo, somos todos apenas números e nada mais...

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