sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O caos municipal pós eleição

Por Paula Vielmo


Depois do resultado das urnas no dia 02 de outubro, o caos instalado em Barreiras, incrivelmente, piorou! A segunda-feira (03/10) começou com o aumento abusivo das tarifas, de R$2,30 para R$2,80. A culpa logo recaiu sobre o prefeito derrotado. A Prefeitura logo tratou de emitir "Nota de Esclarecimento" dizendo que foi decisão judicial e tirando o corpo fora. Balela! A culpa primordial é sim da prefeitura que decretou o aumento. E é culpa da conivência da justiça que autorizou a efetivação do aumento. 

De terça em diante os alardes sobre demissões de contratados/as na saúde e educação, sobre postos de saúde fechados, sobre consultas e cirurgias canceladas, sobre escolas se
m merenda, sobre suspensão de transporte escolar, sobre exonerações de cargos.

O povo, alardeado, se indigna pelos grupos de whatsApp. No facebook, um vereador eleito faz exibicionismo com vídeos para uma platéia eufórica. É o cúmulo da imbecilidade.

Há aquelas pessoas que chegam e perguntam: o que VOCÊS vão fazer, se referindo ao PSOL. Deveria ser, o que podemos fazer, juntos? A lamentável espera de que os outros façam, que aguarda heróis e heroínas. Indo de encontro à popularidade que isso gera, desculpem, mas seguimos em luta, sem heroísmo, mas junto. Quem luta só não vai longe e nosso alvo é um outro mundo! É preciso que o povo deixe de ser platéia e assuma o protagonismo. Até lá, vai ser disso pra pior!


domingo, 27 de março de 2016

Aumento da tarifa de ônibus: de novo, prefeito?!

Por Paula Vielmo


Imagem: Jornal Novoeste
O aumento das tarifas de ônibus, sobretudo no final ou início de cada ano já faz parte do calendário país afora e em Barreiras não é diferente. No entanto, felizmente a última tentativa de aumento das tarifas em dezembro de 2015 foi bloqueada pelo Ministério Público, por considerar realmente abusivo o valor do reajuste (que tinha bem mais cara de aumento mesmo!).

Passados alguns meses, contando com a tranquilidade da população barreirense, sofrendo com o calor nosso de cada dia, eis que o atual prefeito, novamente aparece com um Decreto para AUMENTAR as tarifas de ônibus, urbana e rural, sem qualquer transparência sobre os cálculos e sobre as planilhas.

Ninguém nega que a empresa prestadora do serviço precisa ter EQUILÍBRIO financeiro para funcionar e prestar o serviço, tampouco que as coisas estejam encarecendo, mas o AUMENTO continua ABUSIVO!

No velho oeste da Bahia, Barreiras é conhecida como terra sem lei, não por acaso. Aqui, o legislativo pouco ou nada atua e não consegue garantir o seu papel, seja por falta de vontade ou de dificuldades postas pelo executivo; aqui também, o judiciário é lento por demais e sempre precisa ser provocado, nunca age por conta própria, parecendo ter medo; por fim, o executivo age como bem quer, como se realmente o prefeito fosse ainda um coronel.

E nós, população? Ou reagimos, resistimos e lutamos, ou seremos vistos e tratados como submissos, pagando cada vez mais caro por um serviço cada dia mais ruim.

Não podemos jamais deixar de lembrar que a licitação do transporte, fato bastante recente, é fruto de pressão popular e ação da justiça (com muita contribuição desta que escreve, eu), não sendo de maneira alguma, iniciativa de governo atual ou anterior.

Também não podemos deixar de lembrar que a empresa ganhadora do serviço foi a mesma que atuava ilegalmente e tinha a proteção dos sucessivos governos. Lembremos muito bem disso, quando aparece gente de tudo que é lado bradando conta o aumento, mas estavam não faz muito tempo, fazendo parte de governos anteriores que mantinham a mesma prática de aumento (disso eu me lembro).

Por fim, continuemos SEMPRE em luta e vamos às ruas. Não aceitemos esse aumento abusivo, não aceitemos o serviço de péssima qualidade, não aceitemos (des)governos e não aceitemos oportunistas de plantão.

Dia 30 de março a partir das 16h na Praça Castro Alves, o povo vai novamente tomar o rumo de sua história, fazendo luta contra esse aumento. Lembremos que por trás desse aumento existe uma grande MÁFIA DO TRANSPORTE que deve ser combatida!



segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

2016: ANO ELEITORAL À VISTA!

Por Paula Vielmo
Publicado originalmente no Blog Immagine



Começou o ano de 2016, um ano marcado por ser… ano eleitoral! Sim, a pauta principal nas rodas de diálogo é: quem será o prefeito? E a maioria esquece de indagar e se preocupar com “quem serão os/as vereadores/as?”. Eleições: esse é o tema da nossa reflexão de hoje.
Primeiro vamos diferenciar “ano político” (expressão muito utilizada) com ano eleitoral. Tal necessidade parte do fato da compreensão de que a política está no cotidiano de nossas vidas (mesmo para quem não gosta), mas as eleições, no Brasil, estão presentes de dois em dois anos.
Bem, em ano eleitoral, ouço e leio muito as pessoas dizendo que estão fartas dos desvios, da pouca ação dos representantes políticos e do descaso para com os direitos aos serviços como educação, saúde, cultural, lazer, esporte, moradia, transporte. Lembrando da tão caótica infraestrutura e saneamento básico, do qual ainda estamos distantes. Bem, eu também estou farta, indignada completamente!
Também é comum ouvir que diante desse cenário, precisamos de alguém “novo”. E esse novo, para a imensa maioria das pessoas é QUALQUER NOME NOVO. Eis que aí reside uma armadilha perigosa: nome novo não significa um novo projeto político, um novo jeito de governar e compromisso com o que é público. Esse, pra mim, é ponto chave que merece muito de nossa atenção no momento de votar em alguém.
Votar significa que você deposita suas expectativas que aquela figura irá fazer o que você acredita que precisamos, que ela fará diferente ou em alguns casos, o voto significa uma troca de favores. Essa prática de troca é muito comum – infelizmente, em nossas eleições, onde a miséria ou manutenção de privilégios de certas pessoas é preciosa moeda de troca.
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No entanto, votar não deve ser uma manifestação de que aquela (s) pessoas serão salvadores/as dos problemas. É fundamental que nós, eleitorado/população, acompanhemos o trabalho ou a ausência de trabalho, fazendo as devidas cobranças. A Constituição Federal de 1988 anuncia, de cara, em seu artigo 1º, parágrafo único: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.
Por fim, mas não menos importante, pouco se dá atenção à composição da Câmara Municipal (Poder Legislativo), a galera que deverá elaborar as leis, analisar e votar os Projetos de Leis e fiscalizar o Poder Executivo (Prefeito/a). Um voto que não é direto, e portanto, mais perigoso. O que significa voto não direto? Significa que você pode votar em um e eleger outro/a, pois é uma eleição “proporcional”, onde é eleito/a quem tem mais votos dentro de uma coligação e que “puxa” os votos dos demais para si.
Atenção ao que nossos “representantes” (não substitutos), fazem; atenção ao seu voto e as armadilhas eleitorais. Analise bem a trajetória política dos/as candidatos/as, o Partido (tem aqueles que estão no ranking da corrupção), quem está junto na coligação. Conhecer o todo, o contexto, é essencial para as mudanças que queremos e precisamos! Vote com plena consciência.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

FEMINISMO, AFINAL DO QUE TRATA?

By Paula Vielmo | fevereiro 17, 2016
Publicado originalmente no Blog Immagine



Diversas matérias analisando o ano de 2015 apontaram manifestações de caráter feminista como destaque na conjuntura nacional e internacional. A filósofa política internacionalmente reconhecida, Nancy Fraser, em palestra que tive a honra de assistir na Reitoria da UFBA, em novembro de 2015 em Salvador, apontou que a revolução do século XXI perpassará pelo feminismo.
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Sem dúvidas, esse fenômeno reaparece com força após a década de 60, agora em nossos dias, sendo inclusive uma das suas bandeiras (o combate a violência contra a mulher) tema da redação do ENEM em 2015. Todavia, mantêm-se muitas dúvidas de décadas atrás. Há muita gente que não sabe do que se trata, outras que tem medo ou outras que distorcem, por conveniência ou ignorância o real sentidohier do feminismo. Se o feminismo na década de 60 foi propagandeado como algo perigoso, ainda permanecem resquícios sobre esse provável “perigo” também em nossos dias. Um perigo real às hierarquias entre homens e mulheres, de fato!
Pense rapidamente: o que você sabe sobre feminismo? O que entende?  O que já leu sobre? O que já ouvir falar sobre? O que acredita que o feminismo defende? Após essa breve reflexão, de certa maneira complexa, prossiga a leitura com minha tentativa de ser didática e elucidar algumas dessas questões e conceitos pouco entendidos.
Pois bem, o feminismo é um movimento político, filosófico e social que estuda/analisa/busca eliminar a condição social de desigualdade entre homens e mulheres. Diante disso, o feminismo defende igualdade de direitos entre mulheres e homens, ou, nas palavras da Professora Doutora da UFBA, Cecília Sardenberg, o feminismo “objetiva erradicar a ordem de gênero patriarcal, ou seja, erradicar o sexismo, a discriminação, a exploração e opressão sexual do gênero masculino sobre o feminino”. Patriarcal? Sexismo? Gênero? Que linguagem é essa?
O feminismo surge em oposição à dominação masculina, chamada de patriarcado. Essa dominação masculina ou patriarcado é a “identificação e centralidade no gênero masculino, que implica na predominância de relações assimétricas e hierárquicas entre os sexos” (Cecília Sardenberg). O patriarcado se manifesta através do machismo, que são as ações no dia a dia, que a gente conhece muito bem (“mulher no volante, perigo constante, “ei, sua gostosa”, “você nem parece mulher com esse cabelo curto”, “com essa saia curta tá pedindo…”, “mulher não sabe exatas”, etc e tal)
O conceito de gênero é muito confundido com o conceito de sexo, MAS, gênero não é sinônimo de sexo! Sexo diz respeito aos aspectos físicos/fisiológicos que distinguem os machos das fêmeas da espécie humano e gênero se refere aos  processos de construção cultural de relações que não decorrem de características sexuais diferenciadas entre homens e mulheres, mas de processos construtores dessas diferenças, produzindo, nesse movimento, desigualdades e hierarquias (Sardenberg e Macedo).
O feminismo não defende inversão de relação de dominação; não defende que as mulheres dominem os homens, mas luta para que haja o fim de relações de dominação,garantindo oportunidades iguais para homens e mulheres. A dominação de um sexo sobre outro é chamado de “sexismo”. O feminismo não defende o sexismo!
Mas, afinal, por que o feminismo é necessário? Porque existem desigualdades de gênero que precisam ser combatidas. Por exemplo, as mulheres recebem em média salários 40% menores do que os homens em uma mesma função; porque as mulheres sofrem determinadas violências somente pelo fato de serem mulheres (vide a tipificação do FEMINICIDIO no Código Penal em 2015); porque as mulheres sofrem mais violência sexual/estupros do que os homens; porque apesar de sermos mais de 51% da população e do eleitorado, somos quase invisíveis nos cargos de representação política; e porque essas relações desiguais não são naturais, mas construídas socialmente ao longo do tempo, podendo então serem desconstruídas.
Ficou com alguma dúvida? Escreva-me: pvielmo@yahoo.com.br, que responderei com muita satisfação, pois contribuir com a desconstrução de equívocos é prazeroso pra caramba!

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Flores e Pedagogia Feminista em prática

Por Paula Vielmo
Pedagoga Feminista


Pedagogia Feminista: O conjunto de princípios e praticas que objetivam conscientizar indivíduos, tanto homens quanto mulheres, da ordem patriarcal vigente em nossa sociedade, dando-lhes instrumentos para superá-la e, assim, atuarem de modo que construam a equidade entre os sexos. (Cecilia Sardenberg )



Sem sombra de dúvidas fevereiro iniciou com uma grande surpresa profissional para mim, quando repentinamente recebi no dia 01, de uma estudante do curso de Enfermagem do IFBA três belas flores. Quando eu trabalhava como recreadora no município, era comum receber bilhetes e desenhos das crianças e até um ou outro presente, mas de adultos isso é bem mais raro e para mim, foi inédito. No entanto, apesar das flores terem me comovido, foi a motivação que me causou profunda reflexão e que gostaria de compartilhar com vocês, o que chamei comigo mesma de uma Pedagogia Feminista em prática.

Bem, uma semana atrás, havia conversada com a referida estudante, que procurou espontaneamente orientação pedagógica em virtude de dificuldades que estava sentindo no curso, sobretudo no que diz respeito à apresentação de seminários, ou seja, expressar-se em público. O curso Técnico em Enfermagem é um curso feminino e mais de 90% das turmas é composta por mulheres. Somado a isso, lembremos que na divisão sexual do trabalho, as profissões ligadas ao cuidar, como a enfermagem, são as profissões consideradas femininas, portanto, justifica-se a presença maciça de mulheres. Por fim, lembremos um fato importante: as mulheres geralmente têm mais dificuldade de se expressar publicamente em virtude da educação voltada para os espaços privados (lar), devendo manter-se calada, quieta, tímida. Tais características são consideradas virtudes femininas.

Dito isso, quando recebi as flores, fiquei sem entender o motivo. Foi então que veio a surpresa quando ela relatou que estava passando por problemas em casa e eu havia ajudado. Como assim, pensei eu? Não havia percebido nada de diferente em nossa conversa. Em seguida ela disse que o marido estava cobrando casa limpa e organizada, o que gerava pressão e desgaste em casa e ela estava abalada com isso. Eis que de repente, eu percebi o que havia acontecido e entendi o motivo das flores! 

Em nossa conversa, orientei sobre a rotina de estudos, local, organização do tempo. A estudante estava dormindo bem pouco e fui saber por quê. Ela acordava muito cedo para organizar a casa e preparar o almoço. Eu, como pedagoga feminista, entendendo que é importante que ela tenha tempo para estudar e que uma mulher tem várias jornadas de trabalho, disse que todos os moradores da casa devem ser/estar envolvidos nos cuidados domésticos e sugeri que ela dividisse as tarefas domésticas com o marido e o filho de 8 anos, sendo que ela faria as refeições, o marido lavaria a louça e o filho tiraria a poeira. 

Gente, eu jamais imaginei que isso ali acima, faria tanta diferença na vida de alguém. Foi o que motivou ela a me dar as flores, mas mais do que isso, foi uma prova cabal de como as mulheres sofrem com a sobrecarga de trabalho e com as exigências que se mantém em um contexto de trabalho diferenciado. Eu recebi as flores, dizendo que não precisava, que era o meu trabalho.

No entanto, não aprendi sobre isso em meus estudos sobre Pedagogia ou na minha graduação em Pedagogia, um curso também feminino. Aprendi sobre as desigualdades de gênero com o feminismo e me apaixonando por ele, busquei fazer relações com a educação até chegar à Pedagogia Feminista, pela qual também me apaixonei, tamanha a proximidade com a Pedagogia Transformadora, de quem já era seguidora.

Fiquei muito feliz naquela noite, mas fiquei muito triste também, pensando que a situação daquela mulher-trabalhadora-mãe-estudante não é única e que o feminismo é extremamente necessário. Por fim, ela me disse que conversou com o marido e ele ficou de contribuir mais nas tarefas domésticas. E sorriu!  Sim, o feminismo possibilita finais felizes!


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Chuvas em Barreiras: um desejo que torna-se uma tragédia anunciada

Por Paula Vielmo
(amante de chuvas)


Em tempos de reformulação do PDU - Plano Diretor Urbano, 
talvez esse textinho seja provocativamente útil.


Salvo falha da memória, o ano de 2015 foi de profunda estiagem, com raros pingos de água caindo do céu. Numa região conhecida por sua numerosa produção agrícola, isso é terrível. Não para o agronegócio que mantém as suas monoculturas latifundiárias utilizando até a última gota das águas dos rios, com seus inúmeros pivôs, mas de tragédia absoluta para os pequenos produtores rurais, que segundo um amigo agrônomo quando questionei como estavam plantando, disse "não estão".

Nesse cenário, somado ao clima de baixa umidade constante, de muita poeira e pouco vento; de problemas de saúde, sobretudo no sistema respiratório (mais das crianças e idosos); de queimadas e de fumaça se infiltrando de maneira violenta em nossos pulmões, um desejo latente: chuva!

Sim, a chuva tão desejada, tão esperada, tão necessária, demorou horrores para chegar, mas chegou! Queria que fosse um texto, uma reflexão, um relato e, sobretudo, uma vivência, totalmente positiva. Não é.

Fonte da imagem: Rádio Barreiras
A chuva por nós, tão aguardada, agora nos lembra a situação caótica em que nossa cidade encontra-se, sem qualquer infraestrutura no centro ou bairros não centrais para receber tanta água. Estamos, sem qualquer dúvida, diante de uma cidade despreparada e sem planejamento para receber de maneira saudável e positiva a água advinda da natureza.

Se antes, sair de casa significava deparar-se com poeira, agora não é mais nem com lama, mas com inundações que inviabilizam o direito de ir e vir; se os buracos eram "quase naturais", haja vista as décadas e décadas de suas existências sem mudanças, eles agora crescem com a força das águas ou se tornam invisíveis, aumentando a possibilidade de acidentes seja de automóvel, bike, ou a pé;

Os pedestres tem que conviver com a falta de educação dos motoristas, acelerados, jogando água para todos os lados, sem qualquer possibilidade de proteção, pois não há calçadas; Não há calçadas! E inacreditavelmente, agora está pior.

Bairro: Loteamento Rio Grande.
Fonte da imagem: Rádio Barreiras
Os usuários do transporte coletivo, antes expostos ao sol escaldante devido a ausência de paradas de ônibus cobertas (sim, as fatídicas placas nos postes continuam lá, firmes e fortes, saí governo e entra governo), estão expostos à água que caí sem parar.

As cenas são chocantes. E são reais! 

Eu, adoradora e amante de chuva, não consigo sequer aproveitar com total alegria esse momento, em virtude das condições degradantes, desumanas e caóticas em que Barreiras está, literalmente, submersa! E a responsabilidade é dos sucessivos governos e o total descompromisso, irresponsabilidade e falta de planejamento. 

A chuva é previsível, o orçamento público é de mais de 300 milhões por ano e a gente continua vivendo esse dilema, entre saber se é bom ou ruim ter chuva?! 

Até quando, ficaremos reféns da inoperância de Saulo, Jusmari, Antônio Henrique e semelhantes? Até quando teremos uma Câmara Municipal que se preocupa com a pequena política, enquanto o povo praticamente se afoga? Até quando a justiça ficará omissa, com os olhos vedados por conveniência e não por imparcialidade?

Que seja logo, a chuva precisa ser aproveitada como um bem natural ao qual temos que reverenciar , e de modo algum, temer. 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Até quando o Centro Histórico será dominado pelo desconforto acústico?

Por Paula Vielmo

Primeiro domingo de 2016, mas me senti no ano todo de 2015. Obviamente necessitamos para transformações e mudanças, de muito mais do que "virar a folha do calendário", mas em tempos de início de ano e de perspectivas latentes, cabe o trocadilho para estimular a reflexão. Tudo bem, mas afinal, sobre o que trato?

Refiro-me aqui de algo que me incomoda faz muito, muito, muito tempo e diz respeito ao nosso patrimônio cultural e histórico, mas mais do que isso, diz respeito às condições de lazer a que estamos submetidos/as aqui em Barreiras, velho oeste da Bahia. Não somente aqui, mas é aqui que moro, logo, é aqui onde essas questão mais incomodam, pois estão bem próximas.

Faz realmente muito tempo que o chamado "Centro Histórico" virou um "Centro de Desconforto Acústico" (ou seria Poluição Sonora?), onde inúmeros bares disputam mais do que clientela, mas o som que dominará o espaço. Sim, considero uma relação de dominação, onde estabeleceu-se uma disputa nada saudável - sobretudo aos nosso ouvidos - de sons cada vez mais altos.

Além disso, a privatização do bem público salta aos olhos diante da banalização do inaceitável. Até pintar o asfalto, certos bares já fizeram. Sério, PINTAR O ASFALTO!

Foto: Paula Vielmo (07/01/2016)

Sabemos que temos um Poder Público altamente descompromissado e inoperante em relação a todas as demandas da população, mas é necessário frisar que é de responsabilidade do EXECUTIVO/ PREFEITURA fiscalizar as festas e sons expostos em via pública no Centro Histórico, bem como a possível poluição sonora a que as pessoas que frequentam o local ou que residem na região, estão submetidas. E tem legislações sobre isso e é de responsabilidade do LEGISLATIVO/ VEREADORES(AS) fiscalizar o cumprimento ou não das leis. Que tristeza, essa sensação permanente de que estamos em uma terra sem lei!

Bastaria uma regulamentação e conscientização dos donos e donas dos bares/karaokês e um revezamento de sons, considerando a distância pequenina entre os estabelecimentos para tornar/retornar o Centro Histórico ao local de lazer dos mais agradáveis da cidade. É possível e é necessário!

E aí, Prefeitura, que é que você vai fazer? O que a Câmara vai fazer?


Observação: troquei a foto no texto, pois era do Vieirinha e causou atrito com o pessoal do Bar, que eu a-do-ro. Nunca foi minha intenção atrelar o Vieira ao desconforto acústico, pois considero-o exemplo de resistência cultural em Barreiras, então troquei por essa foto que eu mesma tirei, após o texto ter sido escrito.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Decretado o aumento da tarifa de ônibus: prepara, a tarifa vai cair, vai cair, vai cair!

Por Paula Vielmo

Desde o dia 05 de dezembro de 2015 que a tarifa de transporte público coletivo em Barreiras foi (super) reajustada, na zona urbana de R$2,30 para R$2,80 e na zona rural chegando até a R$25,00, a depender da localidade. Um verdadeiro abuso ao direito do consumidor e mais do que isso, ao direito de ir e vir.


O Decreto nº 524/2015, lançado pelo Prefeito Municipal, Antônio Henrique, de modo surpreendente e repentino, data de 30/11/2015 e foi publicado na Edição 2131 do Diário Oficial, de 01/12/2015, ou seja, divulgado meros QUATRO DIAS antes de começar a vigorar.

A palavra ABSURDO ganha novas sensações com esse fato e parece ser insuficiente para tamanho abuso da população que mais sofre, utilizando um serviço de péssima qualidade e por um preço já elevado. Quem nos dera se o Prefeito fosse tão rápido para fiscalizar a qualidade do serviço quanto foi para atender o empresário do transporte!

Tal aumento, termo correto, haja vista que não tem cara nenhuma de mero reajuste, gerou algumas ações:

- Representação no Ministério Público por parte da Pastoral da Juventude (PJ);
- Representação no Ministério Público por parte da Câmara Municipal de Barreiras;
- Manifestação de rua no dia 04/12/2015, chamada pela Pastoral da Juventude.

Infelizmente não pude estar no ato de rua, pois de 04 a 06/12 estive no 5º Congresso Nacional do PSOL, em Brasília, mas estava acompanhando de longe, feliz com as reações populares e mais ainda com as avaliações positivas da ação. Sem qualquer dúvida, o transporte é uma das causas mais importantes para mim, desde 2007.

Em seguida, o PSOL promoveu em 09/12 um protesto na Câmara Municipal. Antes disso, na véspera, a PJ já havia se manifestado na sessão da Câmara, inclusive fazendo uso da tribuna através de seu Coordenador Guilherme Matheus. Estive nos dois dias.

Imagem: Blog Sigi Vilares
No entanto, é revoltante e triste a rápida aceitação das pessoas em Barreiras de pagarem tal aumento ou apenas pararem de se deslocar através do ônibus devido ao valor cada vez mais elevado. A acomodação é muito rápida...mas não de todas as pessoas!

A partir das representações que provocaram o Ministério Público à agir, o Promotor Alex Santana Neves entrou ontem, 17/12 com uma Ação Cautelar de Ação Civil Pública, por entender que o aumento foi acima do valor de reajuste, fazendo assim o pedido para que o valor da tarifa abaixe. A matéria foi ao ar no BA TV durante 1:39min, confira AQUI.

A partir dessa movimentação do Ministério Público, como agenda da defesa e interesses da população, reascende a chama da esperança de que a tarifa reduza, inclusive para um valor abaixo de R$2,30, praticada anteriormente.


A luta continua!


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O tema da redação do ENEM 2015 e as polêmicas patriarcais

Por Paula Vielmo
Pedagoga e militante feminista/psolista



No sábado, 24/10 quando soube que uma das questões do ENEM abordou sobre feminismo, através de uma citação da clássica filosofa e referência feminista, Simone de Beauvoir, sim, fiquei animada. No domingo, 25/10 quando soube o tema da redação do ENEM, sim, meus olhos lacrimejaram. Sem qualquer ilusão sobre o que representa o ENEM, é inegável a relevância do debate levantado e preocupante o emaranhado de pronunciamentos descriminatórios.

Minha avaliação sobre o ENEM é que trata-se de uma prova em que o conteúdo não foi trabalhado em sala. Parte de uma perspectiva de visão de mundo, conhecimentos gerais, raciocínio lógico, quando a nossa Educação Brasileira ainda é estritamente conteudista. A proposta é interessante, mas avançada para a nossa realidade, sem sombras de dúvidas, o que acaba por poder ser um problema.

O lado positivo: quase oito milhões de pessoas, a maioria jovens, pensando sobre temas da atualidade ou se enraivecendo porque não têm a menor ideia do que as questões abordam e pode servir como uma referência de reformulações curriculares menos conteudistas. O lado negativo: por não representar o nosso modelo educacional, acaba sendo excludente, haja vista que o "capital cultural" exigido pelo ENEM não é oferecido na maioria das escolas públicas do país.

Sobre o tema da redação "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira", inegavelmente para mim, mulher militante, feminista e usuária de "lentes de gênero", assim como para dezenas e centenas de pessoas que se manifestaram publicamente, nas rodas de conversas, pelas redes sociais, foi um avanço. Trazer o debate sobre a violência contra a mulher para a pauta central da principal porta de acesso à Universidade Pública no Brasil é dar visibilidade a um tema caro para nós mulheres, mas de profundo pesar pela persistente gravidade que se mantém.

Diante de diversas declarações que consideraram o tema sem importância, "mimimi", coisa de esquerda, de feminista, minha preocupação veio como educadora militante quando li e vi declarações vindo de nossa juventude, alguns desses jovens conhecidos. Preocupação porque o sistema patriarcal, de dominação masculina e opressão feminina não é visto, e é considerado, obviamente dentro desse contexto, uma bobagem! Ora, o Brasil estar no ranking mundial como o 7º país que mais violenta e mata mulheres, é algo banal? Desconsiderar os dados de órgãos internacionais é ignorância assumida, mas pensar que estes dados devem realmente ser bem piores do que se registra, requer o uso das "lentes de gênero".

GÊNERO! Ah, essa palavrinha de seis letras que foi VETADA do Plano Nacional de Educação - PNE (Lei Nº 13.005/2014) por ser considerada uma ameaça à família tradicional, caiu na prova seletiva mais importante do país! No entanto, mais do que isso, tais declarações nos mostram que a retirada da explicitação do debate sobre as questões de gênero do PNE representam uma problemática educacional a ser encarada, mediante as justificadas que foram contrárias ao tema da redação, ou seja, a escola não consegue combater efetivamente as discriminações, e negar este debate em seu seio significa produzir e reproduzir desigualdades.

Creio ser de conhecimento geral que houveram, também, dezenas e centenas de manifestações de ódio contra o tema da redação. Mais do que isso, a tentativa de desqualificação através de adjetivações de que o exame seria marxista e de esquerda. Lamentável que discutir e garantir dignidade à vida humana, seja uma pauta vista exclusivamente como de esquerda e marxista. Apesar de eu me incluir nestes dois campos, lamento realmente que não seja encarada e pautada como um problema coletivo, que precisa ser superado para muito além dos 9 anos da "Lei Maria da Penha" (Lei Nº 11.340/2006).

Negar a violência contra as mulheres, não pensar sobre as raízes profundas de sua persistência, é somar-se ao coro dos opressores e opressoras e mais do que isso, naturalizar os milhares de cadáveres de mulheres, fruto dessas violência, mas bem antes disso, as violências cotidianas que passam despercebidas e que precisam ser desveladas e combatidas. Sem dúvidas, o ENEM contribuir para reflexão em alguma medida.


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Salários da Educação Municipal: "Quando tiver dinheiro paga". Quando tiver dinheiro paga?

Por Paula Vielmo
Pedagoga e militante política


Quinta dia útil do mês de outubro de 2015. Recebo uma denúncia e um pedido de ajuda para elaborar a denuncia: a prefeitura ainda não pagou o salário do conjunto de professoras/es municipais, mas apenas aqueles com nomes entre as letras "A e L". Parece chacota, parece mentira, parece "brincadeira", MAS NÃO É!


Que me lembre, essa mania horrível de pagar alguns em dia e outros/as não, de acordo com a letra do nome, foi iniciado no (des)governo de Jusmari. Tonhão está dando continuidade, pois não é a primeira vez, segundo relatou-me uma professora indignada "estou com o povo do cartão de crédito me ligando todos os dias pra saber quando vou pagar. É um desrespeito com o trabalhador", desabafou a professora, dizendo antes sobre a sua preocupação para 016, ano de eleição e possíveis atrasos cada vez maiores.

Essa prática extremamente desrespeitosa com as trabalhadoras e trabalhadores da Educação Municipal piora com as justificativas dadas pelo próprio Poder Municipal. Segundo informações, o SINPROF - Sindicato de Professores/as ao indagar sobre a data de pagamento teria recebido como resposta: "Quando tiver dinheiro paga. Ninguém aqui vai ficar com dinheiro delas não. Como assim, "quando tiver dinheiro paga?"??? E o dinheiro do FUNDEB, todos os meses transferido para esse fim? E a receita do município? Será que o salário da Educação foi revertido para as dezenas de faixas espalhadas pela cidade para receber a presidenta Dilma?

Se a situação das profissionais do magistério, concursadas e com verba rubricada, está assim, imaginemos como estão as profissionais terceirizadas, em condições ainda mais precárias de trabalho. "As meninas da merenda e portaria receberam o salário de agosto a duas semanas atrás", relatou a professora denunciante deste fato gravíssimo, que fere a dignidade da pessoa humana. Essas trabalhadoras terceirizadas já ganham tão pouco e têm que sustentar as suas famílias mediante atrasos de salários que de tão frequentes acabam sendo naturalizados.

As contas não esperam a vontade do prefeito e seus prepostos para aparecer, elas estão religiosamente todos os meses em nossas casas e também na destas trabalhadoras. O prefeito Antônio Henrique, o Secretário de Educação, meu ex-professor Cosme Wilson, e o Secretário de Finanças, Pedro Neto,  precisam dar uma satisfação para essas trabalhadoras e trabalhadores da educação, mas mais do que isso, pagar em dia os valores já baixos que tais trabalhadoras recebem. E deve pagar tanto concursadas/os como contratadas/os.


Hoje é o quinto dia útil do mês, será que o salário do prefeito, vice e secretários já foi pago ou será que também estão pagando por ordem alfabética e estão tranquilos porque seus nomes estão entre A e L? 

Diante desse cenário caótico, fico a questionar cadê o Poder Legislativo (mesmo considerando-o inoperante, temos que exigir que cumpram efetivamente o seu papel). Cadê a atuação da Comissão de Finanças, Orçamentos, Contas e Fiscalização, constituída pelo vereador Carlão (PSD) como Presidente, vereador Eurico Queiroz Filho (PPS) como relator e vereadora Núbia Araújo (PP) como membro? Cadê a atuação da Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, composta pela vereadora Karlúcia Macedo (PMDB) como presidenta, vereador Lúcio Carlos (SDD) como relator e vereador Rui Mendes (PT do B) como membro?

Fiquemos atentas e atentos a essa repetição de desrespeitos aos direitos, e que os sindicatos, poder legislativo e justiça tenham um papel mais ativo diante desses ataques destilados contra as trabalhadoras e trabalhadores de Barreiras e que a população e as/os servidores/as municipais não se calem diante desses absurdos.