Por Paula
Vielmo
Distante de termos qualquer mudança política em
relação aos 19 vereadores eleitos para o mandato 2017-2020, considero que
tivemos um retrocesso na composição da Câmara Municipal de Barreiras,
cujo perfil a partir dos eleitos ficou ainda mais conservadora, tendo em vista
a reeleição de 9 vereadores, dentro os quais alguns de posturas reacionárias ao
extremo, como Gilson Rodrigues (DEM), o retorno de vereadores que já tiveram
mandatos e não fizeram nada de significativo (Irmã Silma, Sobrinho, Cézar da
Vila) e outros sem muito potencial para empreender mudanças significativas,
tendo em vista a forma de fazer política. Em resumo, nada de novo!
Para piorar a já baixa quantidade de mulheres na
política representativa, houve redução na presença de mulheres na Câmara de 5
para 3 vereadoras, sendo que nenhuma das eleitas tem práticas nem propostas voltadas
para as mulheres ou à igualdade de gênero. Se o mandato de Karlúcia Macêdo
(PMDB) como vereadora foi de destaque nos últimos anos, a partir da campanha
como vice-prefeita, ela assume uma posição secundária, ficando praticamente
invisível.
É comum após as eleições iniciarem debates e
acordos sobre a presidência da Câmara Municipal. Em Barreiras não foi diferente
e logo após a eleição, inúmeros eleitos já anunciavam a pretensão de assumir
tal posto, tais como João Felipe (PTB), Gilson Rodrigues (DEM), Marcos Reis (PTN).
Infelizmente, é comum também nesta velha política
no qual estamos inseridas/os, que a autonomia do poder legislativo seja
colocada em xeque diante de uma maioria de vereadores/as sob a sigla do
prefeito eleito. Em Barreiras também não foi diferente.
Dos 19 vereadores/as eleitos/as, segundo pesquisa
no site do TSE, 11 estão sob a coligação/base de Zito Barbosa (DEM),
a saber: Irmã Silma e Eurico Queiroz (PRB), Otoniel (PDT), Dra. Graça e João
Felipe (PTB), Eugênio (PMDB), Dr. José Barbosa (PSC), Almery e Gilson Rodrigues
(DEM), Carlos Costa (PHS) e Cézar da Vila (PT do B) e 08 foram eleitos
como base da "oposição", por estarem na Coligação de
Antônio Henrique (PP), a saber: BI e Carlão (PP), Vivi Barbosa (PC do B),
Sobrinho (PPL), Beza (PSL), Professor Hipólito (PTC),
Nesse jogo, em que o povo não é nada além do
legitimador, o que não falta é gente desorientada e achando que "política
é isso". Não! Isso é a velha política. A política como bem comum não se
submete a desejos e mandos dos chefões de plantão, isso é da alçada da velha
política, o que os ditos novos e antigos vereadores sabem muito bem
fazer.

Esse fato
nos faz refletir principalmente sobre duas questões:

2) Teremos na presidência da Câmara um vereador
reeleito, sem nenhum trabalho relevante à comunidade e que ganhou projeção após
divulgação de informações falsas envolvendo o debate de gênero uando da
construção e tramitação do PME, o Plano Municipal de Educação (ainda não
aprovado). Este mesmo vereador tem posições públicas que afrontam diretamente
os Direitos Humanos, sobretudo das mulheres e pessoas LGBT. De fato, o conceito
de gênero não é de amplo conhecimento e compreensão da sociedade, mas trata-se,
resumidamente, das construções sociais dos papéis masculinos e femininos em
sociedade (veja também texto que escrevi na época AQUI).
Esse cenário aponta que, sem dúvidas, teremos uma
situação pior em Barreiras do que a maioria da população – enganada - decidiu
nas urnas. Nesse contexto, destaca-se o jovem João Felipe, atual
presidente do PTB, o 6º mais votado nas eleições de 2016, cuja trajetória
inclui a militância estudantil secundarista, tendo ocupado o cargo de
coordenador de Politicas para a Juventude na gestão da ex-prefeita Jusmari
Oliveira, presidente da União da Juventude Socialista (UJS) em
Barreiras, assessor parlamentar da ex-deputada estadual Kelly Magalhães e
enquanto filiado do PC do B, por indicação da ex-deputada, ocupou o cargo
de Coordenador Regional do Sine-BA, na Secretaria Estadual do Trabalho,
Emprego e Renda, tendo mudado de sigla partidária (veja nota do PC do B sobre o
fato), filiando-se ao Partido Trabalhista Brasileiro e
de imediato assumido a presidência do mesmo. Necessário registrar a severa
mudança ideológica (de um Partido considerado de “Esquerda” para um Partido
considerado de “Direita”) para atender o objetivo de ser eleito, projeto
alcançado com sucesso.
Esse jovem, que impressiona muita gente merece atenção
em relação às suas velhas atitudes, ao discurso sedutor e ao caminho que trilha
lado a lado com velhos políticos profissionais. Ele, que foi discriminado pela
vereadora Núbia em determinada ocasião em virtude de sua orientação sexual agora
se alia com aqueles que oprimem a sexualidade que foge da norma. Obviamente não
se legisla com a sexualidade, mas é óbvio também que o que somos enquanto seres
nos constituí como sujeitos políticos e influencia em nossas escolhas. Em
tempos de ataques aos Direitos Humanos, toda atenção é preciosa e deve ser
precisa.
João Felipe afirmou que a chapa para a Mesa
Diretora da Câmara e o possível presidente Gilson não influenciarão no seu
trabalho na Câmara e na defesa das minorias sociais. Essa afirmação demostra
desconhecimento dos procedimentos e quem sabe, alguma inocência acerca do
legislativo. Há quem creia nisso.
De nossa parte, a convicção de que não
teremos oposição ao prefeito, mas menos ainda fiscalização por parte da Câmara
Municipal e deveremos intensificar tais ações do lado de fora. 2017 espera de nós muita luta, nada mais!
Muito claro e conciso o texto, companheira Paula. Infelizmente nossa Câmara municipal de vereadores está cheia de interesses próprios.
ResponderExcluir