segunda-feira, 19 de março de 2012

Março - Mês do Teatro!

Comemoramos em 27 de março, o Dia Mundial do Teatro, aqui em Barreiras-BA, a Cia Teatrando tem motivos de sobra para celebrar essa importantíssima data.

Convidamos todos e todas para a nossa I MOSTRA DE TEATRO em 5 anos de produção e atuação. Contamos com sua valiosa participação e divulgação.

Venha Comemorar com a Gente!








CIA TEATRANDO
5 ANOS TEATRANDO
I MOSTRA
“O TEATRO É UMA CHAVE, ABRE TODAS AS PORTAS”
DULCINA DE MORAES



Optamos pelo Teatro não só por ser uma área importante do conhecimento humano mas sobretudo, pelo seu extraordinário valor humanitário enquanto linguagem artística pois, mesmo nessa avalanche de relações virtuais, ela ainda leva o ser humano ao encontro real com o outro(a). É nesse sentido que nós, da Cia Teatrando, estamos empenhados na realização em março, mês em que se celebra o Dia Mundial do Teatro, a I Mostra da nossa produção teatral nesses cinco anos de batalha cotidiana, na construção de nossos sonhos, homenageando um grande homem do Teatro Barreirense, o nosso saudoso e querido Djalma Araújo, o Djalminha.

Ator, Diretor e Professor de Teatro, iniciou-nos nessa desafiante e sedutora tarefa do fazer teatral encorajando-nos, sempre, no enfrentamento as adversidades próprias de uma cidade que ainda não tem uma Política Cultural voltada para o interesse da comunidade.

Djalminha nos fez, também, acreditar que o Teatro tem o instigante poder de transformação, pois pode provocar importantes reflexões em quem o executa e em quem o aprecia, além do simples entretenimento.

Portanto, encorajados pelo pensamento de um dos maiores diretores e dramaturgos do século XX, o alemão Bertolt Brecht, cumpre-nos fazer eco de suas convicções quando nos deixa um legado tal como: “Há homens que lutam um dia, são bons; há outros, que lutam vários dias, esses são muito bons; porém, há os que lutam a vida inteira, esses são imprescindíveis”.


OBJETIVOS:

Apresentar ao público barreirense os espetáculos teatrais e esquetes produzidos nesses cinco anos de existência da Cia Teatrando;

Contribuir com o exercício da cidadania dos barreirenses, propiciando acesso aos bens culturais;

Resgatar a figura de um grande homem do cenário teatral barreirense, Djalma Araújo - Djalminha, homenageando-o como forma de gratidão;

Valorizar a produção teatral da nossa cidade.


CIA TEATRANDO

RELIESE


Ø ONDE? ABCD (AVENIDA CORONEL MAGNO, 208 – CENTRO).

Ø QUANDO? DE 27 DE MARÇO A 01 DE ABRIL (DE TERÇA A DOMINGO).

Ø QUANTO? R$ 14,00 INTEIRA / R$ 7,00 MEIA


PROGRAMAÇÃO

*27 DE MARÇO (Terça 21hs) - DIA MUNDIAL DO TEATRO
ESPETÁCULO: “TEATRANDO.COM” -
COMÉDIA “VIRTUOSA”, Criação Coletiva
“UM PASSAPORTE PARA A ALEGRIA”
*ENTRADA: MATERIAL DE LIMPEZA (A SER DOADO AO ABRIGO DOS IDOSOS SÃO JOÃO BATISTA)

28 DE MARÇO (Quarta 15hs)
ESPETÁCULO: “UNI-DU-NI-TÊ”
INFANTO-JUVENIL, de Ramon Sousa e Ruth Guimarães
“UM INTERESSANTE RESGATE DAS BRINCADEIRAS DE RUA E CANTIGAS DE RODA”
*SESSÃO ESPECIAL PARA AS CRIANÇAS DO PETI (MUCAMBO/BARREIRAS)

29 DE MARÇO (Quinta 21hs)
ESPETÁCULO: “AS BONDOSAS”
FARSA CÔMICA, de Ueliton Rocon
“VENHA MORRER DE RIR NESSE INUSITADO VELÓRIO”

30 DE MARÇO (Sexta 21hs)
ESPETÁCULO “AS BONDOSAS”
FARSA CÔMICA, de Ueliton Rocon
“VENHA MORRER DE RIR NESSE INUSITADO VELÓRIO”

31 DE MARÇO (Sábado 17hs)
ESPETÁCULO: “UNI-DU-NI-TÊ”
INFANTO-JUVENIL, de Ramon Sousa e Ruth Guimarães
“UM INTERESSANTE RESGATE DAS BRINCADEIRAS DE RUA E CANTIGAS DE RODA”

31 DE MARÇO (Sábado 21hs)
ESPETÁCULO “CASAR OU NÃO CASAR, EIS A QUESTÃO!”
COMÉDIA ROMÂNTICA - Livre adaptação de Ruth Guimarães, do original de Ricardo Guilherme, “ATÉ QUE A VIDA NOS SEPARE”.

01 DE ABRIL (Domingo 17hs)
ESPETÁCULO: “UNI-DU-NI-TÊ”
INFANTO-JUVENIL, de Ramon Sousa e Ruth Guimarães
“UM INTERESSANTE RESGATE DAS BRINCADEIRAS DE RUA E CANTIGAS DE RODA”

01 DE ABRIL (Domingo 21hs)
ESPETÁCULO: “TEATRANDO.COM”
COMÉDIA “VIRTUOSA”, Criação Coletiva
“UM PASSAPORTE PARA A ALEGRIA”

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“O TEATRO É UMA CHAVE, ABRE TODAS AS PORTAS”
DULCINA DE MORAES

FICHA TÉCNICA

DIREÇÃO GERAL: RUTH GUIMARÃES
CONSULTORIA CÊNICA: SÉRGIO VIANNA
ELENCO: CLEIDE VIEIRA, CLESSIA RILEN, JÉSSICA OLIVEIRA, LANNA SEIXAS, LUCÉLIA GOMES E RAMON SOUSA.
ARTE FINALISTA: FABIO OHARA
CENOTÉCNICA: SÉRGIO VIANNA
PRODUÇÃO EXECUTIVA: CIA TEATRANDO
ASSESSORIA DE IMPRENSA: RAMON SOUSA
REALIZAÇÃO: CIA TEATRANDO


CONTATOS:

RAMON SOUSA (77) 8101 5943 / 9814 6701 / 9150 3993
CLEIDE VIEIRA (77) 8140 9990
LUCÉLIA GOMES: 8104 9306
LANNA SEIXAS: 8155 2304

quarta-feira, 14 de março de 2012

I Colóquio "Universidade e os Movimentos Sociais: diálogos e construções coletivas no Território da Bacia do Rio Grande"

PROGRAMAÇÃO

15/03 (QUINTA-FEIRA)

18:00 Credenciamento
19:00 Momento Cultural
19:30 Mesa de Abertura
20:00 Conferência de abertura: Universidade, Movimentos Sociais e Economia Solidária: desafios contemporâneos - Dr. Roberto Marinho Alves da Silva (Secretário Adjunto da Secretaria Nacional de Economia Solidária - MTE)
21:00 Debate
21:45 Encerramento


16/03 (SEXTA-FEIRA)

8:00 Credenciamento
8:30 Momento Cultural
9:00 Mesa redonda: As relações políticas construídas com os Movimentos Sociais a partir da consolidação dos governos democráticos.
Debatedores: MST, ONGs, Secretaria Nacional de Economia Solidária, Universidades, CODEVASF, Colegiado Territorial, CUT
10:30 Debate
11:45 Encerramento

14:00 Momento Cultural
14:15 Palestra: A experiência da economia solidária na Bahia: o papel da UNEB
Dra. Ronalda Silva Barreto (UNEB-INCUBA)
15:15 Debate
16:00 Intervalo
17:15 Encerramento do I Colóquio
17:30 Momento Cultural

Juristas confirmam ampliação das hipóteses de aborto legal


A comissão de juristas instituída pelo presidente do Senado, senador José Sarney, para elaborar o anteprojeto do novo Código Penal aprovou, nesta sexta-feira (9), propostas de mudanças nos artigos que tratam do aborto e dos crimes contra a dignidade sexual. As sugestões vão integrar texto a ser transformado em projeto de lei.
Depois de quase seis horas de debates, os especialistas decidiram manter como crime a interrupção intencional da gravidez, mas com a ampliação dos casos em que a prática não é punida. As mudanças propostas foram criticadas por um grupo de manifestantes que se postou ao fundo da sala da comissão protestando contra o aborto.

Atualmente o aborto é permitido apenas em gravidez resultante de estupro e no caso de não haver outro meio para salvar a vida da mulher. O anteprojeto passa a prever cinco possibilidades: quando a mulher for vítima de inseminação artificial com a qual não tenha concordância; quando o feto estiver irremediavelmente condenado por anencefalia e outras doenças físicas e mentais
graves; quando houver risco à vida ou à saúde da gestante; por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação (terceiro mês), quando o médico ou psicólogo constatar que a mulher não apresenta condições de arcar com a maternidade.

"Há setores que defendem a descriminalização do aborto e há setores que defendem a permanência do texto atual. Estes segmentos são dignos de respeito. Puderam trazer seus pontos de vista. Todos foram ouvidos. A solução que encontramos foi a intermediária. Aborto permanece crime. O que fizermos, porém foi permitir que não o seja em algumas situações", afirmou o procurador Luiz Carlos Gonçalves, relator-geral da comissão.

O procurador lembrou que o tema exigiu muita reflexão, diante da importância de se equilibrar os direitos fundamentais do feto e da mãe. "Votamos pela permissão do aborto praticado por médico até a 12ª semana de gestação, desde que haja comprovação de que a mulher não pode levar adiante a gravidez. Sabemos que é uma situação muito dolorosa. Na verdade, o aborto é sempre traumático e deixa seqüelas psicológicas e físicas", explicou.

Crimes sexuais - O grupo de especialistas passou boa parte da reunião discutindo também mudanças nos crimes contra a dignidade sexual. Conforme decisão por votação, o estupro será subdividido em três modalidades: anal, oral e vaginal. "Há um grave problema na legislação atual, que junta ofensas distintas como estupro e o antigo atentado violento ao pudor numa
conduta só. Agora estamos especificando melhor para a aplicação da pena adequada", explicou o relator.

Ele citou como exemplo de indefinição comum a situação em que uma mulher é molestada por um homem no transporte coletivo. "Nestes casos, atualmente há quem considere estupro, mas também há os que julgam ser uma mera contravenção. Nossa proposta agora sobre crimes sexuais dá um quadro seguro abrangendo diversos níveis de violência, com penas adequadas a cada um destes níveis", explicou.

Além disso, foi aprovada a criação de outros dois crimes. Um deles é o molestamento sexual (constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou se aproveitando de situação que dificulte a defesa da vítima, à prática de ato libidinoso diverso do estupro vaginal, anal e oral). O outro é a manipulação e introdução sexual de objetos (constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a suportar a manipulação vaginal ou anal ou a introdução de objetos).
(Agência Senado)

quinta-feira, 8 de março de 2012

Recebi esse poema de presente e quero compartilhar

Para a camarada Paula Vielmo:
8 DE MARÇO: DIA DE MULHERES EM LUTA!

Viva o Dia Internacional da
mulher camponesa, da mulher operária
da mulher revolucionária,
da mulher do povo, da mulher altruísta,
da mulher comunista,
da mulher combativa, da mulher lutadora,
na luta contra a sociedade opressora.

Mulher que combate nesse mundo excludente
por um outro, que seja diferente.
Minha homenagem às mulheres e a sua história.
Em suas lutas desejo-lhes vitória!
Mulheres que lutaram contra a ditadura,
mulheres de fibra e candura.
Mulheres que lutam contra a grilagem,
mulheres de Canudos, de Farroupilha,
de Contestado e Cabanagem.

Mulheres de todas as cores
que em suas alegrias e dores
tem o ideal revolucionário,
da mesma cor de Olga Benário!
Vocês são da opressão o expurgo,
tal qual a Rosa de Luxemburgo.
A mulher negra, a mulher índia, a mulher branca,
mulher que a nossa dor estanca,
a poetisa como Florbela Espanca.

Mulher criatura, mulher criadora
mulher lutadora, mulher professora,
mulher diferente, do nosso continente,
mulher brasileira, também guerrilheira,
mulheres de todos os países, de todos matizes,
mulheres artistas, mulheres atrizes,
na luta pelo fim do capitalismo moribundo,
vocês conquistarão um novo mundo!

(Paulo Oisiovici)

quarta-feira, 7 de março de 2012

Sobre o 8 de março

Seguem abaixo links de textos e postagens em outros sites, que nos levam a refletir seriamente sobre o DIA INTERNACIONAL DE LUTA DAS MULHERES e as lutas atuais que temos enfrentado:






sábado, 3 de março de 2012

2012: 80 ANOS DO VOTO FEMININO

Schuma Schumaher*

A conquista do voto feminino resultou de um processo iniciado antes mesmo da proclamação da República. Embora a Constituição de 1891 vetasse o direito de voto aos analfabetos, mendigos, soldados e religiosos, sem mencionar as mulheres, elas ainda tiveram que lutar por mais de 40 anos para conquistar esse direito.

Dois episódios são ilustrativos das resistências usadas pelas mulheres. O primeiro deles aconteceu em 1885 quando a gaúcha Isabel de Sousa Matos, uma cirurgiã dentista requereu o alistamento eleitoral. Seu pedido estava amparado pela Lei Saraiva que garantia o direito de voto aos portadores de títulos científicos. Isabel conseguiu ganhar a demanda judicial em segunda instância. Com o advento da República e a convocação de eleições para a Assembléia Constituinte, Isabel, que na época estava morando no Rio de Janeiro, procurou a Comissão de Alistamento Eleitoral para fazer valer a sua conquista. Diante do fato inusitado de uma mulher pleitear o direito de se alistar, a comissão solicitou um parecer ao Ministro do Interior que fez uma negativa contundente: julgou absolutamente improcedente a reivindicação.

A luta prosseguiu. E foi também de outra Isabel a segunda tentativa. No caso, da baiana Isabel Dillon, primeira a apresentar-se como candidata a deputada na Constituinte de 1891. Ela argumentou que a Lei Eleitoral de 1890 não excluía as mulheres, uma vez que a mesma assegurava o direito de voto aos maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever, sem referência explícita ao sexo do eleitor. Ela tonou publica sua candidatura e teve como plataforma eleitoral defender a opção religiosa, a ampla liberdade de pensamento e a aprovação de leis que protegessem a criança, a mulher e o operariado nascente. Não conseguiu sequer se alistar para votar.

Após muitas tentativas isoladas, surgem os primeiros grupos organizados de mulheres como o Partido Republicano Feminino, fundado em 1910 por Leolinda Daltro e outras feministas cariocas. Essa estratégia provocou debates, através de manifestações públicas que criticavam a “cidadania incompleta” das mulheres, gerando polêmicas e reações negativas por parte da imprensa. Contudo, foi a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, criada em 1922, e espalhada por diversos Estados brasileiros, a grande responsável pela campanha nacional em favor do voto feminino.

Bertha Lutz, Almerinda Gama, Carmen Portinho, Maria Luisa Bittencourt, Josefina Álvares de Azevedo, Jerônima Mesquita, Chiquinha Gonzaga, Natércia da Silveira e tantas outras feministas sufragistas constataram na prática, com indignação, que o engajamento nas lutas políticas e suas conquistas no campo da educação eram insuficientes para que os poderes constituídos reconhecessem seus direitos enquanto cidadãs. Lideradas por Bertha Lutz iniciaram um campanha aguerrida em várias frentes e cidades, usando a imprensa, as galerias da Câmara Federal, seminários, debates, manifestações artísticas e até panfletagem aérea, para sensibilizar os congressistas e ganhar a simpatia da população para a causa que defendiam. E conseguiram!

Demonstrando grande habilidade política e capacidade de articular alianças, foram aos poucos, conseguindo adesões em vários estados e espaços. É assim que, em 1927, a Lei Eleitoral do Rio Grande do Norte concede o direito de voto às mulheres norte-rio-grandenses, possibilitando que Celina Guimarães Viana e Julia Alves Barbosa se tornassem as primeiras eleitoras do Brasil e Alzira Soriano a primeira prefeita da América Latina, nas eleições de 1928. Um enorme passo!

Alguns anos depois, em 1931, a FBPF promoveu no Rio de Janeiro o II Congresso Internacional Feminista para discutir os rumos do movimento. O discurso de abertura coube a prestigiada escritora Júlia Lopes de Almeida. As conclusões do Congresso foram encaminhadas ao Presidente Vargas que se comprometeu a empenhar-se pela concessão do voto feminino.

Apesar de Bertha Lutz fazer parte da Comissão encarregada de elaborar o novo Código Eleitoral Brasileiro (1932) teve que enfrentar muitas polêmicas entre os integrantes do grupo, pois os mesmos tinham posições divididas sobre o direito de voto às mulheres. Finalmente, depois de muita pressão, em fevereiro de 1932, o presidente Getúlio Vargas, assina o Decreto nº 21.076, concedendo as mulheres o direito de votar e serem votadas. Finalmente Vitória!

Com a criação do Código Eleitoral de 1932 a atenção das filiadas da FEBP voltou-se para enfrentar outro desafio: promover a candidatura das feministas para a Assembléia Nacional Constituinte de 1933. Entre os 254 votantes, contabilizando os eleitos e os representantes classistas, duas vozes eram femininas: Carlota Pereira de Queiroz, médica eleita por São Paulo e a primeira deputada federal do Brasil; e a advogada alagoana Almerinda Farias Gama, uma das primeiras mulheres negras na política brasileira, na época representando o Sindicato das Datilógrafas e Taquigrafas do Distrito Federal, por intermédio de uma estratégia bem sucedida da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF).

Nas eleições gerais de 1934, a FBPF retornou ao cenário político patrocinando uma acirrada campanha nacional para a eleição de mulheres. As propostas das feministas foram resumidas num documento composto por treze princípios, com questões referentes à maternidade, melhores salários e licença-remunerada, até a discussão do acesso aos cargos públicos.

Pelo Brasil nove mulheres foram eleitas deputadas estaduais: Quintina Ribeiro (Sergipe); Lili Lages (Alagoas); Maria do Céu Fernandes (Rio Grande do Norte); Maria Luisa Bittencourt (Bahia); Maria Teresa Nogueira e Maria Teresa Camargo (São Paulo); Rosa Castro e Zuleide Bogéa (Maranhão) e Antonieta de Barros por Santa Catarina, destacando-se, ainda, como a primeira deputada negra do Brasil.

Infelizmente este período de exercício da democracia representativa durou pouco. Com o Golpe de Estado, em 1937, Getúlio passou a comandar o país usando a batuta de um regime autoritário. Os parlamentos foram fechados e as ações dos movimentos sociais, inclusive os das mulheres, foram suprimidas.

Nos anos de redemocratização pós 1945, um novo cenário político brasileiro vai se configurando e, diante da conquista do voto para as mulheres, a FBPF vai perdendo seu potencial mobilizador. Nesse período novas organizações de mulheres vão surgir, e na maioria dos casos ligadas aos partidos políticos. Com o golpe de 1964, mais uma vez os movimentos sociais são alvos de perseguição e repressão.

Com a decretação, pela ONU, em 1975, do Ano Internacional da Mulher e a retomada do regime democrático o feminismo ressurge forte e organizado. Contudo, apesar da diversidade e do aumento da participação política das mulheres na sociedade civil, inseridas nos mais diversos campos dos movimentos sociais – direitos das mulheres, combate ao racismo, etnocentrismo, defesa dos direitos reprodutivos, direitos sexuais e dos direitos humanos, ecológico, popular, comunitário e sindical – a sub-representação feminina nas estruturas formais da política permanece, ainda, um dos principais desafios a ser enfrentados pelos países democráticos.

Em âmbito mundial as mulheres representam somente 12% dos assentos parlamentares e ocupam 11% dos cargos de presidência dos partidos políticos. De acordo com cálculos das Nações Unidas, mantido o ritmo atual de crescimento da participação feminina em cargos de representação, o mundo levará 400 anos para chegar a um patamar de equilíbrio de gênero. O Brasil integra o grupo de 60 países com o pior desempenho no que se relaciona à presença de mulheres no parlamento – pouco mais de 10% nos espaços Legislativos. Pois é!

A partir de 1995 com a aprovação da política de cotas que instituiu as normas para a realização das eleições municipais do ano seguinte, determinou-se uma cota mínima de 20% para as candidaturas de mulheres. Dois anos depois a Lei nº. 9504/97 estende a medida para os demais cargos eleitos por voto proporcional - Câmara dos Deputados, Assembléias Legislativas Estaduais e Câmara Distrital - e altera o texto do artigo, assegurando não mais uma cota mínima para as mulheres, mas uma cota mínima de 30% e uma cota máxima de 70%, para qualquer um dos sexos.

Embora a adoção da política de cotas tenha estimulado o movimento de mulheres a organizar atividades destinadas a melhor preparação das candidatas - motivando lideranças feministas a se candidatarem e discutindo plataformas que priorizem as particularidades das mulheres - infelizmente, ainda são insuficientes as mudanças substantivas no cenário político brasileiro.

Por tudo isso, não podemos esquecer das brasileiras do passado, consideradas transgressoras dos costumes sociais e canônicos, que com suas atitudes ousadas e de vanguarda, deram início a uma série ininterrupta de conquistas femininas, resultando há 166 anos atrás no acesso à educação formal, há 80 anos no direito ao voto, há 26 anos na igualdade plena na Constituição Brasileira e há um ano, nas eleições de 2010, concretizaram a presença de uma mulher na Presidência da República.

Nos últimos 80 anos o mundo assistiu a grande mudança na condição das mulheres. De coadjuvantes da história, passaram a protagonizar seus destinos e desejos. Mesmo assim, ainda vivemos numa sociedade dividida em classes sociais, estruturada nas desigualdades de gênero e raça, e assentada em uma cultura política carregada de discriminações e preconceitos. Neste contexto, compreendemos que a justa representação das mulheres na política ainda depende de muita luta e de um sistema político que assegure a participação democrática de todas e todos.

Schuma Schumaher é feminista, educadora social, co-autora do Dicionário Mulheres do Brasil e Mulheres Negras do Brasil e Coordenadora executiva da Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh).

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

CADÊ AS PARADAS COBERTAS? CADÊ OS VEREADORES?

Por Paula Vielmo

Fui esperar o busão na terça-feira, 28/02 às 14:00, na "placa da parada de ônibus" localizada em frente do "antigo Paraíba" e o tempo que fiquei por lá me lembrou o enorme sofrimento de ficar debaixo desse sol escaldante de Barreiras! Que tortura sentir a ardência da pele e não ter onde se proteger. Olhar para os lados, para a frente e para trás e não ver absolutamente nada. Só foi bom para lembrar de algo sério que é preciso cobrar.

Eu queria intensamente que os vereadores e a prefeita ficassem um pouquinho esperando nas paradas sem abrigo (praticamente todas) para saber como é a vida diária de muita gente que paga seus impostos, gente humilde que não está nos gabinetes, nos carrões, no ar condicionado ou no conforto delegado a pouquíssimas pessoas. Pessoas que muitas vezes são ou se dizem "representantes do povo", mas não representam nada para além de seus interesses egoístas e mesquinhos.

Mas como disse acima, para uma coisa foi muito útil essa recordação de sofrimento: lembrei da Lei 829 de 15 de abril de 2009, sancionada há quase três anos e que dispôs sobre a cobertura de todas as paradas de ônibus.

Essa Lei está sendo desrespeitada, e quem deveria fiscalizar, o que está fazendo que não percebe e atenta para os interesses do povo? Cadê os vereadores dessa cidade? Ops, e nós temos vereadores?!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Transparência e controle social: realidade distante de Barreiras

Texto e fotos por Paula Vielmo


A etapa municipal da 1ª Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social - 1ª Consocial foi realizada nos dias 06 e 07 de fevereiro no município de Barreiras-BA, e foi, minimamente, um evento sem transparência e sem controle algum da sociedade, tamanha a manipulação dos membros do “Governo Mãe”. Certamente um evento realizado pela Controladoria-Geral da União – CGU não deveria ter tomado tais rumos.

Pensar que dentre todas as inúmeras conferências promovidas, essa seria a única em que a maioria da Comissão Organizadora deveria ser composta por representantes da sociedade civil (60%), contra 30% de representantes do poder público e 10% de representantes dos conselhos de políticas públicas, temos uma oportunidade de efetivar a “participação da sociedade civil na fiscalização, controle, monitoramento e avaliação da gestão pública”. (Parágrafo Único do Art. 1º do Regimento Interno)

No entanto, diversos aspectos deixaram a desejar, avaliada pela minha experiência como a PIOR DE TODAS AS CONFERÊNCIAS, devido às manobras e ações da maioria das pessoas governistas que lá estavam. Primeiramente, é questionável a falta de transparência na composição da Comissão Organizadora Municipal – COMU, no que trata dos representantes da Sociedade Civil, haja vista que desconheço qualquer chamado amplo para que as entidades e organizações, as mais diversas possíveis, pudessem participar. Como foram selecionadas as organizações para participar da organização representando a sociedade civil?

Em seguida, a realização da Conferência em uma data nada oportuna para a participação dos trabalhadores, pois aconteceu em pleno diurno de terça-feira, em um local privado e distante (Hotel Solar das Mangueiras). Por que não utilizaram algum a Escola Pública no Centro, já que estamos em período de férias escolares? Economizaria recursos públicos e facilitaria o acesso devido ao transporte público coletivo.

Após esses “obstáculos”, os presentes na abertura da Conferência no Centro Cultural presenciaram a truculência na condução pelo representante do governo municipal – que se manteria pelo dia seguinte - , após a composição de uma mesa quase que na totalidade composta por governistas. E se nosso governo fosse atuante e não repleto de denúncias, não haveria problema. No entanto, quando se trata de um governo que age de maneira irresponsável com os recursos públicos, que lota o Ministério Público de denúncias e não mostra nenhum trabalho em prol da população, mas apenas desrespeita o seu povo, é no mínimo, intrigante, a composição da mesa.

A abertura contou com grande debate em relação ao regimento interno, sem disponibilização de cópia aos conferencistas, bem como a não disponibilização de material de estudo aos participantes. Porém, seria na terça-feira que veríamos do que esse (des)governo municipal é capaz. A Prefeita não compareceu em qualquer das atividades da Consocial, mas enviou representantes para lesar a sociedade civil. E assim procedeu-se, através da inscrição de dezenas de servidores contratados da prefeitura, em especial da secretaria de Ação Social.

Após os debates nos Grupos, o plenário para aprovação das propostas teve um debate caloroso, juntamente com o desrespeito explicito ao regimento interno aprovado. Mais uma vez os representantes do governo fingiram não saber da existência de regras para aqueles trabalhos desenvolvidos. No entanto, o final da tarde reservava mais surpresas.

Para a eleição dos representantes de cada segmento (sociedade civil, poder público e conselhos de políticas públicas), presenciaríamos a pior cena de todas, com a manipulação da eleição dos membros da sociedade civil através da coerção dos servidores contratados, enfileirados, e tendo indicação de em quem votar.

Sem dúvidas, o “objetivo principal de promover a transparência pública e estimular a participação da sociedade no acompanhamento da gestão pública, contribuindo para um controle social mais efetivo e democrático que garanta o uso correto e eficiente do dinheiro público” (art. 1º do Regimento Interno da Consocial) não foi alcançado na etapa realizada em Barreiras e o que vivemos nos dias 06 e 07 de fevereiro de 2012 foi um golpe ao difícil processo de construção da tão desejada democracia.

O momento mais trágico: votação manobrada, com servidores contratados em fila indiana

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Polícia em greve: aumentou ou revelou o caos?

Por Paula Vielmo


Estamos entrando no 10º dia de greve da Polícia Militar baiana e de ocupação da Assembleia Legislativa da Bahia - ALBA. Um clima de tensão tomou conta do Estado e também de Barreiras, na sua condição de 'capital do oeste".

A greve da PMBA é legítima, apesar de ser considerada ilegal, porque Militares não podem entrar em greve de acordo com a Constituição. Mesmo em se tratando da "Constituição Cidadã", como é conhecida a Constituição Federal de 1988, é uma falha gravíssima proibir um segmento trabalhador de se organizar e de reivindicar melhorias, mesmo que esse segmento seja um braço do Estado, como é o caso da Polícia Militar.

Essa greve é acima de tudo política e as conquistas até o momento, bem como a resistência dos PMs é uma ameaça a "ordem estabelecida" e ao progresso do capital. A "insubordinação" da PMBA em finalmente reivindicar seus direitos, sistematicamente desrespeitados, é uma afronta, até mesmo para um Governo que tem como Chefe do Poder Executivo alguém que saiu das fileiras sindicalistas e dos Trabalhadores. Até mesmo o Governador do Partido dos Traidores, ops, Trabalhadores, revelou o seu lado autoritário e intransigente mais ainda nessa greve, pois Jaques Wagner - o novo malvadeza - já mostrou sua face autoritária outras vezes, com outras categorias em greve, como a dos Professores das Universidades Estaduais, em que teve corte do ponto.

No entanto, diante de MAIS UMA GREVE, a situação é diferente. A greve da PMBA mexe com a segurança, mas não sei muito bem onde se localiza essa tal segurança, e ameaça sobretudo os interesses financeiros da capital do Estado da Bahia às vésperas de uma festa em que circulam milhões de reais, atraí turistas do país inteiro e de outros países e ameaça os lucros que o Carnaval promove. Lucro para os donos de blocos a artistas mercantilizados, que fique claro!
Além disso, tendo a mídia a seu serviço, promovendo e dissipando um terror que não é real, a sensação de insegurança imposta faz com que as pessoas comecem a se posicionar MAIS UMA VEZ contra os trabalhadores que estão lutando. E eu considero que dentro da Polícia, como Aparelho de Repressão do Estado, existem trabalhadores. E trabalhadores com consciência, em qualquer segmento e organizados, causam realmente terror à ord
em estabelecida, ainda mais quando parte de quem deveria manter a ordem. É a maravilha da contradição no sistema capitalista!

Esse terror implantado fez com que as conversas em Barreiras fossem centradas nos assaltos e ausência de policiamento. No entanto, desde quando há essa segurança toda com a presença de PMs nas ruas? Os assaltos ocorrem TODOS OS DIAS, as mortes também, e não é por causa dos policiais em greve. É porque não existe realmente segurança pública, e isso é responsabilidade do ESTADO e não dos trabalhadores!

Hoje a tarde vi TRÊS HOMENS DO EXÉRCITO fazendo a segurança de uma padaria. Desde quando os PMs fazem essa segurança? E desde quando SERVIDORES PÚBLICOS devem fazer a segurança de prédios privados com tanta exclusividade quanto a cena me revelou? Por que não temos homens do Exército nas portas e ruas das escolas públicas que suspenderam as aulas por medo de acontecer algo à comunidade escolar?
Creio que estamos vivenciando algo criado e manipulado, uma realidade que faz com que a grande maioria acredite realmente que o que dizem é verdade, algo como "matrix" ou "A revolução dos bichos", afinal, uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade.

No final, desejo é que os grevistas tenham êxito nas suas reivindicações e sejam um belo exemplo de resistência aos demais trabalhadores. TODO APOIO À GREVE DA PMBA!


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Quando a alma chora

Por Paula Vielmo
Pós Conferência Municipal de Transparência e Controle Social


Nesse momento
uma fraqueza me toma
mesmo que lute contra ela.

Tento, tento e
minha vontade é chorar.
Mas as lágrimas não caem.

O coração está partido e as
palavras de Heloísa Helena me veem a mente:
"é melhor ter o coração partido
do que a alma vendida"

Diante de toda a situação de marionete
em que as pessoas estão submetidas
me apego com afinco aos poucos/as
que resistiam.

Muito poucos/as,
mas que resistiam.
E resistimos até o fim.
Acabou?