domingo, 5 de setembro de 2010

Campanha pelo limite da propriedade da terra no Brasil

Iniciou no dia 01 de setembro e vai até a próxima terça-feira, 07 de setembro, o Plebiscito Popular pelo limite da propriedade da terra. Infelizmente a desarticulação e até mesmo inexistência de movimentos sociais em Barreiras, faz com que fiquemos fora do plebiscito e sem poder votar SIM para essa importante demanda histórica.

No entanto, outra ação importante da campanha para limitar a propriedade rural é a coleta de assianturas no abaixo-assinado que apoia uma "emenda constitucional para inserir inciso V ao artigo 186 da Constituição Federal, estabelecendo que para cumprir a Função Social a propriedade rural terá limite máximo de 35 módulos fiscais, como forma de garantir a democratização do acesso à terra e a soberania territorial e alimentar"

Nesse sentido, o Partido Socialismo e Liberdade de Barreiras, entendendo a importância dessa iniciativa por parte de diversos Movimentos Sociais pelo país, estará nesta segunda-feira, 06 de setembro, coletando assinaturas na Praça Castro Alves, em Barreiras, das 15h00 às 19h00.

Colabore com essa causa justa! Compareça, divulgue, assine.

Mais informações sobre a campanha em www.limitedaterra.org.br


"Ou o Brasil põe fim ao latifúndio, ou o latifúndio acaba com o Brasil"

domingo, 15 de agosto de 2010

Eleições e maneiras de explorar

Por Paula Vielmo

Faz algum tempo que não atualizo o blog, mas não é por falta de assutos a debater por aqui, é por falta de organização para sentar e digitar. Assim, para retomar a escrita, resolvi começar por um fato que me chamou atenção nesse período eleitoral.

Estamos em pleno período de campanha eleitoral, de disputa de projetos para o Brasil e para a Bahia ou de disputa pelo poder, haja vista que nem todos/as possuem projetos realmente. E no meio dessa turbulência de carros de sons, santinho, banners, comitês com faixadas chamativas, uma coisa me chamou a atenção, novamente: as pessoas em locais públicos, balançando bandeiras de candidatos/as.

Essa prática não é dessa eleição, tampouco sei de quando vem, no entanto, é sempre deprimento olhar para aquelas pessoas debaixo de um sol escaldante balançando bandeiras de candidatos/as, num subemprego eleitoral. Sim, sabemos que quem está fazendo aquilo não é um/a militante, mas pessoas que recebem muito pouco por aquela função.

A relação de exploração do trabalho humano está explícito através daqueles/as que querem representar a população. Ora, não discutirei aqui a qualidade das representações, nem a quem de fato a maioria representa, mas apenas reflito sobre a miséria e a que se submete e é submetido o ser humano diante da necessidade.

Preste atenção no nome e rosto dos/as candidatos/as que utilizam dessa prática e não legitime-a através de seu voto. O meu certamente nenhum deles/as terá!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Em NY, investidores veem poucas diferenças entre Marina e outros candidatos

As propostas econômicas da candidata do Partido Verde (PV) à Presidência, Marina Silva, expostas nesta quinta-feira em um evento organizado pela BM&F Bovespa em Nova York, não surpreenderam os investidores presentes. No geral, eles não viram diferenças entre a visão de mercado da candidata e de seus concorrentes Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

Os investidores ouvidos pela BBC Brasil já esperavam que a candidata propusesse a manutenção das políticas macroeconômicas implementadas pelo Plano Real e a independência do Banco Central.

Marina confirmou as expectativas dizendo que seu eventual governo se compromete com "três alicerces macroeconômicos: o sistema de metas de inflação, a responsabilidade fiscal e o regime de câmbio flutuante".

William Landers, diretor-gerente da gestora de ativos BlackRock, que administra cerca de US$ 3 trilhões em recursos em todo o mundo, por exemplo, disse que dar continuidade "ao que tem funcionado na parte econômica é muito importante, porque o mercado, nessa parte de políticas econômicas, não quer ver muitas mudanças".

Landers é responsável pela gestão dos fundos de ações dedicados à América Latina que reúnem cerca de US$ 9 bilhões.

"Claramente, o foco dela é na parte ambiental, que é importante, mas não sei se é possível ter uma plataforma completa de governo baseada em meio ambiente", disse.

"O meio ambiente está sendo discutido muito por aqui, especialmente com todos os investimentos que vão ter que ser feitos com a Copa do Mundo (de 2014) e os Jogos Olímpicos (de 2016), mas acho que, no final das contas, a parte econômica (da apresentação de Marina) ficou dentro do esperado."

Diferença

Landers acredita que "é difícil ficar diferenciando os candidatos, porque (o discurso) é tudo muito igual". Ele diz que a eleição presidencial não deve mudar a direção do mercado brasileiro.

"O mercado está tranquilo porque os alicerces do Plano Real vão continuar, seja na administração de José Serra, de Dilma Rousseff ou de Marina Silva. Isso dá tranquilidade para não se preocupar com as eleições, e isso é o que é importante para o mercado hoje em dia."

Segundo Glenn Toth, diretor-gerente da Place Capital Advisors, "as preocupações da candidata são pertinentes com programas de investimentos em infraestrutura e capital humano", mas, "para impressionar, ela precisaria entrar em mais detalhe na parte financeira".

Ana Soriano, diretora da Barclays Capital, disse que faltou "saber quais são os planos (de Marina) para verdadeiramente abrir o mercado brasileiro e atrair mais investimentos e talento humano do exterior".

Os investidores aplaudiram apenas uma vez durante a apresentação da candidata, após Marina ter declarado que não haverá perdão em seu governo para empresas que infringiram leis florestais no passado.

"A ministra tem um papel importante na política brasileira, protegendo o meio ambiente", disse Landers.

Oportunidades

William Rhodes, conselheiro- sênior do Citibank, concorda que o novo presidente deve continuar as políticas macroeconômicas.

"Nada é perfeito, mas, no geral, essas políticas macroeconômicas têm sido adequadas", diz.

"Uma das coisas que o Brasil começou a fazer e que é correto é começar a diminuir os programas de estímulo, e isso é necessário porque muito dinheiro foi direcionado a esses programas. Se o governo não começar a desacelerar um pouco, vamos acabar com uma situação semelhante ao sul da Europa", diz.

"Se ele (o governo) superaquecer a economia, vai voltar a inflação. Se há um país que conhece e respeita a inflação é o Brasil."

Rhodes disse ainda que o Brasil foi "presenteado" com oportunidades excelentes, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. "O relógio está correndo e há muito a fazer."

Outros assuntos abordados por Rhodes durante o evento foram a necessidade de investimento em capital humano, de reforma fiscal e administrativa, de proteção ao meio ambiente, de redução da burocracia e do custo de fazer negócios no país.

"O Brasil foi reconhecido de tantas maneiras. Ele é membro do comitê da Basileia, do G20, foi escolhido como anfitrião para a Copa do Mundo e para os Jogos Olímpicos. As pessoas estão olhando para o Brasil mais do que o fizeram no passado, e isso faz com que os brasileiros também olhem para si mesmos. Quando isso acontece, não há limites para a grandeza e o potencial do país", disse.

BBC Brasil

sábado, 24 de julho de 2010

Relatório sobre meia-entrada está pronto na Comissão de Seguridade

Está pronto para ser votado na Comissão de Seguridade Social e Família o relatório do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG) sobre o projeto (PL 4571/08) que altera as regras da meia-entrada para estudantes nos eventos esportivos e culturais.

De acordo com o parecer, a Carteira de Identificação Estudantil terá um modelo único em todo o País, será confeccionada pela Casa da Moeda, para evitar fraudes, mas será expedida por entidades de representação estudantil legalmente constituídas.

O texto retira a limitação de reservar a meia entrada para 40% do total de ingressos de cada evento, como previsto na proposta original.

A proposta revoga a Medida Provisória 2208/01, que retirou a exclusividade de as entidades estudantis emitirem carteira de identidade estudantil. Eduardo Barbosa assinala que, ao ampliar a expedição do documento aos estabelecimentos de ensino ou agremiação estudantil, a MP permitiu a emissão de carteiras de forma descontrolada e sem critérios definidos, “levando a um aumento desproporcional do número de beneficiários e alterando a relação comercial entre empresários e o público consumidor”.

Representatividade
O relator explica, no entanto, que o texto não dará privilégio na emissão do documento por uma única entidade, como a União Nacional dos Estudantes (UNE). Segundo Eduardo Barbosa, as outras entidades representativas dos estudantes precisam se envolver no processo de identificação. "Nós abrimos para todas as instituições representativas dos estudantes legalmente constituídas. Com isso as próprias representatividades dos estudantes precisam chegar perto dos estudantes, que deverão tê-las como referência de representatividade."

O projeto também prevê que os órgãos públicos competentes federais, estaduais e municipais devem fiscalizar o cumprimento da lei e a aplicação das sanções administrativas e penais. Determina, ainda, a afixação de cartazes em local visível da bilheteria e da portaria, em que constem as condições para a concessão do
benefício.

Fraudes
O presidente do Diretório Nacional dos Estudantes, Carlos de Oliveira Junior, apoia as mudanças no projeto, mas reclama dos empresários culturais que adotaram estratégias para reverter supostos prejuízos com o benefício de redução de preço para os estudantes. "A indústria da carteira de estudante no Brasil é clara. Eles simplesmente aumentaram o preço do ingresso e vendem meia para todo mundo. Eles estão cometendo um crime tributário quando vendem meia-entrada para quem não é estudante. Estão deixando de recolher o imposto que seriam obrigados a recolher se vendessem ao preço de inteira."

O projeto tenta acabar com as fraudes também por parte de instituições de ensino que emitem certificados de matrícula para quem não vai cursar as aulas. Segundo o deputado Eduardo Barbosa, apenas os estudantes de ensino regular, universidades e cursos de pós-graduação terão direito ao benefício. "Excluímos a possibilidade de outros cursinhos emitirem carteira de estudante porque isso dá margem também a irregularidades, a falcatruas. Nós recebemos várias denúncias de lugares que às vezes matriculam as pessoas, que pagam uma taxa de matrícula, mas não frequentam o estudo, só para ter depois uma carteira de estudante."

Pela emenda apresentada pelo relator, a representação estudantil fica obrigada a manter o documento comprobatório do vínculo do aluno com o estabelecimento escolar, pelo mesmo prazo de validade da respectiva Carteira de Identificação Estudantil.

De acordo com o projeto, além dos estudantes da educação básica e superior, os idosos acima de 60 anos de idade também terão direito ao benefício da meia-entrada.

Tramitação
O relator acatou o texto aprovado pela Comissão de Defesa do Consumidor. Depois da Comissão de Seguridade, o projeto ainda precisa passar pelas comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

Reportagem - Keila Santana/ Rádio Câmara
Edição – Regina Céli Assumpção
Fonte: Agência Câmara

quarta-feira, 21 de julho de 2010

SACANAGEM EM RELAÇÃO A MEIA ENTRADA

Por Paula Vielmo

Hoje, quando fui comprar o ingresso para a festa FANTASY 10 me deparei com um fato que merece ser tratado com urgência pelo tamanho desrespeito à legislação de meia entrada e sobretudo ao direito estudantil garantido há décadas através de lutas de diversas gerações combativas no Movimento Estudantil.

Chegando a um dos postos de venda – Farmácia Paris, localizada na Av. Coronel Magno, 395 Centro (Esquina com a Secretaria da Fazenda), indaguei a vendedora sobre o valor do ingresso. Ela respondeu “R$30,00 (trinta reais)” e retruquei que queria uma meia. A vendedora disse apenas “R$30,00”, repetindo isso por mais duas vezes, ao tempo em que eu dizia "quero uma meia". Em seguida, ela disse que esse era o valor da meia e mostrou-me um ingresso que continha a inscrição “MEIA”. Senti uma raiva, mas lembrei que a moça era apenas uma trabalhadora que cumpria ordens. Indignada, comprei o ingresso, pois já esperava que haveria algum problema de desrespeito, e ela respondeu que eles só vendiam ingressos assim. Como só vendem assim? Estava implicito no discurso a fraude realizada naquele momento.

Diante de tal fato, é transparente mais uma vez os meios que os promotores de eventos em Barreiras usam para burlar a lei de meia entrada e desrespeitar o direito garantido; mais uma vez, os mesmos e constantes promotores de eventos, vendem com preço único os ingressos ditos antecipados, burlando a lei e certamente contando com a histórica impunidade que reina no município de Barreiras, uma terra sem lei!

Saí do posto de vendas arrasada! O sentimento de que algo precisa ser feito dividiu espaço com a terrível sensação de impotência e de conivência ao ter adquirido o ingresso. Naquele momento de ódio, uma ideia surgiu e imediatamente será posta em prática. É uma ação legal, permitida pela legislação burguesa, limitada, "burro"crática, mas que fará alguma mínima diferença.

Naquele instante, uma outra sensação surgiu: a de que os anos e anos lutando e denunciando a questão da meia entrada desrespeitada em Barreiras, pelos mesmos que organizam essa festinha em questão, não adiantaram. No entanto, passada a raiva, veio uma reflexão: algo mudou, agora eles tem o trabalho de colocar "meia" nos ingressos. Estão burlando a lei, mas é só um sinal de que a luta continua!

"Ousar lutar, quando a regra é ceder!"


Audiência pública não teve público

Por Paula Vielmo


Ontem, 20 de julho era para acontecer na Câmara Municipal de Barreiras uma audiência pública com o tema: "uso e ocupação indevida das calçadas e passeios públicos". A audiência marcada para as 19h00, não teve quorum.

Cheguei à Câmara às 19h25, atrasada, e me deparei com um auditório vazio. Lá, só estavam as autoridades constituídas: presidente da câmara, prefeita, secretários e alguns funcionários/as da Câmara. A partir das 19h40 começaram a chegar mais pessoas, vereadores, o promotor. Porém, devido ao esvaziamento e a aparente falta de interesse da população, a audiência foi remarcada para a próxima terça-feira às 19h00.

Diante daquele esvaziamento já previsto, é necessário pensar sobre as causas daquele resultado, para além da superficialidade de que as pessoas não querem participar. Mas por que as pessoas não querem participar?

Inicialmente, minha avaliação parte do fato de que a audiência não foi massiçamente divulgada, muito menos com antecedência. Não houve faixas avisando sobre o evento como acontece nos dias festivos; não houve envio de convites, como acontecia com qualquer reuniãozinha; não houve publicidade em carros de som antes da data (no meu bairro passou no dia, uma hora antes). Vi apenas na internet, mas toda e qualquer pessoa com o mínimo de intenção em fazer as pessoas terem conhecimento e participarem, sabem que internet apenas não funciona. Essa desmobilização seria proposital?

Somemos a tudo isso o fato histórico-político-cultural da pouca participação popular nos assuntos de interesse coletivo e os modelos de audiências (palestras) realizadas em Barreiras, acredito que temos uma visão um pouco mais ampla sobre o resultado fatal de ontem: não teve público para a audiência pública.


domingo, 18 de julho de 2010

ROCK, RECITAL E LETRAS



ROCK, RECITAL E LETRAS



22 de julho, quinta-feira a partir das 18h00 no Cantinho Universitário da UNEB



Com:


BINGO CULTURAL (cartela R$2,00)

BANDA ENPHASIS

BANDA PROJÉTIL PARALELO


Entrada franca!!!

Venha prestigiar! \o/


Realização: Colegiado de Letras / UNEB

Audiência pública sobre calçadas nesta terça!


Acontecerá na próxima terça-feira (20 de julho) às 19h00, uma audiência pública na Câmara Municipal de Barreiras "para discutir o uso e ocupação indevida das calçadas e passeios públicos" do município.


Sabemos que é um problema histórico e cultural de Barreiras, e pela relevância, acredito que devemos nos fazer presente no sentido de falar o que queremos e ouvir o que se pretende fazer e quando irá acontecer, pois de promessas já estamos, acredito eu, fartos/as!

Todos/as à Câmara nesta terça às 19h00!!!


sexta-feira, 16 de julho de 2010

12 razões para desconfiar de Marina (e do PV)

12/07/2010 — Rodolfo Pelegrin

Hoje descobri esta página, feita para “reforçar” a argumentação dos defensores da candidatura Marina Silva. Ela expõe “12 razões para você usar quando precisar explicar rapidamente porque votar em Marina“. Há muitos aspectos curiosos nestas razões. Muitas não são, em si, razões para votar em alguém. Muitas razões são a mesma “razão”. E todas demostram claramente o rebaixamento programático da candidatura.

Por exemplo: (1) “tem causa”, (2) “quer desenvolvimento sustentável” e (6) “é verde”, são claramente a mesma coisa: Marina seria uma candidata ambientalista. Algo que fica difícil de se acreditar, partindo de quem aprovou os transgênicos na agricultura, aprova as hidrelétricas na bacia amazônica, e participou de quase todo o governo Lula, um desastre na área.

Novamente, os itens (7) “tem capacidade de gestão”, (8) “tem equipe” , (9) “nova forma de governo” e (11) “combate o desperdício” são essencialmente a mesma idéia: de que Marina teria capacidade para fazer uma administração eficiente. É de se duvidar: o PV é o verdadeiro partido da boquinha. Não é oposição em lugar nenhum: sempre apoia o governo, seja do partido que for, para ganhar uns cargos em troca. Portanto, falar que vai “acabar com o loteamento de cargos públicos” com o PV chega a ser risível.

Outras “razões” já nem são razões. Ter determinada origem social (3) ou gênero (12) não é motivo para votar em alguém. Há ótimos e péssimos exemplos de qualquer lado.

Pra completar, tem as típicas piadas do marketing eleitoral: (5) “terceira geração de programas sociais” nada mais é do que prometer o que é sempre prometido, com novas palavras, pra mais uma vez ficar apenas no discurso. Outra brincadeira: ela é “sucessora” (10), palavra para a qual os marqueteiros definiram o significado: não seria nem opositora, nem continuadora. Em outras palavras, o principal não muda, mas muda, ou não, quem sabe?

Enfim, fica demonstrado o perfil da candidatura Marina: um apelo à emoção, ao simbolismo da superação pessoal, da “sustentabilidade” – uma falsa impressão de “modernidade”. Programa, política, tanto faz, afinal, os empresários já fizeram mesmo. E por baixo disso, alianças com o que há de mais atrasado e conservador na política brasileira.


FONTE: http://rodolfopelegrin.wordpress.com

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A epopéia de Eliza

por Diana Costa - feminista, militante atuante da Bahia e historiadora.


Imagine-se assistindo a uma tragédia grega escrita por um grande dramaturgo. O palco pode ser Atenas no século III a.C. ou o Rio de Janeiro em 2010. A personagem principal é uma mulher que se apaixonou por um homem casado. Seu dilema, suas experiências e o desenrolar dessa história formam a trama da peça.

Na sociedade em que Eliza – ela se chama Eliza – vive, é comum que homens comprometidos tenham relações extraconjugais. Às mulheres isso não é permitido, claro. Afinal, lá as leis de propriedade são bem claras: o dono pode fazer o que quiser, cabe ao escravo, à mulher ou ao animal obedecer-lhe, ser fiel e servi-lo quando exigido. Não são considerados cidadãos, portanto não têm direitos.

Mas em determinado momento – no segundo ato, para ser mais precisa – nossa personagem engravida. Isso ocorre ainda no início do romance entre eles. A questão se torna então muito mais complicada: segundo as leis não escritas, tudo bem o homem pular a cerca, mas sem grandes conseqüências como destruir um casamento ou, pior ainda, deixar um herdeiro!

A choradeira ganha força no palco. O coro entoa o ódio da esposa traída. Eliza aparece no canto direito da platéia, já com seu ventre crescendo.

O goleiro, ops, o marido, é um homem público proeminente e decide dar um basta naquilo. Não teria como arcar com tamanho escândalo moral. Não queria ser responsável por seus atos. Ele resolve forçar a jovem a interromper a gestação.

Entra em cena um observador da história, que coloca a seguinte dúvida: “– Ué, mas isso não era crime? Pode fazer aborto no Brasil?”

Persuadida, Eliza toma a poção feita pelos oráculos, mas por sorte o remédio não tem efeito. Ela de fato queria a criança. Os deuses devem ter ouvidos suas preces.

A narrativa avança no tempo e, alguns meses depois, o neném nasce, amparado pela família de Eliza. Ela decide que o goleiro precisa conhecer e reconhecer seu filho. Torna pública a questão e pede auxílio às autoridades locais. Era um menino, um varão, um cidadão! Algo seria feito, sem dúvidas.

Mas Eliza tinha ido longe demais. Seu ex-amante, que antes a amava, planeja em detalhes seu assassinato. Era a única forma de não tê-la mais importunando a sua vida. Uma história dessas poderia, afinal, impedir sua ascensão profissional, comprometer sua imagem e, pior ainda, dilapidar sua fortuna crescente.

Achava que ninguém daria falta dela. Era, afinal, uma mulher sem grande notoriedade. E de fato, o apelo aos sábios e à força da lei ainda não havia surtido efeito. Tinha que aproveitar a oportunidade. Pediu ajuda a alguns amigos e tentou não se envolver diretamente na ação.

Daí para frente, as cenas são de horror: Eliza é seqüestrada, mantida em cárcere privado, espancada. Por fim, é morta e esquartejada. Seus restos são oferecidos a Cérbero, guardião do reino de Hades.

O coro entra no final com a lição de moral da história: Eliza foi longe demais para uma mulher. Apaixonou-se de forma livre, engravidou do homem errado, não aceitou suas ordens. Morreu, como deveria ser.

O texto lhe pareceu absurdo demais? Bem, ele pode ser resumido em algumas poucas palavras: pelo menos desde a Grécia Antiga a mulher é considerada pela sociedade (machista) inferior ao homem, de onde decorre todo o tipo de preconceito e discriminação. Entre elas, a violência física e o assassinato. De Sócrates a Bruno, a triste verdade é que Eliza é apenas mais uma personagem dessa epopéia feminina.

Fonte: http://saudemulheronline.blogspot.com