segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Breves registros do que passou: junho a agosto

Por Paula Vielmo

Faz cerca de três meses que não escrevo. Não é falta de pautas, nem de tempo, mas um tal de desânimo que retira o sentido e precisa de um tempo para a reanimação. Todavia, como o tempo não pára, muitas coisas importantes acabaram sem registro no período mais adequado, mas para fins de registro mesmo, irei fazer comentários breves sobre tais pautas, ao invés de textos sobre cada uma.

JORNADAS DE JUNHO E A MOBILIZAÇÃO EM BARREIRAS

A mobilização nacional ocorrida em junho e julho de 2013 foi, realmente, histórica. No entanto, não significou levante popular, mas uma mobilização midiática, incentivada sobretudo pela mídia televisiva, diante da dimensão que os rumos estavam tomando. Foi interessante para levar as pessoas às ruas, exemplo das estimadas 8 mil pessoas que ocuparam a Avenida de Barreiras, muitas das quais participando de um protesto pela primeira vez.

Porém, isso não se manteve. Ao contrário do que se propagou, o gigante não acordou. Ele já voltou a dormir "em berço esplêndido", e nosso povo voltou para a sua rotina.

Em Barreiras, a mobilização não teve foco, organização ou caráter de ato de rua. Simplesmente seguiu a moda nacional e os parâmetros da mídia burguesa. Eu chamei de desfile cívico, e realmente fiquei decepcionada com o que presenciei. De toda maneira, é preciso considerar que existe disposição para a luta por parte do nosso povo, falta realmente o despertar!

MARCHA DAS VADIAS 2013

Em 01 de agosto aconteceu a segunda edição da Marcha das Vadias de Barreiras, trazendo o debate sobre a violência de gênero e os assustadores números de violência contra a mulher, também em Barreiras.

Foi menor do que em 2012, tanto em termos de atividades preparatórias quanto de público presente na Marcha ou de divulgação por parte da imprensa local. Sinceramente, isso não me surpreende, porque é muito raro a imprensa local noticiar algo que seja tão polêmico e que, de fato, mexa com as estruturas da nossa sociedade machista. De toda maneira, a gente estava lá pela causa, mesmo sem apoio!

A MDV deste ano foi menor, mas mais qualificada. Todas as pessoas que foram sabiam do que se tratava, não estavam alienadas ao tema e nem agiram como massa de manobra (ao contrário do que aconteceu no desfile-cívico).

Sobre o 7 de setembro vou escrever algo específico, porque teve desdobramentos que merecem denúncia e registro!

Cachorro não gosta de osso

Por Robson Vieira
Postado originalmente em: 


Dizem que cachorro gosta de osso, por sinal discordo. Já parou para experimentar essa teoria furada!? Duvida do que falo? Pois então faça o teste e tire suas conclusões. Coloque duas porções: um filé bem apetitoso e um osso. O cachorro certamente escolherá o filé, ele come osso quando não tem outra opção.

No processo de acesso e consumo dos produtos culturais acontece um fenômeno parecido, o povo consome muita coisa ruim por que nem sempre tem acesso a coisas de boa qualidade. Tem muita gente comendo osso por ai, a tal ponto que consumir filé terá que ser um exercício gradativo para não correr o risco de morrer engasgado. Pela qualidade e quantidade de coisas boas que temos na nossa cultura dá pra suprir o mais faminto do ser. Fome é pra ser saciada, a fome cultural também.

Não quero com isso dizer que existe supremacia de uma determinada cultura sobre outra, o que há são culturas diferentes. No entanto, não posso negar que, a meu ver, existe cultura com conteúdo e culturas empurradas goela abaixo sem direito ao famoso “quilinho” o que na certa há de provocar uma indigestão. Por cultura de conteúdo entendo tudo aquilo que nos faz pensar, refletir, que politiza, provoca e mexe com as nossas sensações humanas, afinal tudo tem que ter um razão de ser, do contrário não faz sentido. 

Penso que sem objetivo, função e funcionalidade tudo perde o sentido. Certa vez ouvi dizer que cultura é tudo aquilo que nós fazemos e os macacos não fazem, concordo. Por tanto, não discuto a identificação cultural dos fenômenos, coloco em cheque a sua função. Por isso questiono a característica cultural das coisas e nunca sua catalogação enquanto produto cultural. 

Para melhor entendimento, pense comigo, qual a função cultural desse excesso de músicas carregadas de cacofonias e pornografias gratuitas? Em que edifica essas novelas e demais produtos televisivos desprovidos de conteúdos e repletos de apelação e bestialidade? Por que tudo isso ganha corpo enquanto muitas coisas boas não conseguem se quer ser vistas? Há um jogo político poderoso e muito bem articulado. O dinheiro público utilizado na cultura, na maioria das vezes, fica nas mãos de quem mais tem. E aí se repete a saga: uns poucos ficam comendo filé e o resto a roer osso. Por tudo isso tenho cada vez mais concordado que a televisão brasileira é mais educativa quando desligada. O que existe é uma falsa impressão de que ao termos o "controle" em nossas mãos temos o controle da situação, na pratica é bem diferente. Comemos produtos prontos, o cardápio não está aberto a sugestões. É isso ou é isso e ponto final. Reafirmo, a televisão brasileira é ruim de segunda a sexta-feira, no sábado e domingo consegue ficar pior. Dirão: temos TV a cabo, mais isso não é pro “cabo” de qualquer um, quem não tem filé acaba comendo osso mesmo. 

Sortudo que sou, hoje no Centro de Cultura da Pontifica Universidade Católica de Goiânia, tive a oportunidade de participar de um banquete cultural, a gravação de mais um DVD do Grupo Sons do Cerrado, no qual fazem uma releitura de músicas folclóricas da manifestação cultural natalina dos povos do Cerrado, pesquisa musical realizada em Correntina, Bahia, cidade rica em musicalidade, pelo grupo Sons do Cerrado ganhou estética e arranjos tornando-se em produto. 

Estranho é saber que esse material nunca foi objeto de pesquisa das universidades baianas, por outro lado, temos a presença sempre constante de universidades goianas estudando esse universo e faz isso com maestria. Quero crer que a recém criada Universidade Federal do Oeste da Bahia possa assumir a missão de reconhecimento, valorização, estudo e pesquisa das riquezas culturais de nossa região. Dentro da gigante Bahia temos muitas outras bahias totalmente singulares, muitas delas, como a nossa, necessitada de políticas culturais que correspondam com as suas pulsantes produções e conteúdos. 

Que na omissão do estado, nós cidadãos, continuemos com o nosso processo de produção e disseminação de uma cultura transformadora. Precisamos provocar, temos ao menos que tentar acordar muita gente. Cultura em movimento é sempre mais bonita. Chega de comer e aceitar banquete de osso, vamos exigir filé. 

Bom apetite cultural para todos!

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Barreiras em Imagens (III)

Ônibus coletivo QUEBRADO no meio da rua - 03/07/2013 - Empresa "Cidade Barreiras"
Não é um "acaso", é um caso corriqueiro.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O MITO DO "GIGANTE ADORMECIDO


Por Flávio Dantas Martins
Professor de História/ ICADS-UFBA

Seguem umas reflexões que fiz sobre essa "onda" que tomou o Brasil. Sei que a rede social não é tribuna de imprensa, mas ainda não aprendi a pensar em 140 caracteres.

NÃO FOI A CONSCIÊNCIA POLÍTICA QUE LEVOU OS MANIFESTANTES ÀS RUAS, AS RUAS É QUE LEVARÃO A UMA NOVA CONSCIÊNCIA POLÍTICA
Foto: Arquivo pessoal
É necessário um enfrentamento dos setores populares, progressistas, socialistas contra as tendências fascistas e conservadoras que estão em processo de formação no Brasil e que tem ocupado espaços cada vez maiores na sociedade brasileira. Lembrar que, por definição, a extrema direita é mobilizadora e participa de ações de massa. Eric Hobsbawm definia os fascistas como os "revolucionários da contrarrevolução". A espontaneidade e a organização improvisada que orientam os protestos de massa não podem deixar que prevaleçam tendências supostamente apartidárias e é preciso mesmo que todos definam qual suas ideias, visões de mundo e seu partido (que não precisa necessariamente ser eleitoral). É preciso que haja a unificação da pauta e que o passe livre se conjugue com a luta contra a PEC 37, que o combate à corrupção seja materializado em propostas de luta contra os megaprojetos estilo supereventos, usinas de Jirau e Belo Monte, transposição do São Francisco e outros projetos faraônicos e que as lutas rurais dos indígenas, camponeses e trabalhadores rurais cheguem às cidades. No dia em que essas ações de massa entrarem em refluxo, haverá algo importantíssimo na disputa que é o sentido das mesmas. Elas formarão uma geração mais progressista, republicana, simpática ou mesmo orgânica em relação às lutas populares, sindicais e camponesas ou deixará na boca desse povo um gosto do reacionarismo de falso "antipartido"?

A VERDADEIRA CONTRADIÇÃO NÃO É ENTRE POLÍCIA E MANIFESTANTES. A mídia dos patrões apresenta as manifestações como conflitos de rua entre duas torcidas: uma jovem, idealista, ingênua e dada a atos de vandalismo e outra fardada, armada e truculenta. As confraternizações entre militares e manifestantes são ocultas e o verdadeiro adversário dos pontos de pauta discerníveis - passe livre, campanha salarial da educação e rejeição aos megaeventos - não vão às ruas se confrontar com os militantes. O papel da força militar num conflito desse tipo em uma sociedade democrática é o de garantir a segurança dos que realizam seu direito constitucional de manifestação política e de garantir o trânsito que não é composto somente de veículos e que, legalmente, deve privilegiar os pedestres. Os inimigos da pauta que está posta é o empresariado do transporte "público", os grandes favorecidos pelos lucros produzidos pelos megaeventos, o agronegócio e a roda financeira que está indiretamente ligada aos megaeventos, hidrelétricas, em resumo, uma série de setores do patronato e seus representantes na sociedade política. É desnecessário entrar em maiores detalhes e explicar como o aumento da tarifa de transporte coletivo e o uso de recursos públicos angariados dos impostos - em um país que tributa o consumo e não a renda - é uma forma de exploração de mais-valor relativo, para concluir que há, em torno do conflito que levou ao estopim das primeiras grandes manifestações, uma contradição entre capital e trabalho. Naturalmente, estamos longe de ter duas conclusões ideológicas que emergem mecanicamente do conflito. A luta simbólica em torno da representação das manifestações é fundamental para sustentar e dirigir a luta de rua, a "votação com os pés".

DERRUBAR O MITO DO "GIGANTE ADORMECIDO". O Brasil nasce sob o signo da guerra: guerras justas entre colonos e índios, rebeliões e fugas de africanos, Palmares, as guerras anticoloniais que garantiram a independência, as guerras camponesas de Contestado e Canudos, a revolta da Chibata, as lutas pela alternativa camponesa, as lutas pela reforma agrária, o petróleo é nosso, as lutas trabalhistas. Mais recentemente, temos as lutas em torno da moradia, do passe livre e os conflitos envolvendo o latifúndio contra indígenas e povos tradicionais. Elas expressam o caráter bélico da sociedade brasileira. O mito do "gigante adormecido" só interessa a fins de apropriação integralista das manifestações. Além, é claro, de impossibilitar a visualização da necessidade de unificação em torno das lutas. Os despejos que acontecem nos arredores da Fonte Nova, do Maracanã, da Transposição, das usinas de Belo Monte e outras menores, tudo está interligado. São expressões distintas de um mesmo projeto desenvolvimentista que compra amplos setores populares confundindo direito à educação com profissionalização precarizada, consumo com extensão de direitos e apatia pró-governista com consciência política de esquerda. E os que lutam por uma cidade acessível e pública - não é este o sentido da revolta dos vinte centavos? - lutam contra os mesmos inimigos dos índios do Xingu e dos Guarani Kaiowá. O "gigante adormecido" reforça o mito do "povo bestializado", com o agravante de tomar emprestado um lema de propagando de uísque caro. Esse "chavão" não sintetiza a contradição que levou milhares às ruas e é preciso negá-lo e conectar o sentido dessas lutas com o patrimônio imaterial das lutas populares no Brasil. O lema bem mais original e belo "verás que um filho teu não foge à luta" convida à ação, ao nacionalismo e não ofende perguntar: lutar contra quem? lutar pelo quê? Há projetos alternativos de nação? Não é difícil coroar o fascismo católico-neopentecostal do Estatuto do Nasciturno, da Cura Gay e do Bolsa Estupro com um diadema verde-amarelo do velho integralismo que simpatizava e se inspirava no nazismo. É preferível o nacionalismo que rejeite a espoliação da FIFA dos cofres públicos e que pense em uma sociedade mais justa, plural e democrática.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Um Breve relato: Conferência Intermunicipal de Educação

Por Anderson Luan Soares
Estudante de Geografia da UFBA

Em meio a apresentações culturais a II Conferência Intermunicipal de Educação que ocorreu nos dias 14 e 15 de junho de 2013, no auditório do IFBA/Campus Barreiras, muito se ouviu falar pelos gestores dos municípios do Território de Identidade da Bacia do Rio Grande sobre valorização do ensino e dos professores e de iniciativas de se trabalhar a base, mas será que de fato isso acontece?

Muitos se intitularam como o pai da Universidade Federal do Oeste da Bahia, outros ressaltaram a importância da mesma na qualificação profissional, educacional da região Oeste da Bahia.

Alguns idealizaram uma Educação ainda utópica no Brasil com participação popular, cooperação federativa e regime de colaboração, porem o Brasil legal ainda esta distante de ser alcançado, onde o Brasil real o ensino ainda é falho, professores ainda precisam fazer greves para reivindicar os seu direitos, neste sentido torno a indagar quais os desafios que a Educação tem que enfrentar para alcançar o tão esperado sucesso?

No segundo dia de conferência, as discussões sobre as reformulações no projeto da CONAE (Conferência Nacional de Educação), foram calorosas, pois o documento de 2010 há muitos erros como: ortográficos, detém a palavra raça alavancando uma discussão racista e mesquinha já que cientificamente não existe raça, algumas clausulas já estão ultrapassadas, e estas reformulações com a participação popular foi um show.

Já na plenária final cada município tinha direito a um determinado número de vagas na conferência estadual, sendo que Barreiras tinha direito a cinco vagas, sendo duas para a sociedade civil e poder publico, duas para trabalhadores da educação (gestores, técnicos e professores) e por fim uma única vaga para pais e estudantes.

O segmento de pais e estudantes tinha três inscritas como “pais” (mães) e um único estudante, ou seja, o autor deste relato, porem um participante que estava credenciado como poder público se candidatou dentro do segmento acima citado, sendo este eleito, no entanto vale lembrar que o espaço da conferência é livre e democrático, então este delegado teve a sua candidatura posta  em cheque.
O mesmo reclamou em plenária que havia sido eleito pelos votos dos pais, porem tenho que admitir discurso não é ação, e quando este citou o meu nome tive que me defender em plenária e reivindicar o meu direito como estudante. Já que me inscrevi como ESTUDANTE, o meu discurso durante a minha defesa pautou-se no meu credenciamento e nas palavras ditas pelo ilustre Yves Lacoste: “A Geografia serve antes de mais nada para fazer a guerra”.

E eu como estudante de Geografia, participante de movimentos sociais (um pouco inativo no momento), não poderia deixar aquele ato de desrespeito com o segmento pais e estudantes sair em pune, então a resposta veio com a aprovação por unanimidade da plenária, onde eu serei o único representante dos estudantes do Território de Identidade da Bacia do Rio Grande na Conferência Estadual de Educação.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Câmara derruba veto sobre tarifa de esgoto

Por Paula Vielmo

Foto: Thiago Ferraro

Na noite desta quarta-feira, 04 de junho, a sessão da Câmara estava lotada, e de fato, era para estar. Apesar do "showzinho" muito do desqualificado que a Câmara nos oferece nessas oportunidades, a pressão popular é sempre algo LINDO de se ver e admirar. Foi o que aconteceu na galeria do plenário, cercada de populares e de policiamento.

Iniciando a sessão, chegaram atrasados - depois que a chamada havia sido feita -, os vereadores B.I. e Hipólito. Pois bem, em pauta estava unicamente a apreciação do veto integral do prefeito Antônio Henrique (PP) ao Projeto de Lei aprovado pelo Legislativo, que retira a cobrança da taxa/tarifa de esgoto (em 80%) das contas dos munícipes. A justificativa do executivo para o veto integral foi alegando contrariedade ao interesse público e inconstitucionalidade. O parecer jurídico da assessoria da Câmara foi contrário ao veto.

Depois disso, seguiríamos com DUAS HORAS E MEIA de discursos, que chamarei de tragicômicos. Como já escrevi anteriormente, é desumano suportar as falas esvaziadas, geralmente de todos/as os/as vereadores/as. Eu realmente tenho a sensação, contínua, de que a maioria nem sequer sabe qual a sua função.

Tito (PDT), atual presidente da Câmara e autor do polêmico projeto, além de defensor dessa pauta relacionado ao saneamento abriu os discursos. Passou a presidência para o vice, Eurico, e falou por pouco mais de 10 minutos, em uma fala organizada, sem ceder "apartes" aos colegas (Gilson pediu). Ah, os apartes dão um texto à parte, mas enfim, não é o tema de hoje. Tito se posicionou pela derrubada do veto. Em seguida, Aguinaldo Junior (PTdoB), o "rei" dos parabéns e felicitações, além de ser o "cara dos apartes", fez uma fala em defesa da manutenção do veto e atacou o colega Carlos Tito.

Seguindo, fez uso da palavra: Karlúcia (PMDB), contra o veto; Otoniel (PCdoB) contra o veto (com um discurso surpreendentemente seguro); Alcione (PHS) contra o veto; Marileide (PSL), com um discurso medíocre, acanhado e covarde, indicando ser a favor do veto; Digão (PP), contra o veto; Carlão (PSD), contra o veto; Eurico (PPS), contra o veto; Beza (PSC), contra o veto; Vivi (PCdoB), a favor do veto; Núbia (PP) a favor do veto, com ataques ao vereador Tito; Ruy Mendes (PTdoB), aos gritos e afetando nossa audição, se posicionou a favor do veto; Gilson (PMDB) se posicionou contra o veto e por fim, Lúcio (PMDB) também se posicionou contrário ao veto.

Para que o veto fosse derrubado, seriam necessários 10 votos: 50% + 1. E, eis que, na minha contagem haviam 10 contra o veto, mas foram 11: B.I. resolveu me surpreender. Assim, em uma sessão calorosa, repleta de palmas e vaias, recebidas pelos vereadores como falta de educação (Aguinaldo) ou como "vias orquestradas" (Ruy Mendes); entre ataques pessoais, muito mais do que políticos; entre divergências explícitas no PCdoB (Otoniel, como líder do partido indicou o voto contra o veto, mas Vivi votou a favor e ainda alegou, como "bom comunista", que é preciso ter cobrança de tarifa), a noite encerrou com uma "pérola" do vereador Gilson: pediu para a imprensa "enaltecer a presença dos 19 vereadores" naquela noite!

Ora, não bastasse essa coletânea de asneiras, ainda escutar de um vereador que ele precisa ser enaltecido por fazer a obrigação de comparecer duas vezes por semana nas sessões, parece piada sem graça! E ouvindo esses vereadores eu estava a pensar como verifica-se que uma pessoa é idiota quando ela fala. Até então é suposição, mas quando falam temos certeza. Muitos perdem a oportunidade de ficar calados, mas certamente um dos mais insuportáveis é o tal do Aguinaldo Junior. 

Assim, finalizou-se a votação com 07 votos a favor do veto e 11 votos contra o veto. Tudo meio previsível, exceto pela revelação da vereadora Marileide, a mais votada, que, com seus discursos encomendados, recheados de citações de leis (provavelmente elaborado por algum advogado/a), resolveu ficar do lado do prefeito e contra o povo. Eu digo revelar, porque já escrevi MUITAS vezes que não confio politicamente naquela figura, que lembra Kelly Magalhães piorada (sim, é possível). 


Agora, é acompanhar como essa "novela" vai se desenrolar, pois certamente não acabará por aqui.  A EMBASA não vai perder tantos milhões e os vereadores resolveram "fingir" que estão ao lado do povo. Vamos acompanhar e pressionar, nada é mais eficiente do que isso.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Barreiras em imagens (II)

Vergonhosamente, a segunda postagem da série "Barreiras em imagens" aparece mais de dois anos após o início desta coluna. Não é por falta de imagens, é por falta de organização dessa blogueira. Desculpem!

Essa foto vai para JASON COIMBRA que me fez uma cobrança graciosa na página do blog no facebook. 

Respeito ao pedestre, não se vê por aqui!
Foto: Paula Vielmo - 22/04/2013

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Matéria do Jornal "A tarde" na superfície do problema

Por Nelma Aronia Santos¹

Foto: arquivo pessoal

Matéria do Jornal "A tarde" na superfície do problema: Essa é de lascar. Às vezes penso: Será ingenuidade, narcisismo, negligência ou cinismo de uma gente "desavergonhada", como diria Gregório de Matos? Pois é, o jornal "A tarde", de hoje, traz uma manchete na primeira capa, intitulada "Salvador é mostrada no exterior como "cidade em guerra". E na minha opinião, é, pois sei quantos mutilados, doentes ex drogados e vendedores ambulantes circulam todos os dias nos ônibus coletivos e quantas crianças e adultos pedem esmolas ou até mesmo comida nas bancas de acarajé e nos bares que permitem tal prática, mas isso, para quem já está com as retinas fatigadas de violência urbana, "é café pequeno", como se diz. 

O que fez Salvador receber o título de "cidade em guerra", foi o índice de mortos por arma de fogo. Esse é o ponto fulcral da ingenuidade, negligência, narcisismo ou cinismo que percebo na matéria, pois o jornal informa que a agência Reuters divulgou nos países europeus que Salvador teve "aumento de mais de 250% na taxa de homicídio, de acordo com o Centro de Estudos Latino-americanos (Cebela)". Em seguida, o jornal afirma que segundo dados do mapa da violência de 2013, publicado pelo mesmo Cebela, "revelam número é diferente. Segundo levantamento, o aumento no número de mortos por arma de fogo em Salvador foi de 157,8% no decênio 2000-2010". 

Por quê não se faz uma discussão para refletirmos sobre o problema? O que o editorial do jornal pensa sobre um assunto tão sério? O que pensa nosso prefeito e governador sobre o assunto? Mais surpreendente, foi o antropólogo consultado afirmar que "A repercussão internacional das imagens não terá impacto negativo para Salvador". Ainda segundo o antropólogo, "Vivemos a era da super-informação. Esse tipo de notícia é muito corriqueira. No exterior, é só mais uma imagem, que perderá destaque quando um fato no Oriente Médio chamar atenção". Não paramos aí. O secretário de turismo disse que "Essas fotos são posadas e artificiais". Como diz um personagem de Rubem Fonseca "Putaquepariu". Isso mesmo, tudo junto, pois a expressão sai como um vômito. Então, quer dizer que fiquemos satisfeitos porque o número de mortos, afinal, não foi tão grande assim. apenas 157,6% do total? ou então, fiquemos tranquilos pois, para nossa felicidade essa imagem será apagada por outra desgraça maior do Oriente Médio!!!? Quanto à fotografia "Pousada", pode até ser, mas como essas armas forma parar nas mão dos adolescentes? 

O que é mais irônico nessa tentativa de "acalmar os ânimos, pois a coisa não é tão ruim assim", é que no mesmo jornal tem uma foto de um hospital destruído, uma maca com alguém sendo atendido em precárias condições pois os profissionais da saúde estão paralisados, pessoas reclamando da guerra que é para conseguir um transporte coletivo, avião pulveriza inseticida sobre uma escola, ciclistas pedem respeito para evitar tragédia, corpo de suspeito que matou a cozinheira é encontrado morto. Ou seja, nosso jornal é um verdadeiro palimpsesto de violência e os estrangeiros é que são espetaculares? Quando vamos parar de fingir que está tudo bem e encarar nossos problemas?


¹  Professora da UNEB. Enviado para publicação em 04/05/13

segunda-feira, 15 de abril de 2013

OS FISCALIZADORES DO POVO PRECISAM SER FISCALIZADOS: nova Câmara, velha política

Por Paula Vielmo

Fazia algum tempo que desejava comparecer a uma sessão da Câmara Municipal de Barreiras para ter a noção mais próxima do que é esse "novo" legislativo, o que finalmente aconteceu na terça-feira, 09 de abril de 2013. Estavam 18 vereadores, só faltava a "histórica" Beza (5º mandato).

Quando cheguei às 19:15, a sessão já havia iniciado e estava na leitura do "Expediente". Dentro os muitos ofícios lidos, destaco o enviado pelo Promotor Eduardo Bittencourt, orientando a Câmara para não votar o aumento diante de existir uma Ação Civil Pública tramitando em relação à ausência de licitação do transporte público coletivo de Barreiras. Foi a ÚNICA coisa decente daquela sessão, pois tudo o que se seguiria pode ser considerado tragicômico!

Franqueou-se a palavra aos vereadores, da qual cada um dos 19 poderia utilizar 10 minutos (se todos falassem seriam mais de TRÊS HORAS só de discursos). Imaginem aí e entendam um pouco porque a população não participa das sessões com regularidade. Não há quem SUPORTE! É desanimador, mais do que o tempo imenso, o conteúdo extremamente ESVAZIADO das falas.

É desanimador ouvir um vereador utilizar DEZ MINUTOS para falar que "se tem legislação, eu não sei" e exigindo melhorias nas Casas Lotéricas (Lúcio)  enquanto ele é UM DOS RESPONSÁVEIS por saber das leis, fiscalizá-las e enquanto o município tem espaços públicos absolutamente abandonados, bem piores que as Casas Lotéricas, que devem ser consideradas, mas secundariamente.

É desanimador ouvir vereadores pedirem "aparte" nas falas para pedir ao povo "paciência que vai melhorar" em relação à saúde caótica e enquanto centenas fazem as filas crescer, sem atendimento ou dignidade (Aguinaldo Junior) ou ser a porta-voz do dono das empresas de ônibus, fazendo a defesa de um serviço péssimo e irregular, da qual ela é cúmplice porque não fiscaliza (Núbia).

É desanimador ouvir um vereador utilizar DEZ MINUTOS para dizer nada de interessante e "agradecer a Deus pela saúde e o dom de ajudar as pessoas" (Otoniel).

É desanimador ouvir um vereador utilizar DEZ MINUTOS para dizer nada de interessante e não ter a capacidade crítica de analisar a presença de uma esmagadora no município, que para ele apenas "trará muitos empregos" e parabenizar a amiga pelo aniversário (Aguinaldo Junior). Sim, teve parabéns, e ele não foi o único que fez isso!

É desanimador ouvir um vereador utilizar DEZ MINUTOS para abordar a temática do transporte coletivo, mas o fazer na perspectiva de defesa das empresas e não dos usuários (Alcione).

É desanimador ouvir um vereador utilizar DEZ MINUTOS para solicitar melhorias de estradas de "povoados em que pedi voto" e falar que "os proprietários de chácaras sofrem", sem capacidade de analisar os reais problemas do município (Eurico).

É desanimador ouvir a vereadora mais votada utilizar DEZ MINUTOS para cair no vazio e não conseguir abordar sequer UMA pauta realmente relevante (Marileide)

Saí às 20:40, antes do final. Estava insuportável! Realmente é desanimador participar das sessões, pois não podemos falar, apenas presenciar o que se parece com uma conversa de vizinhos. Todavia, diante desse cenário em que o incentivo é para que fiquemos distantes, é preciso ser forte e resistir, acompanhar de perto, pois OS FISCALIZADORES DO POVO PRECISAM SER FISCALIZADOS, isso ficou transparente naquela terça-feira, muito mais do que eu imaginava!

Diante do desânimo que nos cerca, a convicção de que nosso sistema democrático está falido e que urge a reforma eleitoral, mas sobretudo, um novo sistema que seja participativo, mais do que representativo. E que nós, povo, precisamos nos fazer presentes!

De fato, constatei que essa nova Câmara, como já afirmei anteriormente, não tem nada de nova além de rostos, pois a forma de fazer política é velha: esvaziada, atrelada ao empresariado de máfias (como a do transporte coletivo) e com total ausência de compromisso com as demandas coletivas da população barreirense.

Uma certeza: A LUTA CONTINUA!

Quer saber quem é quem que falou cada asneira? Entre AQUI

sexta-feira, 29 de março de 2013

Câmara Municipal aprova contas de Jusmari Oliveira

Por Thiago Ferraro

Foto: Jadiel Luiz/ Blog do Sigi Vilares

Quarta-feira, 27 de março de 2013: Dia Nacional do Teatro e dia de sessão na Câmara Municipal de Barreiras. Acompanhado de alguns/as companheiras/os compareci à sessão ordinária da câmara que tinha como pauta a apreciação das contas da gestão do governo de Jusmari Oliveira. A votação decidiria se a ex-prefeita permaneceria com sua ficha limpa e impune, ou teria sua ficha suja por 8 anos, ficando inelegível.

A sessão iniciou às 19:15 com a palavra do presidente da câmara, o vereador Carlos Tito. Logo após a leitura de um trecho bíblico a palavra foi cedida à vereadora Marileide, que se posicionou contra a aprovação da prestação de contas da ultima gestão. Em seguida, o vereador Lúcio, após muita autopromoção, também se posicionou contra a aprovação das contas. A partir dai fica claro que os representantes eleitos pelo povo barreirense, são totalmente incompetentes para analisar as contas. Ora, "Se vereadores não têm competência, o que estão fazendo aqui?". 

Depois de muito elogiar a gestão passada, Karlúcia Macedo, primeira secretaria da câmara, mostrou que virou chaveiro da antiga gestão. Ela foi uma das que votou a favor das contas do mandato da ex-prefeita. Votar  a favor da omissão que foi a antiga gestão significa cumplicidade. É simplesmente admitir o cabresto, abaixar a viseira e andar conforme interesses alheios. Infelizmente, a vereadora  Karlúcia Macedo não estava nesse barco sozinha. Ela e mais cinco vereadores votaram a favor da aprovação das contas da ex-prefeita e toda a omissão. 

Dentre os favoráveis a Jusmari, destaco o vereador Carlão, que após relatar que sua “experiência parlamentar” (quarto mandato) era muito grande, reclama das vaias direcionadas à vereadora defensora de Jusmari. “ Aplaudem uns e vaiam outros...”  Ora, vereador, isso nada mais é que o povo manifestando sua indignação a total falta de escrúpulos apresentada pelos representantes  que ali votavam a favor.

A falta de vergonha não acaba por ai não! Depois de, também se manifestar contra o exercício da verdadeira democracia, o vereador Otoniel, na esperança de justificar o seu voto favorável a aprovação das contas de Jusmari, listou algumas das poucas OBRIGAÇÕES que a Ex-Prefeita cumpriu em seu mandato de 4 anos. Tentar usar o cumprimento de pequenas obrigações como argumento é o cúmulo da falta de argumentação. Citando um de nossos cartazes “A saúde está doente! O povo está falido. Mas, os meus cabelos...”. Meu caro vereador, alguns cursos de cabeleiro/a, cozinheiro/a não nos calará! Isso só será ouvido por nós, povo barreirense, como mais um indício e exemplificação da má gestão que sofremos de 2009 até o ano de 2012.

Como se não bastasse a falta de bons votos, o povo, roubado e humilhado, ainda tem que passar por duas abstenções de voto. “A situação tá feia demais para se abster” e pra faltar sessão de tão grande importância,  vereadores!  Citando o arcebispo Desmond Tutu “Se você é neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor”. Sendo de forma “indireta” através da abstenção ou direta através dos votos “conscientes”,  a opressora saiu impune, e o povo, mais uma vez, saiu com os olhos cheios de lágrimas. Lagrimas de indignação, ódio e revolta, por serem representados por tão incompetentes vereadores.

O povo de barreiras não precisa de representantes que mereçam tão exorbitantes salários. Precisamos de vereadores que não caibam nos bolsos de “políticos” corruptos, e que tomem posição na hora de votar contra uma injustiça, pois não há vergonha maior do que ficar em cima do muro.


SAIBA O VOTO DE CADA VEREADOR/A: