segunda-feira, 17 de junho de 2013

Um Breve relato: Conferência Intermunicipal de Educação

Por Anderson Luan Soares
Estudante de Geografia da UFBA

Em meio a apresentações culturais a II Conferência Intermunicipal de Educação que ocorreu nos dias 14 e 15 de junho de 2013, no auditório do IFBA/Campus Barreiras, muito se ouviu falar pelos gestores dos municípios do Território de Identidade da Bacia do Rio Grande sobre valorização do ensino e dos professores e de iniciativas de se trabalhar a base, mas será que de fato isso acontece?

Muitos se intitularam como o pai da Universidade Federal do Oeste da Bahia, outros ressaltaram a importância da mesma na qualificação profissional, educacional da região Oeste da Bahia.

Alguns idealizaram uma Educação ainda utópica no Brasil com participação popular, cooperação federativa e regime de colaboração, porem o Brasil legal ainda esta distante de ser alcançado, onde o Brasil real o ensino ainda é falho, professores ainda precisam fazer greves para reivindicar os seu direitos, neste sentido torno a indagar quais os desafios que a Educação tem que enfrentar para alcançar o tão esperado sucesso?

No segundo dia de conferência, as discussões sobre as reformulações no projeto da CONAE (Conferência Nacional de Educação), foram calorosas, pois o documento de 2010 há muitos erros como: ortográficos, detém a palavra raça alavancando uma discussão racista e mesquinha já que cientificamente não existe raça, algumas clausulas já estão ultrapassadas, e estas reformulações com a participação popular foi um show.

Já na plenária final cada município tinha direito a um determinado número de vagas na conferência estadual, sendo que Barreiras tinha direito a cinco vagas, sendo duas para a sociedade civil e poder publico, duas para trabalhadores da educação (gestores, técnicos e professores) e por fim uma única vaga para pais e estudantes.

O segmento de pais e estudantes tinha três inscritas como “pais” (mães) e um único estudante, ou seja, o autor deste relato, porem um participante que estava credenciado como poder público se candidatou dentro do segmento acima citado, sendo este eleito, no entanto vale lembrar que o espaço da conferência é livre e democrático, então este delegado teve a sua candidatura posta  em cheque.
O mesmo reclamou em plenária que havia sido eleito pelos votos dos pais, porem tenho que admitir discurso não é ação, e quando este citou o meu nome tive que me defender em plenária e reivindicar o meu direito como estudante. Já que me inscrevi como ESTUDANTE, o meu discurso durante a minha defesa pautou-se no meu credenciamento e nas palavras ditas pelo ilustre Yves Lacoste: “A Geografia serve antes de mais nada para fazer a guerra”.

E eu como estudante de Geografia, participante de movimentos sociais (um pouco inativo no momento), não poderia deixar aquele ato de desrespeito com o segmento pais e estudantes sair em pune, então a resposta veio com a aprovação por unanimidade da plenária, onde eu serei o único representante dos estudantes do Território de Identidade da Bacia do Rio Grande na Conferência Estadual de Educação.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Câmara derruba veto sobre tarifa de esgoto

Por Paula Vielmo

Foto: Thiago Ferraro

Na noite desta quarta-feira, 04 de junho, a sessão da Câmara estava lotada, e de fato, era para estar. Apesar do "showzinho" muito do desqualificado que a Câmara nos oferece nessas oportunidades, a pressão popular é sempre algo LINDO de se ver e admirar. Foi o que aconteceu na galeria do plenário, cercada de populares e de policiamento.

Iniciando a sessão, chegaram atrasados - depois que a chamada havia sido feita -, os vereadores B.I. e Hipólito. Pois bem, em pauta estava unicamente a apreciação do veto integral do prefeito Antônio Henrique (PP) ao Projeto de Lei aprovado pelo Legislativo, que retira a cobrança da taxa/tarifa de esgoto (em 80%) das contas dos munícipes. A justificativa do executivo para o veto integral foi alegando contrariedade ao interesse público e inconstitucionalidade. O parecer jurídico da assessoria da Câmara foi contrário ao veto.

Depois disso, seguiríamos com DUAS HORAS E MEIA de discursos, que chamarei de tragicômicos. Como já escrevi anteriormente, é desumano suportar as falas esvaziadas, geralmente de todos/as os/as vereadores/as. Eu realmente tenho a sensação, contínua, de que a maioria nem sequer sabe qual a sua função.

Tito (PDT), atual presidente da Câmara e autor do polêmico projeto, além de defensor dessa pauta relacionado ao saneamento abriu os discursos. Passou a presidência para o vice, Eurico, e falou por pouco mais de 10 minutos, em uma fala organizada, sem ceder "apartes" aos colegas (Gilson pediu). Ah, os apartes dão um texto à parte, mas enfim, não é o tema de hoje. Tito se posicionou pela derrubada do veto. Em seguida, Aguinaldo Junior (PTdoB), o "rei" dos parabéns e felicitações, além de ser o "cara dos apartes", fez uma fala em defesa da manutenção do veto e atacou o colega Carlos Tito.

Seguindo, fez uso da palavra: Karlúcia (PMDB), contra o veto; Otoniel (PCdoB) contra o veto (com um discurso surpreendentemente seguro); Alcione (PHS) contra o veto; Marileide (PSL), com um discurso medíocre, acanhado e covarde, indicando ser a favor do veto; Digão (PP), contra o veto; Carlão (PSD), contra o veto; Eurico (PPS), contra o veto; Beza (PSC), contra o veto; Vivi (PCdoB), a favor do veto; Núbia (PP) a favor do veto, com ataques ao vereador Tito; Ruy Mendes (PTdoB), aos gritos e afetando nossa audição, se posicionou a favor do veto; Gilson (PMDB) se posicionou contra o veto e por fim, Lúcio (PMDB) também se posicionou contrário ao veto.

Para que o veto fosse derrubado, seriam necessários 10 votos: 50% + 1. E, eis que, na minha contagem haviam 10 contra o veto, mas foram 11: B.I. resolveu me surpreender. Assim, em uma sessão calorosa, repleta de palmas e vaias, recebidas pelos vereadores como falta de educação (Aguinaldo) ou como "vias orquestradas" (Ruy Mendes); entre ataques pessoais, muito mais do que políticos; entre divergências explícitas no PCdoB (Otoniel, como líder do partido indicou o voto contra o veto, mas Vivi votou a favor e ainda alegou, como "bom comunista", que é preciso ter cobrança de tarifa), a noite encerrou com uma "pérola" do vereador Gilson: pediu para a imprensa "enaltecer a presença dos 19 vereadores" naquela noite!

Ora, não bastasse essa coletânea de asneiras, ainda escutar de um vereador que ele precisa ser enaltecido por fazer a obrigação de comparecer duas vezes por semana nas sessões, parece piada sem graça! E ouvindo esses vereadores eu estava a pensar como verifica-se que uma pessoa é idiota quando ela fala. Até então é suposição, mas quando falam temos certeza. Muitos perdem a oportunidade de ficar calados, mas certamente um dos mais insuportáveis é o tal do Aguinaldo Junior. 

Assim, finalizou-se a votação com 07 votos a favor do veto e 11 votos contra o veto. Tudo meio previsível, exceto pela revelação da vereadora Marileide, a mais votada, que, com seus discursos encomendados, recheados de citações de leis (provavelmente elaborado por algum advogado/a), resolveu ficar do lado do prefeito e contra o povo. Eu digo revelar, porque já escrevi MUITAS vezes que não confio politicamente naquela figura, que lembra Kelly Magalhães piorada (sim, é possível). 


Agora, é acompanhar como essa "novela" vai se desenrolar, pois certamente não acabará por aqui.  A EMBASA não vai perder tantos milhões e os vereadores resolveram "fingir" que estão ao lado do povo. Vamos acompanhar e pressionar, nada é mais eficiente do que isso.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Barreiras em imagens (II)

Vergonhosamente, a segunda postagem da série "Barreiras em imagens" aparece mais de dois anos após o início desta coluna. Não é por falta de imagens, é por falta de organização dessa blogueira. Desculpem!

Essa foto vai para JASON COIMBRA que me fez uma cobrança graciosa na página do blog no facebook

Respeito ao pedestre, não se vê por aqui!
Foto: Paula Vielmo - 22/04/2013

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Matéria do Jornal "A tarde" na superfície do problema

Por Nelma Aronia Santos¹

Foto: arquivo pessoal

Matéria do Jornal "A tarde" na superfície do problema: Essa é de lascar. Às vezes penso: Será ingenuidade, narcisismo, negligência ou cinismo de uma gente "desavergonhada", como diria Gregório de Matos? Pois é, o jornal "A tarde", de hoje, traz uma manchete na primeira capa, intitulada "Salvador é mostrada no exterior como "cidade em guerra". E na minha opinião, é, pois sei quantos mutilados, doentes ex drogados e vendedores ambulantes circulam todos os dias nos ônibus coletivos e quantas crianças e adultos pedem esmolas ou até mesmo comida nas bancas de acarajé e nos bares que permitem tal prática, mas isso, para quem já está com as retinas fatigadas de violência urbana, "é café pequeno", como se diz. 

O que fez Salvador receber o título de "cidade em guerra", foi o índice de mortos por arma de fogo. Esse é o ponto fulcral da ingenuidade, negligência, narcisismo ou cinismo que percebo na matéria, pois o jornal informa que a agência Reuters divulgou nos países europeus que Salvador teve "aumento de mais de 250% na taxa de homicídio, de acordo com o Centro de Estudos Latino-americanos (Cebela)". Em seguida, o jornal afirma que segundo dados do mapa da violência de 2013, publicado pelo mesmo Cebela, "revelam número é diferente. Segundo levantamento, o aumento no número de mortos por arma de fogo em Salvador foi de 157,8% no decênio 2000-2010". 

Por quê não se faz uma discussão para refletirmos sobre o problema? O que o editorial do jornal pensa sobre um assunto tão sério? O que pensa nosso prefeito e governador sobre o assunto? Mais surpreendente, foi o antropólogo consultado afirmar que "A repercussão internacional das imagens não terá impacto negativo para Salvador". Ainda segundo o antropólogo, "Vivemos a era da super-informação. Esse tipo de notícia é muito corriqueira. No exterior, é só mais uma imagem, que perderá destaque quando um fato no Oriente Médio chamar atenção". Não paramos aí. O secretário de turismo disse que "Essas fotos são posadas e artificiais". Como diz um personagem de Rubem Fonseca "Putaquepariu". Isso mesmo, tudo junto, pois a expressão sai como um vômito. Então, quer dizer que fiquemos satisfeitos porque o número de mortos, afinal, não foi tão grande assim. apenas 157,6% do total? ou então, fiquemos tranquilos pois, para nossa felicidade essa imagem será apagada por outra desgraça maior do Oriente Médio!!!? Quanto à fotografia "Pousada", pode até ser, mas como essas armas forma parar nas mão dos adolescentes? 

O que é mais irônico nessa tentativa de "acalmar os ânimos, pois a coisa não é tão ruim assim", é que no mesmo jornal tem uma foto de um hospital destruído, uma maca com alguém sendo atendido em precárias condições pois os profissionais da saúde estão paralisados, pessoas reclamando da guerra que é para conseguir um transporte coletivo, avião pulveriza inseticida sobre uma escola, ciclistas pedem respeito para evitar tragédia, corpo de suspeito que matou a cozinheira é encontrado morto. Ou seja, nosso jornal é um verdadeiro palimpsesto de violência e os estrangeiros é que são espetaculares? Quando vamos parar de fingir que está tudo bem e encarar nossos problemas?


¹  Professora da UNEB. Enviado para publicação em 04/05/13

segunda-feira, 15 de abril de 2013

OS FISCALIZADORES DO POVO PRECISAM SER FISCALIZADOS: nova Câmara, velha política

Por Paula Vielmo

Fazia algum tempo que desejava comparecer a uma sessão da Câmara Municipal de Barreiras para ter a noção mais próxima do que é esse "novo" legislativo, o que finalmente aconteceu na terça-feira, 09 de abril de 2013. Estavam 18 vereadores, só faltava a "histórica" Beza (5º mandato).

Quando cheguei às 19:15, a sessão já havia iniciado e estava na leitura do "Expediente". Dentro os muitos ofícios lidos, destaco o enviado pelo Promotor Eduardo Bittencourt, orientando a Câmara para não votar o aumento diante de existir uma Ação Civil Pública tramitando em relação à ausência de licitação do transporte público coletivo de Barreiras. Foi a ÚNICA coisa decente daquela sessão, pois tudo o que se seguiria pode ser considerado tragicômico!

Franqueou-se a palavra aos vereadores, da qual cada um dos 19 poderia utilizar 10 minutos (se todos falassem seriam mais de TRÊS HORAS só de discursos). Imaginem aí e entendam um pouco porque a população não participa das sessões com regularidade. Não há quem SUPORTE! É desanimador, mais do que o tempo imenso, o conteúdo extremamente ESVAZIADO das falas.

É desanimador ouvir um vereador utilizar DEZ MINUTOS para falar que "se tem legislação, eu não sei" e exigindo melhorias nas Casas Lotéricas (Lúcio)  enquanto ele é UM DOS RESPONSÁVEIS por saber das leis, fiscalizá-las e enquanto o município tem espaços públicos absolutamente abandonados, bem piores que as Casas Lotéricas, que devem ser consideradas, mas secundariamente.

É desanimador ouvir vereadores pedirem "aparte" nas falas para pedir ao povo "paciência que vai melhorar" em relação à saúde caótica e enquanto centenas fazem as filas crescer, sem atendimento ou dignidade (Aguinaldo Junior) ou ser a porta-voz do dono das empresas de ônibus, fazendo a defesa de um serviço péssimo e irregular, da qual ela é cúmplice porque não fiscaliza (Núbia).

É desanimador ouvir um vereador utilizar DEZ MINUTOS para dizer nada de interessante e "agradecer a Deus pela saúde e o dom de ajudar as pessoas" (Otoniel).

É desanimador ouvir um vereador utilizar DEZ MINUTOS para dizer nada de interessante e não ter a capacidade crítica de analisar a presença de uma esmagadora no município, que para ele apenas "trará muitos empregos" e parabenizar a amiga pelo aniversário (Aguinaldo Junior). Sim, teve parabéns, e ele não foi o único que fez isso!

É desanimador ouvir um vereador utilizar DEZ MINUTOS para abordar a temática do transporte coletivo, mas o fazer na perspectiva de defesa das empresas e não dos usuários (Alcione).

É desanimador ouvir um vereador utilizar DEZ MINUTOS para solicitar melhorias de estradas de "povoados em que pedi voto" e falar que "os proprietários de chácaras sofrem", sem capacidade de analisar os reais problemas do município (Eurico).

É desanimador ouvir a vereadora mais votada utilizar DEZ MINUTOS para cair no vazio e não conseguir abordar sequer UMA pauta realmente relevante (Marileide)

Saí às 20:40, antes do final. Estava insuportável! Realmente é desanimador participar das sessões, pois não podemos falar, apenas presenciar o que se parece com uma conversa de vizinhos. Todavia, diante desse cenário em que o incentivo é para que fiquemos distantes, é preciso ser forte e resistir, acompanhar de perto, pois OS FISCALIZADORES DO POVO PRECISAM SER FISCALIZADOS, isso ficou transparente naquela terça-feira, muito mais do que eu imaginava!

Diante do desânimo que nos cerca, a convicção de que nosso sistema democrático está falido e que urge a reforma eleitoral, mas sobretudo, um novo sistema que seja participativo, mais do que representativo. E que nós, povo, precisamos nos fazer presentes!

De fato, constatei que essa nova Câmara, como já afirmei anteriormente, não tem nada de nova além de rostos, pois a forma de fazer política é velha: esvaziada, atrelada ao empresariado de máfias (como a do transporte coletivo) e com total ausência de compromisso com as demandas coletivas da população barreirense.

Uma certeza: A LUTA CONTINUA!

Quer saber quem é quem que falou cada asneira? Entre AQUI

sexta-feira, 29 de março de 2013

Câmara Municipal aprova contas de Jusmari Oliveira

Por Thiago Ferraro

Foto: Jadiel Luiz/ Blog do Sigi Vilares

Quarta-feira, 27 de março de 2013: Dia Nacional do Teatro e dia de sessão na Câmara Municipal de Barreiras. Acompanhado de alguns/as companheiras/os compareci à sessão ordinária da câmara que tinha como pauta a apreciação das contas da gestão do governo de Jusmari Oliveira. A votação decidiria se a ex-prefeita permaneceria com sua ficha limpa e impune, ou teria sua ficha suja por 8 anos, ficando inelegível.

A sessão iniciou às 19:15 com a palavra do presidente da câmara, o vereador Carlos Tito. Logo após a leitura de um trecho bíblico a palavra foi cedida à vereadora Marileide, que se posicionou contra a aprovação da prestação de contas da ultima gestão. Em seguida, o vereador Lúcio, após muita autopromoção, também se posicionou contra a aprovação das contas. A partir dai fica claro que os representantes eleitos pelo povo barreirense, são totalmente incompetentes para analisar as contas. Ora, "Se vereadores não têm competência, o que estão fazendo aqui?"

Depois de muito elogiar a gestão passada, Karlúcia Macedo, primeira secretaria da câmara, mostrou que virou chaveiro da antiga gestão. Ela foi uma das que votou a favor das contas do mandato da ex-prefeita. Votar  a favor da omissão que foi a antiga gestão significa cumplicidade. É simplesmente admitir o cabresto, abaixar a viseira e andar conforme interesses alheios. Infelizmente, a vereadora  Karlúcia Macedo não estava nesse barco sozinha. Ela e mais cinco vereadores votaram a favor da aprovação das contas da ex-prefeita e toda a omissão. 

Dentre os favoráveis a Jusmari, destaco o vereador Carlão, que após relatar que sua “experiência parlamentar” (quarto mandato) era muito grande, reclama das vaias direcionadas à vereadora defensora de Jusmari. “ Aplaudem uns e vaiam outros...”  Ora, vereador, isso nada mais é que o povo manifestando sua indignação a total falta de escrúpulos apresentada pelos representantes  que ali votavam a favor.

A falta de vergonha não acaba por ai não! Depois de, também se manifestar contra o exercício da verdadeira democracia, o vereador Otoniel, na esperança de justificar o seu voto favorável a aprovação das contas de Jusmari, listou algumas das poucas OBRIGAÇÕES que a Ex-Prefeita cumpriu em seu mandato de 4 anos. Tentar usar o cumprimento de pequenas obrigações como argumento é o cúmulo da falta de argumentação. Citando um de nossos cartazes “A saúde está doente! O povo está falido. Mas, os meus cabelos...”. Meu caro vereador, alguns cursos de cabeleiro/a, cozinheiro/a não nos calará! Isso só será ouvido por nós, povo barreirense, como mais um indício e exemplificação da má gestão que sofremos de 2009 até o ano de 2012.

Como se não bastasse a falta de bons votos, o povo, roubado e humilhado, ainda tem que passar por duas abstenções de voto. “A situação tá feia demais para se abster” e pra faltar sessão de tão grande importância,  vereadores!  Citando o arcebispo Desmond Tutu “Se você é neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor”. Sendo de forma “indireta” através da abstenção ou direta através dos votos “conscientes”,  a opressora saiu impune, e o povo, mais uma vez, saiu com os olhos cheios de lágrimas. Lagrimas de indignação, ódio e revolta, por serem representados por tão incompetentes vereadores.

O povo de barreiras não precisa de representantes que mereçam tão exorbitantes salários. Precisamos de vereadores que não caibam nos bolsos de “políticos” corruptos, e que tomem posição na hora de votar contra uma injustiça, pois não há vergonha maior do que ficar em cima do muro.


SAIBA O VOTO DE CADA VEREADOR/A:





segunda-feira, 18 de março de 2013

8 de março em Barreiras: 1ª Marcha Barreirense Feminista

Por Paula Vielmo


É gritante a presença de uma cultura predominantemente machista em nosso município e bastante antigo o desejo latente de "mexer" com essa cultura, no sentido de transformá-la. Tal desejo começou a se tornar realidade em 2012 quando da realização da I Marcha das Vadias (MDV), que incrivelmente, apesar do nome que pode assustar, agregou um número bom de pessoas em torno da denúncia da violência contra a mulher e da necessidade de liberdade para tal segmento.

Após a MDV, o sentimento era de que precisávamos continuar com essa bandeira e fortalecer o combate ao machismo e opressão de gênero também em Barreiras. Desse desejo, ainda mais coletivo, nasceu a MBF - Marcha Barreirense Feminista. De setembro de 2012 para cá, estudos e articulações cada vez mais qualificadas têm norteado o trabalho do grupo.

Como primeira ação da MBF, aconteceu no dia 8 de março de 2013 - Dia Internacional de LUTA das mulheres, a 1ª Marcha Barreirense Feminista. Em Barreiras, já ocorreram no passado diversas outras marchas de mulheres, quase todas dentro de um perfil de manutenção do status quo e de valorização da figura da mulher e seus dotes "femininos", principalmente o materno. Em 2013, entrou para a história uma Marcha Feminista, que tem um caráter completamente diferente, por querer igualdade entre homens e mulheres, ou seja, o fim da violência de gênero completamente.

A preparação para a Marcha incluiu confecção e venda de camisetas, oficina de cartazes e faixas, bazar na Feira da Vila Rica, intervenção na Feira da Sandra Regina. Toda essa diversidade de atividades, contou com a colaboração de pessoas conhecidas e desconhecidas, desde a doação de roupas, calçados e acessórios para o bazar (as caixas de coleta ficaram na UNEB, UFBA, UNYAHNA e PALÁCIO DAS ARTES) até contribuições em dinheiro, antes ou no dia da Marcha através da "sacolinha".

A MBF é autônoma e se mantém assim também financeiramente. As atividades são autofinanciadas e o envolvimento de uma série de pessoas que nem sequer conseguimos identificar na totalidade, têm mantido as atividades e confirmado a necessidade social de debater abertamente sobre o machismo na cultura barreirense.

Apesar de programações organizadas pela CDL, Prefeitura ou Câmara, todas elas reforçando os esteriótipos e papel social da mulher, conseguimos ser um diferencial através da Marcha Barreirense Feminista. Todavia, a concentração da Marcha que seria em frente à Câmara Municipal foi inviabilizada pela presença de uma programação com "prestação de serviços" como controle de glicemia, pressão arterial, orientação nutricional e ginecológica e curso de beleza! 

Além da precarização dos serviços, ofertados como algo comemorativo, quando deveria ser cotidiano, o reforço aos padrões opressores de beleza, principalmente com relação ao alisamento de cabelo foram entrelaçados à músicas com letras que depreciavam a mulher. Infelizmente, presenciamos uma programação "equivocada" dentro do que se espera de uma data de luta pela emancipação da mulher, mas mesmo assim, fomos o contraponto.

Apesar de algumas dificuldades e percalços, a Marcha no dia 8 de março agregou um bom número de participantes, que marcharam de maneira animada e coerente desde a Câmara Municipal até a Praça Castro Alves, finalizando com as belas apresentações da Cia Teatrando e da Projétil Paralelo e  com o Manifesto com o perfil da situação da mulher em Barreiras, fortalecendo a percepção de que é necessária a presença da MBF em Barreiras!


Continuaremos em marcha, até que todxs sejam livres!


SAIBA MAIS: www.facebook.com/MBFeminista

domingo, 17 de março de 2013

Comentário no face sobre o novo chefe da Igreja Católica


Por Victor Sena

Não deve existir no mundo um povo mais displicente com sua própria história do que o povo brasileiro. Na edição do Jornal Hoje desta quarta-feira, (14), na rede Globo de Televisão, fiquei estupefato ao ver uma matéria que dissertava sobre “Como os Jesuítas ajudaram o Brasil”. 

A matéria, claro, é fruto da escolha de um novo papa (escrito em minúsculo de propósito). Um papa argentino e jesuíta. Só me questiono se o acéfalo que produziu a fatídica matéria leu algum livro de história na vida. Pois bem, aprofundemos um pouco na história.

550 mil índios. Era só o que havia na, até então, Ilha Brasil, antes dos portugueses chegarem, com uma carrada de degredados e algumas dúzias de prostitutas. Mas, em 1549 uns tais seguidores de Jesus foram convocados para servir à Coroa na missão de humanizar índios; seres preguiçosos e sem almas. A humanização seria conseguida através da catequização e a imposição do trabalho escravo, é claro.

Assim que chegaram, os jesuítas se espalharam pelo território nacional e amontoaram grupinhos de índios para catequização/escravidão. A Companhia de Jesus criou inúmeras vilas, que segundo o Darcy Ribeiro, maior antropólogo brasileiro, só serviram de demarcação de terra para verdadeiros abatedouros – palavra minha, não do professor Darcy Ribeiro – de índios. 

Vejam que quero chamar atenção não à estada dos primeiros jesuítas no Brasil, mas, sim, como nossa história é tratada.

Até hoje livros de história tratam o descobrimento do Brasil como um acidente de percurso, chamam a América do Sul de Ilha, à qual primeiro deram o nome de terra da Santa Cruz, e assim formamos uma nação de analfabetos funcionais, que são mantidos assim pela voracidade da mídia consumerista e pelas péssimas políticas públicas oferecidas pelos canalhas que governam a nação.

Se curvar diante de um novo papa, que se faz santo em alguns minutos de eleição, é totalmente aceitável. Já que não ligamos para o fato de a Igreja ter sido fiel primeiro à Colônia, depois à monarquia (ao passo que era contra a abolição da escravatura), depois à ditadura em nossas terras, por que ligaríamos para os 14 séculos de trevas que assolou o mundo? Por que questionaríamos o fato de ter sido escolhido papa um cara que colaborou com a ditadura argentina? Um cara acusado de delatar padres e civis contra a ditadura e de raptar crianças, diga-se de passagem.

Como diria o general De Gaulle, “o Brasil não é um país sério”, pessoas chegam à faculdade sem saber ler e interpretar, o país é o líder mundial no ranking de homicídios – pois é, morre mais gente no Brasil do que no Afeganistão -, e a ideia que nos é vendida é de que tudo está no caminho certo.

Senhores, peço encarecidamente que eduquem seus filhos com bons livros. A maioria das pessoas deste país só consegue pegar um ônibus se ele passar devagar, se passar muito rápido não consegue ler a linha. Somos uma nação de analfabetos funcionais, que desprezamos nossa história e por isso vivemos num futuro merda petista.

terça-feira, 5 de março de 2013

1ª Marcha Barreirense Feminista



Por Marcha Barreirense Feminista

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, tem como origem as manifestações das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho, marcando o  início da Revolução de 1917. Entretanto, apenas em 1977, a ONU instituiu a data como Dia Internacional da Mulher, para lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres.

O Dia Internacional da Mulher é um dia de luta. É um dia de mobilização, de manifestações públicas, de debates e de reflexão pela igualdade de gênero e por melhoria das condições de vida para as mulheres. 

No mundo inteiro as mulheres vão às ruas para comemorar as conquistas, protestar contra a violação de direitos, gritar pelo fim da violência doméstica e sexual e reivindicar políticas públicas para a igualdade entre mulheres e homens.

Em Barreiras não será diferente! Acontecerá neste ano a MARCHA BARREIRENSE FEMINISTA, a realizar-se no próximo Dia 8 de março, a partir das 17:00, em frente à Câmara Municipal, com destino à Praça Castro Alves. O objetivo é desvelar a situação das mulheres em Barreiras, bem como mostrar as conquistas históricas do Movimento Feminista e as atuais bandeiras de luta.

O evento é organizado pela MBF – Marcha Barreirense Feminista (https://www.facebook.com/MBFeminista), grupo constituído em setembro de 2012 que congrega mulheres e homens de Barreiras no combate ao machismo e violência de gênero que traz como lema o pensamento de Rosa Luxemburgo "Quem não se movimenta não sente as correntes que a/o prendem".

Todas as pessoas que não concordam com as desigualdades estão convidadas a juntarem-se no dia 8 de março, levando seu cartaz, faixa, reivindicação, criatividade, panelas, latas e colheres para batuque! Preferencialmente use lilás, que é a cor do feminismo e VENHA MARCHAR CONOSCO!




segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Intervenção feminista no Bloco Netos de Momo

Por Paula Vielmo

Domingo de carnaval e para quem lamentava o fato de não acontecer tal festa em Barreiras, eu me diverti muito, sobretudo pela intervenção feminista que fizemos!


Inicialmente, é preciso dizer que concordo com a  decisão de não realizar "gastos públicos" com a promoção do carnaval de cordas na avenida principal. Essa atitude do atual prefeito foi acertada, mas sabemos que não vai durar, pois a motivação não é com a democratização dos espaços de diversão do povo, mas com a promoção de espaços de "pão e circo", continuando a política do "mais do mesmo". Em 2014 isso ficará EXPLÍCITO!

O carnaval segregador, onde visivelmente estão dentro das cordas, determinado segmento que busca alimentar uma cultura de massa que em nada agrega à luta por transformação social, foi substituído pelo fortalecimento do "carnaval cultural" nas ruas do centro histórico de Barreiras.

É preciso registrar o caráter "burguês" de tal atividade, congregando um segmento privilegiado que certamente estaria dentro das cordas dos blocos e também busca se divertir de outras formas, mas geralmente sem muita criticidade sobre tais diversões.

Apesar desse caráter anunciado, é um espaço muito agradável e divertido, pois resgata a cultura do carnaval de rua, sem cordas, com banda e marchinhas. A diversão é garantida com a presença das fantasias criativas. Nesse meio, eis que realizamos em meio à diversão, uma intervenção política-feminista.


Longe de ser apenas diversão, o quarteto constituído por Mirella, Rose, Ítalo e eu nos caracterizamos de "mulher indígena", "mulher negra", "homem feminista" e "mulher trabalhadora" respectivamente e fomos às ruas no Bloco Netos de Momo.

Essa "fantasia" surgiu de mentes criativas durante encontro, no Bar do Vierinha, que denominamos carinhosamente de "reunião-reggae". Lá, decidimos o que fazer e no dia seguinte, o que escrever. Sim, nós decidimos coletivamente cada linha que estava em cada um dos cartazes. Nós somos um grupo, e consideramos isso fundamental para a construção coletiva e unitária.

As pautas inscritas nos cartazes chamaram a atenção das pessoas, que liam, apoiavam e demonstravam que a luta feminista é, realmente, algo que "mexe" com a população barreirense, e sobretudo com as mulheres. Os apoios nos disseram isso claramente e é preciso fazer a leitura e encaminhar novas ações.

A presença do patriarcado está inscrita na vida de todas as mulheres, das mais variadas idades, cores e orientações sexuais, e bem menos percebida pelos homens. Pouquíssimos homens apoiaram e conseguiram entender que o que queremos não é "dominar", mas "igualdade"; que é inaceitável vivermos em condições de submissão, desigualdade e injustiça pelo fato de sermos de um gênero determinado como inferior pelo sistema capitalista.

Não é algo simples, mas é uma tarefa que temos assumido com compromisso, pois é uma realidade, com diversas nuances, que procuramos retratar na diversidade de mulheres e homens presentes na intervenção. Enfim, esse carnaval teve um sentido especial porque não foi apenas festa, foi também política!

POR UM FEMINISMO CLASSISTA, NEGRO E INDÍGENA!!!
CONTRA O PATRIARCADO, FEMINISMO ORGANIZADO!




MULHER TRABALHADORA
Salários 28% menores que homens na mesma função;
18,3 horas de trabalho doméstico contra 4,3 dos homens. Por divisão de tarefas domésticas JÁ;
Ocupam menos cargos de chefia

MULHER NEGRA
Salários IGUAIS, independente da cor!
Garantia de creche para o filho da MULHER NEGRA JÁ!
Pelo fim da discriminação racial no trabalho!
Políticas Públicas para a saúde, segurança e assistência social da mulher negra JÁ!
Não sou objeto, nem ESCRAVA, sou mulher!

MULHER INDÍGENA
"minha vó era índia, foi caçada a lanço"
A miscigenação racial brasileira foi um sequestro, estupro e aviltamento dos corpos das mulheres índias
Basta de estupro e venda de meninas e mulheres indígenas;
Devolução das terras indígenas JÁ!
Não sou coisa, nem bicho, muito menos objeto, sou gente, sou mulher, sou índia!

SER FEMINISTA NÃO ME TORNA MENOS HOMEM
Legalização do aborto JÁ!!!
Defendemos igualdade de direitos!
Autonomia às mulheres sobre a concepção, gestação e contracepção, com pleno atendimento estatal.
Por uma sociedade mais JUSTA e IGUALITÁRIA.
Não permita que a mão que te acompanha seja a mão que te violente