Por Paula Vielmo

Logo quando cheguei, o choque em saber que definitivamente o CANTINHO UNIVERSITÁRIO fora esquartejado para se transformar em um Laboratório para o Neppa e o galpão de máquinas. Aquele espaço histórico e político agora não representa mais nada, além de lembranças. A pintura do "Che" na parede, ficou no passado e não será apreciada pelas gerações do presente e futuro.
Em meio ao evento, realizado com muita beleza na construção chamada Parlatório, meus olhos se dirigiram para a sala do Movimento Estudantil. Aquela sala, não é apenas um espaço físico, mas é sobretudo um espaço político, o qual lutamos com muito afinco para conseguir em 2004-2005, no processo de reorganização do Movimento Estudantil do Campus IX.
Aquela sala, pintada, organizada e mantida pos nós, então militantes estudantis, continha todo o aparato necessário para a nossa luta: computador, arquivos, cartazes, materiais do calourão e muito mais. A sala, pouco equipada, mas ampla o suficiente para abrigar as reuniões dos Diretórios Acadêmicos, da Coordenação do Campus IX - DCE, do Movimento Estudantil da UNEB ou do Movimento Estudantil Unificado - MEU, não existe mais.
Foi absurdamente triste, lamentável e doloroso, entrar naquela sala e me deparar com a poeira tomando conta de todos os cantos; dos armários abandonados; das teias de aranha ganhando força, mas sobretudo, nada, absolutamente nada explica a dor que senti com as palavras proferidas por um "líder estudantil" ao afirmar que a sala será "reformada" por "desejo do diretor" e que a parede que recebia os cartazes de eventos, congressos e manifestos será pintada, pois o movimento antigamente era "muito político, muito politizado".
Eu tentei retrucar, mas percebi que não valia a pena. Percebi que o que nós lutamos para construir lá, simplesmente não existe mais, são apenas lembranças. A nova geração não se preocupa, não entende, não compreende e não está disposta a isso. Está muito ocupada com as festas para arrecadação financeira para não sei o que.
Vim embora triste, arrependida de ter-me levantado para ir até aquela sala, que representa mais do que um espaço físico, mas um espaço político de luta e que agora não passa de um mero depósito de lembranças...